Leila Pereira rebate críticas de vices: 'Eu jamais chantageei o Palmeiras'
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Leila Pereira rebate críticas de vices: 'Eu jamais chantageei o Palmeiras'

Leila Pereira
Leila Pereira trabalha pela aprovação da mudança de estatuto (Foto: Divulgação/Palmeiras)
Thiago Ferri - 02/08/2018 - 11:00
São Paulo (SP)
Leila Pereira respondeu de forma dura a três dos quatro vices de Maurício Galiotte. Genaro Marino, Victor Fruges e José Carlos Tomaselli assinaram uma nota de repúdio à conselheira e patrocinadora, acusando-a de chantagear o Palmeiras com a renovação do contrato com a Crefisa e FAM mediante a reeleição do atual presidente. A dona das empresas rebateu.

- Quero dizer com muita clareza: o que os três vices disseram é mentira. Eu jamais chantageei o Palmeiras. Jamais. Eu quero que alguém mostre, em alguma das minhas entrevistas, algum momento que tenha chantageado meu clube. Pelo contrário. O que eu disse é que estes três vices-presidentes, como pessoas da oposição, querem ver o patrocinador fora do Palmeiras - acusou Leila, em entrevista ao LANCE!.

O contrato de patrocínio com o Verdão se encerra em dezembro, mas a preocupação de Leila neste momento é com a votação que haverá sábado, na sede do clube. Os associados foram convocados para ratificar as mudanças no estatuto, já aprovadas pelo Conselho Deliberativo. A principal é a alteração no tempo do mandato presidencial, de dois para três anos.

No último mês, a conselheira organizou quatro jantares no restaurante do clube e estima-se ter recebido quase 2500 associados. A campanha pelo "sim" tem movimentado o clube e para ser aprovada depende da maioria simples na assembleia deste 4 de agosto.

Caso a alteração passe, o próximo presidente eleito já terá três anos no cargo. Isto fará com que Leila possa concorrer em 2021, no pleito seguinte - no atual sistema, ela só poderia disputar a cadeira em 2022, tendo de esperar por duas votações. Na entrevista, a conselheira diz que ainda não é candidata.

Leila Pereira conversou com o L! na noite de terça, antes da última reunião com associados. Falou sobre a intensa campanha, as divergências com a oposição, além do que será feito com os aditivos nos contratos da Crefisa, que geraram a reprovação dos três primeiros balancetes de 2018 no Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) do clube.

LANCE!: Você já havia feito campanha pela mudança de estatuto antes da votação no Conselho Deliberativo, e fez mais uma vez antes da assembleia de sócios. Qual o resultado?
Leila Pereira: Fizemos quatro encontros abertos para os sócios. Não chamávamos só as pessoas que tinham nossas ideias de votar no "sim", era aberto a todos os associados. Aos que entendiam o contrário, que estavam em dúvida. Era uma oportunidade de irem até nós tirar dúvidas. É um espaço democrático, transparente, como nunca se viu no clube. O sócio vai decidir, na cabeça dele, o que é melhor para o clube. Acho que conseguimos fazer o sócio refletir que o melhor é o mandato de três anos, seja para que presidente for. Estamos defendendo não para este ou aquele presidente, é para o Palmeiras. Hoje, o Palmeiras não é como no passado, que uma pessoa indicava quem seria o presidente e o sócio tinha que engolir. Quem decide é o sócio. O sócio vendo que aquela pessoa é o melhor administrador, vai votar naquele presidente e ele pode ficar os três anos. 

Qual o problema do sistema com dois anos de mandato?
Com dois anos, ano sim, ano não, o candidato tem de sentar com pessoas que se acham proprietários do clube para negociar cargos, isto não cabe mais. O Palmeiras não tem dono. Isto que me criticam muito. Como sou uma pessoa muito objetiva, as pessoas dizem: 'olha, ela quer comprar o Palmeiras, o Palmeiras não está à venda!'. Isto é justificativa barata da oposição. É óbvio que o Palmeiras não está à venda. Pior pessoas que passaram a vida inteira aqui e se acham proprietários do clube sem nunca ter contribuído em nada para a grandeza do Palmeiras, sem colocar um tostão. Estou aqui para colaborar com o clube. Em nenhum momento alguém me ouviu dizer que eu gostaria de ser a dona do Palmeiras, que quero adquirir o Palmeiras. Isto é mentira da oposição. Só estou aqui para ajudar o Palmeiras e espero ficar aqui para o resto da minha vida, porque o Palmeiras mudou a minha vida e a do meu marido (José Roberto Lamacchia, também conselheiro eleito). Para melhor, claro.

