Rueda se posiciona: 'Só roubo ou dolo deveriam tirar um presidente eleito'
menu button lance
lancelogo lancelogo lance

Rueda se posiciona: 'Só roubo ou dolo deveriam tirar um presidente eleito'

Andres Rueda, candidato à presidência do Santos
Andrés Rueda é ex-membro do Comitê de Gestão de Peres e é contra o impeachment do mesmo (Foto: Divulgação)
Ana Canhedo - 13/09/2018 - 07:00
São Paulo (SP)
Após fortes acusações feitas depois de deixar o Comitê de Gestão, Andrés Rueda deu, com exclusividade ao LANCE!, sua opinião a respeito do possível impeachment do presidente José Carlos Peres. Segundo ele, seria razoável pedir o impedimento do mandatário se houvesse roubo ou dolo ao clube. Ou seja, se houvesse intenção de prejudicar o Peixe. Para ele, não há. 

- É uma decisão muito pessoal. Cada um tem um entendimento. Eu, por exemplo, acredito que para pedir o impeachment de alguém que foi democraticamente eleito, só por roubo ou dolo, mas é minha opinião - ponderou o candidato à presidência em 2017, em breve troca de mensagens. 

Rueda deixou o Comitê em julho, após uma série de insatisfações. Na época, deu uma longa declaração a respeito de tudo o que viu no primeiro semestre do clube. No discurso, fez questão de deixar claro que não estava se colocando contra Peres, mas se posicionando contra a maneira como as coisas estavam sendo feitas dentro do clube. Principalmente pela falta de consulta ao Comitê de Gestão.

Relembre as declarações de Rueda perante ao Conselho Deliberativo: 

“Venho prestar esclarecimento ao Plenário, que é quem me colocou lá. Esse é o motivo de explicar a saída. Fiquei frustrado em participar duas vezes do CG e ter que sair em seis ou sete meses. As passagens no CG me trouxeram experiência clara do que acontece de errado na parte de gestão do clube. Não somente as pessoas, nosso clube tem cultura presidencialista onde uma pessoa manda e o resto obedece. Isso sempre aconteceu, embora nosso Estatuto moderno não preveja isso. Pede inteligentemente decisões colegiadas no CG, com todo mundo palpitando, votando e se faz o que a maioria escolher. Isso nas decisões importantes impactaram em dívida, falcatrua, podridão. Essas decisões nunca aconteceram. Vou citar algumas: Damião, Geuvânio, Leandro Donizete, Neymar. Duvido que tenham aprovado. Caso recente do equatoriano e por aí vai. Nosso problema é um só: nosso Estatuto pede uma coisa e não se faz isso quando não interessa. Quando é abobrinha, sim. Vou colocar cinco itens de coisas que vivi no CG para entenderem isso e motivo da saída:

1) Caso equatoriano. levaram ao CG, jogador presente, Lica presente. Proposta de aquisição de 100% por 350 mil dólares. Vamos pesquisar, jogador bom de seleção, estava no Palmeiras, Santos sem muito dinheiro e pagamento parcelado. Vamos ficar? Maravilha. Para o nosso espanto, o relatório da CF mostra que aprovamos 350 mil euros por 50%. Foi motivo de reunião, comentei que erramos e corrigiríamos. Nós do CG chegamos no Peres e dissemos que não foi aprovado e que tinha erro. No português claro, impossível errar com CNPJ, nome, empresa. Haja erro. Ou é erro é tentativa de roubo. Peres falou que estava chamando de ladrão, disse que não, mas que leva a crer que está errado e o CG quer a cabeça de alguém. Peres deu a cabeça de uma pessoa. Do gerente jurídico (Daniel Bycoff). Pensei muito se ia comentar isso. Mas faço questão de proteger, vou dar esse direito. Conversei com ele e falei da demissão pela suspeita.

2) México: foi colocado pelo presidente dos amistosos, 100 mil dólares por jogo, e não recebemos nada… É um caso bom para ver a falta de consideração. O CG tem um grupo no Whatsapp para discutir as coisas. E diferente de tudo que falam de atraso, votamos em três minutos e anexamos. Peres colocou para falarmos de quem queria chefiar. José Carlos de Oliveira falou que gostaria de ir. CG vota e Zé Carlos de acordo. Peres entra e fala que quem vai é o Pedro Doria. Pera aí, você está de brincadeira? Pergunta quem quer ir, votamos e fala que não? Votação unânime! Ele falou que veta e quem vai é o Pedro. É idiotice, mas é para vocês sentirem.

3) Zeca x Sasha: foi levado ao CG 50% para lá e cá (Internacional), sem comissão, só temos que comprar parte do empresário. Compensava, era barato… Vimos na CF e ninguém aprovou 1,5 mi de luva e 1 milhão e pouco para empresário. Não foi uma decisão colegiada e o que prega o estatuto.

4) Funcionários: quando CG foi composto, uns 20 dias depois da gestão, e contratações políticas já tinham sido feitas. CG foi claro, o que estava feito foi feito, mas foi claro que o CG por estatuto tem que aprovar demissões e contratações. Eu diria que o CG aprovou do Frazão e Rodrigo tão e somente. Mais nenhuma. Ricardo Gomes? Foi imposto um diretor pelo CG. Ninguém foi consultado. Foi tudo feito sem consenso do CG.

5) Se tem órgão que eu adoro é a Comissão Fiscal, salvação do clube. É uma sugestão: por que não colocar um quadrinho dizendo que as decisões não foram aprovadas pelo CG pela ata? É só isso. Isso fere o estatuto. Estatuto que se mude, mas hoje prega que CG tem que ser ouvido. Seria importante para os conselheiros poderem cobrar. Vi a escolha da comissão para administrar o dinheiro do Rodrygo: fico preocupado porque isso demonstra a não clareza da situação financeira do plenário. Vamos administrar o que? Precisamos de 100 e pouco para fechar o ano. É para fechar o ano com despesa corrente. E pode faltar, tem que vender. A gente está vendendo zagueiro, até isso! Não adianta chorar. Única solução a curto prazo é regulamento interno do CG obrigando que todo contrato tem que constar na ata em anexo. Se não tiver, é uma peça juridicamente inválida. Isso vai evitar desvios e roubos. Se toda essa bandidagem tivesse que ter aprovação do CG, não seria feita. 90% daquelas coisas do Modesto não foram. E daqui a dois anos podemos estar iguais, metendo pau no Peres sem acontecer nada. Não é discurso político e nada contra o Peres: ou a gente resolve ou não se sabe.


E MAIS:
Facebook Lance Twitter Lance