Vice do Santos 'rebaixa' nota de Peres e cogita renúncia: 'Não tenho apego'
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Vice do Santos 'rebaixa' nota de Peres e cogita renúncia: 'Não tenho apego'

Rollo
Vice presidente do Santos, Orlando Rollo dá nota 0,5 para gestão de Peres (Foto: Lancepress)
Gabriela Brino - 13/09/2018 - 21:26
Santos (SP)
Em meio ao trâmite do processo de impeachment do presidente do Santos, José Carlos Peres, seu vice, Orlando Rollo, afirmou na noite desta quinta-feira que abrirá mão de assumir a direção do clube caso isso seja visto internamente como  "o melhor para pacificar" o clube. O dirigente rebateu algumas críticas de Peres, que também deu entrevista nesta terça no CT Rei Pelé, e diminuiu ainda mais a nota que havia dado para a atual gestão em entrevista ao LANCE! no mês de junho passado. 

Apesar de cogitar uma renúncia, Rollo declarou que se vê pronto para assumir a presidência caso os sócios aceitem o impeachment de Peres no dia 29 de setembro, quando acontecerá a assembleia de votação.

- Dei nota 2 pra gestão do Peres, ainda arredondei essa nota pra cima. Fui generoso. Hoje não daria 0,5. Talvez ele não zerasse por causa do Cuca, que, diga-se de passagem, foi a gente que insistiu pra contratar, e pelo marketing, que está engrenando. Não me licenciei, na época fiz uma consulta à comissão de estatuto, para saber de que forma eu deveria me licenciar... a resposta não me satisfez - disse, completando: 

- Se for o melhor, eu renuncio pelo Santos. Se for avaliado que o melhor para pacificar o Santos seja a minha renúncia e o eventual impeachment do Peres, assim farei. Não tenho apego ao poder. O Santos Futebol Clube está acima de todos - emendou.

Durante seu depoimento (reproduzido abaixo na íntegra), o vice explicou sua relação com Peres e fez algumas promessas caso seja empossado, mesmo alegando que isso não está nos seus planos.

Confira a entrevista do vice presidente Orlando Rollo na íntegra.

Processo de impeachment

68% dos conselheiros aprovaram a continuidade do processo de impeachment. Peres teve 72 conselheiros favoráveis e 74 contra em outro. Gosto de citar porque, a partir desse número, provo que os conselheiros indicados por mim na chapa votaram contra o impeachment por indicação direta minha. Nossa chapa elegeu 72. Peres teve 72 em um e 74 em outro. Ou seja, os conselheiros que eu indiquei, por orientação minha, votaram contra o impeachment. Nenhum conselheiro ligado a mim assinou processo de impeachment. Diversos grupos nos apoiaram e todas as chapas votaram a favor do impeachment. Alguns da chapa votaram a favor do impeachment, mas não tenho poder sobre eles. Virei vilão da vida do presidente, culpado por todas as mazelas, e ele orientado pela equipe de marketing que ele contratou colocou e está embutindo na cabeça de todos que dia 29 será uma assembleia geral que decide entre os presidentes Orlando Rollo e José Carlos Peres. Não sou candidato e não estou sendo julgado. Julgado é ele por infringir o estatuto. Não tenho apego nenhum ao poder. Conversei com a minha base de conselheiros, meus aliados, e tomarei a seguinte posição: Se Peres sofrer o impeachment, eu vou conversar com as forças vivas do clube, as maiores lideranças expressivas de todos os grupos, ex-presidentes do clube e do conselho, e vamos avaliar em conjunto de maneira democrática o melhor para pacificar o Santos. Se for o melhor, eu renuncio. Se for o melhor, assim o farei. Está gravado. Santos Futebol Clube está acima de tudo e todos. Esse é um breve relato do que aconteceu nos últimos dias.

E se assumir?

Quando me candidatei, me programei para ser vice por três anos, exercendo funções do vice-presidente. Estamos tratando sobre eventual conjectura. Não há planejamento para que eu assuma a presidência. Se isso vier a ocorrer, experiência vai contar muito e posso dizer que estarei preparado se assim for. Nunca pensei nisso e nem participei do processo de impeachment.

Se Peres continuar, Rollo sai?

Não posso trair quem confiou em mim. Tivemos maior votação da história do clube e ele não foi eleito sozinho. Foi eleito comigo e coalizão de diversas correntes. Não posso virar as costas. Vou continuar no Comitê de Gestão, indo nas reuniões e apoiando o Peres quando necessário.

Geriu futebol feminino, esportes olímpicos e segurança?