Você foi acusada por membros da atual diretoria de que está chantageando o clube, dizendo que só renova com a permanência de Maurício Galiotte. Como responde a esta acusação?
Quando dão este tipo de declaração para prejudicar minha imagem diante do torcedor, eles querem na verdade que o patrocinador saia do Palmeiras. Eu insisto, é uma denúncia que eu faço. Eles fazem de tudo para indispor o patrocinador com o clube. Mas eu não quero e nem vou sair do clube. Estou lutando para colocar este tipo de gente para fora do clube, que rebaixou o Palmeiras duas vezes. O patrocinador não quer e não vai sair do Palmeiras. Vou deixar claro, é mentira quando dizem que estou chantageando o clube. Digo claramente, que estes três vices fizeram a nota de repúdio porque eles estão desesperados. O sócio sabe quem está de boa fé ou não, e sabe que o patrocinador tem a melhor boa fé e o patrocinador quer ficar no Palmeiras. Mas é aquela coisa, se a oposição consegue ganhar a eleição e não quer mais o patrocinador, o que eu vou fazer? Quero deixar claro que nunca chantageei o Palmeiras. Quem não quer o patrocinador aqui é a oposição, os três vices, e dirigentes que rebaixaram o clube duas vezes. Esta gente é que apoia o "não". 

Então você negociaria a renovação do contrato de patrocínio, caso a oposição vença a eleição presidencial, no fim do ano?
Da minha parte eu sento com qualquer pessoa, até para dar uma esculhambação na pessoa, eu sou democrática. Eu falo a verdade para as pessoas. Sento com qualquer pessoa, até com a oposição, mas não vão mudar meu ponto de vista. O que nosso grupo entende ser melhor para o Palmeiras é o que lutamos. Quem não quer sentar comigo são eles. Falo com convicção. Se a oposição ganhar, eles não querem o patrocinador aqui, querem fora. O jeito como eles lutam contra o patrocinador, fomentam notícias mentirosas, não querem o patrocinador aqui. Vou lutar com todas as minhas forças para a oposição não vencer. Porque a oposição vencendo, estará vencendo o atraso, o Palmeiras que não queremos mais. Temos de olhar para frente.

O COF reprovou os balancetes do primeiro trimestre por conta dos aditivos assinados com a Crefisa. O órgão teme que o clube sofra prejuízo com eles...
Tenho convicção de que as reprovações são políticas, como recusar um balancete de um clube superavitário? A reprovação é motivada pelos aditivos assinados com a Crefisa. Aí que te falo que querem indispor o patrocinador com o clube, que as pessoas querem que o patrocinador saia. As pessoas que votam contra são as que são contra a campanha dos três anos para presidente. Isto tem um cunho político. Estes contratos, as características são basicamente as mesmas, o COF sempre soube destes contratos. A Crefisa ajudou na contratação destes jogadores com o comprometimento do clube restituir o dinheiro ao vendê-los. Sempre houve o compromisso do Palmeiras, ou então não faríamos. Agora, nesta altura do campeonato recusar as contas por isso, dizendo que os contratos podem dar prejuízo, isto é ridículo. Como pode o contrato de um patrocinador como o nosso dar algum dia prejuízo para o Palmeiras? Jamais. O valor do nosso patrocínio é muito alto, porque eu sou palmeirense, porque queremos contribuir com o clube. O valor de mercado não seria esse, o Brasil todo sabe disso. Mas quando eu falo isso, que é verdade, o opositor diz que estou diminuindo o valor do Palmeiras. Pelo contrário, pago porque sou palmeirense e acho que tenho de colaborar com o clube. O valor que pago a mais já quitaria em um ano, um ano e meio o valor destes jogadores, caso se vendesse com prejuízo. Mas é impossível oito, nove jogadores saírem gratuitamente. Esta questão é política, mas não afeta, a meu ver, o dia a dia do clube. Quem aprova contas é o Conselho Deliberativo e vai ser marcada provavelmente uma reunião em agosto e acho que nós conselheiros teremos o bom senso e vamos aprovar os aditivos e encerrar o assunto no órgão maior do clube. Tenho convicção e certeza que vai ser aprovado, porque é o melhor para o clube. 

Você recebe críticas de que há um conflito de interesses por atuar ao mesmo tempo como conselheira e patrocinadora. Concorda?
Absolutamente nenhum (conflito). Não tiro um tostão do clube, em hipótese alguma. Eu sou conselheira e voto como melhor para o Palmeiras. Eu, como conselheira, vou me indispor com um patrocinador que paga quase R$ 100 milhões por ano? Só se eu fosse louca. Então teria de ter uma sindicância contra um conselheiro que se virasse contra um patrocinador desse, estaria atentando contra o clube. É um crime de responsabilidade contra o clube, como pode se indispor com um patrocinador desse? Tem que prestigiar quem coloca dinheiro no clube, não quem tira dinheiro. Meu interesse é beneficiar meu clube e expor minhas marcas como patrocinador. E o Palmeiras expõe brilhantemente bem. Como conselheira, meu dever é proteger um patrocinador que colocou mais de meio bilhão de reais no período que estamos aqui. Não atacariam como os três vices e ex-dirigentes atacam.

