Defesa segura e um '9' que decide: como o Palmeiras dominou o Cerro
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Defesa segura e um '9' que decide: como o Palmeiras dominou o Cerro

Palmeiras
Borja comemora na vitória do Palmeiras sobre o Cerro Porteño (Foto: Cesar Greco)
Thiago Ferri - 10/08/2018 - 07:58
São Paulo (SP)
O Palmeiras controlou o jogo contra o Cerro Porteño (PAR) e agora vai jogar no Allianz Parque podendo até perder por um gol de diferença para avançar na Libertadores. A primeira vitória de Luiz Felipe Scolari nesta nova passagem pelo clube pode não ter vindo com o futebol vistoso que alguns torcedores cobram, mas foi conquistada de forma extremamente eficiente.

A principal diferença considero que tenha sido sem a bola. No fim da passagem de Roger Machado, o Verdão vinha sofrendo muitos gols, e agora chegou à quarta partida sem ter a meta vazada (uma com Wesley Carvalho, outra com Paulo Turra e duas com Scolari).

Quando atacado nessa quinta, Felipão trouxe Dudu e Hyoran para formar uma linha de quatro jogadores no meio-campo, com Felipe Melo e Bruno Henrique por dentro. Moisés ficou mais avançado para pressionar a saída do Cerro na defesa, junto de Borja. Sem a bola, o esquema portanto era o 4-4-2.

Esta opção deu certo, porque mesmo nos momentos de pressão dos donos da casa, Weverton teve pouco trabalho. Os dois pontas voltaram bastante e ganharam elogios, Mayke marcou bem, Edu Dracena não deixou Churín fazer o pivô com frequência, e Antônio Carlos fez uma grande partida. 

Bruno Henrique, diferentemente do que acontecia no fim da passagem de Roger, não teve tanta liberdade e ficou mais preso pelo lado direito, como mostra o seu mapa de calor do Footstats (veja abaixo). Isto fez elevar o nível de Felipe Melo, que não ficou sobrecarregado e teve atuação elogiada por Scolari, com justiça. O camisa 30 destacou-se desarmando.

Mapa de calor de Bruno Henrique no Paraguai
Mapa de calor de Bruno Henrique (Foto: Reprodução/Footstats)
A parte defensiva do plano funcionou durante todo o tempo, mas no ataque o jogo do Verdão não fluiu nos 45 minutos iniciais. Foram forçadas muitas ligações diretas, e a etapa inicial acabou sem graça. Quando colocou a bola no chão, o Palmeiras dominou o Cerro.

Muito por conta de Borja, que em 2018 justifica a expectativa que se criou ao chegar como Rei da América. Ele foi oportunista para abrir o placar, após cobrança de falta, e posicionou-se bem na jogada de Diogo Barbosa (que cresceu após o intervalo) concluída com a assistência de Moisés. Já são 17 gols no ano para o colombiano, com apenas 25 partidas no ano. Uma boa média de 0,68 gol/jogo.

Felipão, que gosta de jogar com um centroavante, disse que Borja não tem o mesmo estilo de Oséas ou Jardel, que fizeram história em seus times do Palmeiras e Grêmio e ficavam mais presos na área.

O técnico sabe que o atual atacante precisa da bola trabalhada para as "diagonais curtas", como dizia Roger, e de liberdade para sair da área e abrir espaço para entrada dos meias. Nada novo, já que esta movimentação se assemelha a do chinês Gao Lin, o "9" de Luiz Felipe no Guangzhou Evergrande.

A volta do treinador não foi uma escolha pensando em fazer um time que joga bonito, para encantar, mas sim uma equipe com a parte mental mais forte e cascuda para o segundo semestre. Pois isto foi entregue em Assunção e não há o que se reclamar do resultado. 

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