Ele me deu as atribuições, mas nunca entregou de fato. O gestor do futebol feminino, Alessandro, é ex-genro dele, indicado por ele, não é do meu grupo. Dá, mas não entrega. Às vezes a mentira contada várias vezes vira verdade. Não tenho gerência sobre as três áreas. Quem tem que assinar não sou eu, o vice, é o presidente que restringiu poder do Comitê de Gestão. Minha função era um despachante. Conversavam comigo e ia falar com Peres e sugestões eram aprovadas ou reprovadas. Atuava mais na gerência dos esportes olímpicos. Herdamos quatro e temos 25, agora é referência
nacional e elogiado pelo prefeito de Santos e secretaria de esportes.

Queriam alguns requisitos de tempo máximo, mínimo, motivo, especificação médica. Foi bem ampla. Sobre a promessa de gerência do futebol, apesar disso ser muito divulgado pela imprensa, Peres nunca me prometeu isso. Nunca falou que eu seria responsável pelo futebol. Quando fui eleito vice, fui eleito vice do clube inteiro. Vice do futebol, administração, dos esportes olímpicos, de todas as áreas do clube e não três áreas específicas.

Contrato do Sánchez

Essa questão do contrato do Sánchez foi muito desagradável não só no jurídico, mas a confusão não coletando minha assinatura eu tenho quase certeza que foi o que levou a ele não ser inscrito na Copa do Brasil. Me levaram uma via do contrato às pressas e eu falei por que tinham assinado. Contrato nem era obrigatório para registrar o atleta, mas resolveram mandar o jogo inteiro completo. Para não criar confusão, achei por bem assinar e mandei para o jurídico. Essa portaria que o Peres editou ontem, totalmente contra o estatuto me restringindo poder em assinar CIS, foi porque eu assinei anteontem uma CI pedindo as vias dos contratos originais do Sánchez para minha análise. E no dia seguinte ele emitiu essa portaria para não que não cumprissem determinações dos meus comunicados internos. Achei estranho, está querendo esconder alguma coisa. Por que eu, vice-presidente, não posso ter acesso a negociações e finanças?

Presidente causou a questão para começar a atirar em mim, falar que eu expus publicamente uma situação. Mas não fui eu. Todos vocês presentes ficariam indignados se pegassem o contrato e vissem que outra assinou em outro lugar. Cheque nominal a vocês com outra pessoa assinando, imaginem. Tomei ciência de outro membro do CG assinando no meu lugar, onde estava no meu nome, e isso em tese é crime. Qualquer membro do CG pode assinar, isso não é polêmica, mas nome dele escrito, não assinar por mim. É um fato gravíssimo, em teste configura crime, entrei com uma notícia crime no Segundo Distrito Policial de Santos. Não vou tolerar que usem meu nome em contratos que não assinei. Meu advogado indicou que implicações são graves. Meu advogado particular, não uso máquina do clube.

Rachou com Peres?

Sinergia acabou no dia seguinte. Por parte do Peres. Quando chegamos para a transição, Peres não me convidou, eu fui porque soube. Me surpreendi quando não tinha pessoas indicadas por nosso grupo e de coalizão. A partir do dia seguinte começou a surgir o desgaste que se aflorou. A falta de habilidade administrativa e política do Peres colocou ele nessa situação de aflorar esse processo de impeachment. É difícil prosperar, são quatro fases difíceis, não é fácil ter aprovação de 2/3 do Conselho. Ter uma unanimidade no parecer da CIS. Ele se colocou nessa situação.

Promessas se for empossado

Não vou manter a sequência de jogos porque não é cumprida. Prometemos 50% em São Paulo e 50% na Vila, a gente não alcança tudo. Temos cerca de 30%. Caso eu venha ser presidente assumindo a partir do dia 29, vou manter a média de 50% e mais: quero eventualmente manter alguns jogos no interior. Vou contar uma história que vocês não sabem. Quando Santos jogou pela Luverdense, esse jogo na Vila terá pouco público, alertei, e no Pacaembu não podíamos fazer porque adversário jogaria na capital. Vamos mandar no interior, eu falei. Fiz um estudo apresentando São José dos Campos, Araraquara e Ribeirão Preto. Achamos por bem jogar em São José por causa do gramado e licença em ordem. Íamos lotar, tinha certeza. Tudo certo, aprovado, encaminhado, Peres me manda mensagem de madrugada dizendo que seria na Vila e pronto. Eu, apesar de ser santista no nascimento e coração, munícipe, defendo que Santos jogue no interior e capital. Santos vai continuar jogando no Pacaembu e interior também.