Maurício Galiotte cogita criar um fundo para pagar esta dívida com a Crefisa. Ele já tratou desta possibilidade com você?
O presidente nunca falou com a gente, e o contrato é o seguinte: vendeu o jogador, restitui o valor para a Crefisa. Vendeu com lucro, o valor é do Palmeiras. Vendeu com prejuízo, o Palmeiras tem dois anos para reembolsar o patrocinador. Apesar dos contratos serem distintos, porque foram feitas em épocas distintas, as garantias são compartilhadas. Se um jogador foi vendido com valor menor e outro com valor maior, o jogador com valor maior pode cobrir o menor. Não tem erro para o Palmeiras. É um contrato extremamente vantajoso. Só quem não quer o bem do Palmeiras não vê isso. Falam tanto do patrocínio, mas não veem as dívidas de ex-presidentes deixadas para a gestão do Maurício Galiotte pagar, de dívidas trabalhistas. Deveriam se preocupar com isso, não com o patrocinador que coloca dinheiro no clube. Eles criam tanta celeuma em cima do patrocinador, porque querem que o patrocinador saia. Mas insisto: o patrocinador não sairá, porque eu quero continuar colaborando para ter um time campeão e eu acredito nisso.

Hoje há uma divisão clara dentro do clube. Esta briga política vai acabar quando?
Se pacificar fica até chato, porque debate é saudável. Mas esta parte que quer o Palmeiras sempre com conflito, no obscurantismo, um time que a gente torcia para não cair. Esta gente conseguimos minar em votações no clube. Agora vencendo o "sim", vai ser um grande baque para esta gente. Muitos defendiam antes e agora mudaram de ideia. Dizem que a ideia é boa, mas para o próximo mandato. Mas se é boa, porque não aplicar agora? Na verdade o que eles querem é tocar para frente, porque pode ser que a Leila queira ser candidata em 2021 e não quero disputar com ela. Primeiro, não sou candidata a nada, e por que o medo de disputar comigo? Vencendo no dia 4 vamos apagar esta gente, eles ficam esquecidos. Vai ser uma grande vitória para o Palmeiras do futuro, de que não cabe mais esta mentalidade, não dá mais para uma pessoa se intitular como o senhor do engenho. Isto acabou, está morto. Queremos colocar uma pá de cal nesta gente. Vencendo o sim e vencendo esta gente no Conselho vamos apagar a mentalidade do passado. 

Mustafá Contursi e Arnaldo Tirone são os dirigentes que rebaixaram o Palmeiras, com os quais você já teve relação política, mas hoje está rompida. Arrepende-se destas ligações?
Não me arrependo de nada na minha vida. Sou da teoria: mudei e aprendi. Pior os idiotas que não mudam e não aprendem. Acho que são experiências na vida. Eu sou uma pessoa aberta, eu converso com qualquer pessoa. Mas se vejo que a pessoa está fazendo mal para um projeto positivo para o clube, mudo sem problema nenhum. E eu não mudei do dia para noite, tiveram fatos graves. Um deles (Mustafá) está envolvido em uma suposta venda irregular de ingressos, que para algumas pessoas é normal; para mim, não. É grave. São decepções que eu tive e não tinha por que ficar vinculada a quem quer mal ao clube e a mim. Este tipo de gente está enraizada, e qualquer um que chega é difícil não ter tido relacionamento com esta gente. Porque você chega no clube, eles te abraçam, e eu converso com todos, mas não entro em todas, entendeu? Sei o que é melhor para o clube e todos sabem. Vejo que determinadas pessoas precisam de uma energia a mais para lutar contra a mesmice e foi um grande benefício que o patrocinador trouxe, de lutar. O gigante estava adormecido e agora acordou que os tempos são outros e podemos ter um clube ainda mais gigante.

Enquanto não se resolver o impasse com os aditivos, a Crefisa não irá mais colaborar na contratação de reforços?
​Estou sempre aqui para ajudar, mas a iniciativa é sempre do presidente e não houve para novas aquisições, nada. Estou sempre disponível, e o aditivo não tem nada a ver. É uma questão política e minha colaboração vai além disso. O que for legal e o presidente achar viável, assim como o patrocinador também ache, estaremos sempre à disposição.

O que achou da contratação de Felipão?
Extraordinário. Um treinador vencedor, com história no Palmeiras e a cara do Palmeiras. Estou muito animada.


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