Acerto da gestão

Em relação ao marketing, Frazão faz um excelente trabalho, muito bom profissional. Um acerto da gestão. Se eu for empossado, vamos reunir o Comitê de Gestão. Nada pode se decidir sozinho. E através da meritocracia e democracia, se o CG achar por bem manter Marcelo Frazão, ele vai ficar. Eu vou votar para ficar.

Auditoria eu vou continuar, estender essa auditoria, não será seletiva como é feita. Eu não vi contrato do Peres quando prestou serviço na gestão do Modesto Roma. Se fosse ampla, contrato do Peres apareceria mesmo se tudo estivesse certo. Foi uma auditoria seletiva. A auditoria que vamos propor, caso eu seja presidente, porque não sou candidato a nada, será total, irrestrita e vamos para cima das contas do ex-presidente Modesto Roma, contas do Odilio e mais: auditoria também vai pegar os primeiros oito meses de gestão. Auditoria muito maior.

Cogitou Osorio

Realmente quando houve discussão pública entre Peres e Cuca, o Peres cogitou, sim, trazer o Osorio no lugar do Cuca, o que foi rapidamente rechaçado pelo Comitê de Gestão, mesmo ele não respeitando o CG.

Casos polêmicos

Esmeraldo foi ex-presidente do Conselho, Alexandre Santos é conselheiro jovem, mas se mostra sério. É denúncia greve. Se eu soubesse que era sócio de empresa de jogador, nunca teria aceitado ser vice-presidente dele. Não dá para ganhar uma eleição. Se soubessem, teríamos perdido. E houve casos mais graves como pedofilia que vieram à tona posteriormente.

Desabafo

Eu estava fora das polêmicas todas até a equipe de marketing do Peres me taxar como golpista e artífices desse golpe. Não tenho ligação com Modesto Roma ou alguém do grupo dele. Meu grupo sempre foi antagônico. Essas polêmicas trazem à tona que a assembleia é uma eleição e não é, é julgamento. Outra tônica é eleição entre paulistanos e santistas, não é, sou um dos que mais apoiam jogos no Pacaembu. Sou santista, amo, mas não aceito o termo de província. Fiquei incomodado, sim, existe até um movimento entre os vereador e grandes lideranças para retirar o título de cidadão santista outorgado para o Peres. Tanto eu não sou candidato, não orquestrei e nem teria força para orquestrar uma manobra dessa, nem Athiê reencarnado teria, que eu vou democraticamente me reunir com todas as forças vivas, prefeito de Santos, prefeito de São Paulo, governador, e se for avaliado que a pacificação é minha permanência, ótimo, se for avaliado que é para chamarmos novas eleições, renunciarei e Marcelo Teixeira terá 60 dias para convocar novas eleições. O projeto Somos Todos Santos, com Peres, Rollo dando as mãos. Nada disso prosperou. Se Peres tome impeachment e as forças vivas queiram, vamos implantar o que nós prometemos e nada, absolutamente nada, nem os jogos no Pacaembu, o presidente conseguiu cumprir.

Conluio

Sobre conluio, tenho nenhum com Modesto ou outro ex-presidente. Até porque não sou candidato. Quem tem que fechar acordos é o Peres. Ele que está em campanha. Está confundindo um processo jurídico e administrativo em campanha. Não sou candidato, não tenho apego ao poder e se for o caso, eu renuncio.

Administração do Peres

Pelo Peres, clube está ingovernável. Ele tinha que ter essa percepção e se ligar. Ele tentou emplacar três gestores e foram rejeitados. Eram três excelentes nomes, mas ojeriza política não permite mais que dê continuidade à administração.

Caso Sánchez novamente

Essa trapalhada aconteceu contra o Independiente. Eu fiquei envergonhado como torcedor. Tenho uma luta, uma história dentro do Santos, e nunca achei que numa gestão que eu viesse a fazer parte, mesmo não tendo quase participação alguma, algo viesse a acontecer. Felipe não teve culpa nenhuma, pegaram para dar satisfação, nem sindicância interna foi aberta para apurar. O que apurei é que uma advogada muito competente, que prestava serviço há mais de 20 anos e demitida sem autorização do comitê de gestão. Estatuto determina que toda demissão ou admissão tem que passar pelo CG. Advogada apolítica, há 20 anos no Santos e competente, fazia esse trabalho. Mandava os ofícios para as confederações. E não houve quem enviasse, uma trapalhada gigante e que eu fico envergonhado.

Voto à distância.

Eu queria que o voto fosse feito à distância, sou favorável ao voto à distância. Fui contra em 2014 porque sistema não era confiável. Hoje começou a trabalhar em contento. Hoje sou muito favorável. Não só em Santos ou São Paulo, mas todos os santistas, seja para assembleia ou impeachment.


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