Angústia, pausa e lição: Weverton diz ao L! como tem sido a sua quarentena
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Angústia, pausa e lição: Weverton diz ao L! como tem sido a sua quarentena

Weverton Palmeiras
Weverton saiu de São Paulo pelo número de casos de COVID-19 e por espaço para treinar (Reprodução/Instagram)
William Correia - 20/05/2020 - 08:00
São Paulo (SP)
Titular no Palmeiras desde a metade de 2018 e vivendo grande fase, com frequentes convocações para a Seleção Brasileira, Weverton viu tudo ser paralisado por conta da pandemia do coronavírus. Em entrevista exclusiva ao LANCE!, o goleiro não escondeu a angústia e os prejuízos dessa pausa, mas afirma que todos estão sofrendo no planeta e fala em aprendizado.

Diante do alto número de casos da COVID-19 em São Paulo, Weverton deixou a cidade, até para ter mais espaço para treinar. Ao longo das férias coletivas, cumpridas em abril, trabalhou em dois turnos. E conta que se manteve ligado com a situação do mundo no momento com doações e, também, ajudando a manter empregos no clube ao aceitar, com o elenco, uma redução salarial.

Confira abaixo a entrevista exclusiva do LANCE! com o camisa 1 do Palmeiras:



E MAIS:
Seus vídeos têm chamado atenção nessa quarentena, treinando com bola no apartamento e correndo no que parecia ser uma roça. É uma forma de se divertir mantendo o condicionamento?
Tenho treinado bastante nessa quarentena. A saudade do campo está grande, e quero poder voltar o mais preparado possível. Por isso, além da parte física, tenho treinado com bola para não perder o ritmo de campo. Estava treinado diariamente em dois turnos no período de férias e, agora, tenho feito os trabalhos online com o grupo. Temos que buscar uma forma de passar esse período alimentando a mente e mantendo o condicionamento.

Como tem sido a rotina em casa? O que tem feito para aliviar a ansiedade?
Tem sido complicado ficar sem jogar. Admito que a angústia bate forte, pois a gente quer estar dentro de campo. Isso é nossa vida e o que mais gostamos de fazer. Mas sabemos que é um momento em que todos precisam se cuidar, principalmente nos estados mais atingidos, como São Paulo. Tenho ficado com a família, aproveitado esse momento ao lado deles, já que, durante a rotina normal, quase não temos tempo com a família.

Você tem alguém próximo que pegou COVID-19? Como acompanha a situação?
Não tive nenhuma pessoa próxima com o vírus, graças a Deus. Mas tenho acompanhado tudo pela imprensa, e tentado ajudar como a gente pode. É um momento delicado, em que todos precisamos compreender que ajudar o próximo é uma questão, muitas vezes, de vida ou morte.

Você deixou São Paulo por causa do rápido crescimento de casos?
Saí de São Paulo com a minha família para fugir da pandemia e tentar se proteger. E também para ter mais espaço para manter minha rotina de treinos, pois, nesse período, não podemos deixar de cuidar da nossa ferramenta de trabalho, que é o nosso corpo.

Você é um raro caso que consegue fazer um trabalho com bola mais parecido com sua rotina, até pela posição. Como tem feito esses treinamentos?
Treinei com um preparador, em um campo da cidade em que estou. Íamos só nós dois, e com toda a segurança possível de distanciamento, máscaras e higienização dos equipamentos. Assim, consegui manter a parte de bola, ritmo de jogo e aceleração de movimentos.

Como tem sido a comunicação com a comissão técnica?
Durante as férias, sempre tínhamos reuniões online com eles, para passar nossa rotina e eles nos darem orientações. O Palmeiras nos disponibilizou um suporte fantástico. Agora, a rotina tem sido diária com os treinos online, diretamente com toda a equipe e os profissionais.

Você é o único jogador que atuou em todos os 1153 minutos de partidas oficiais no ano. Qual é a receita?
Como disse, o nosso corpo é o nosso instrumento de trabalho. Precisamos saber disso e que a nossa carreira é curta. Alimentação, noite bem-dormida, exercícios corretos e a cabeça em dia, isso tudo cria reflexos dentro de campo. Além disso, a equipe física e de fisiologia do clube trabalha em alto nível com a gente, cuidando de todos os detalhes.

Você acredita que vive o melhor momento da carreira?
Vivo um momento muito feliz da minha carreira. O melhor momento eu sempre espero que seja o próximo, pois a competitividade da nossa profissão nos leva a isso. Quero conquistar muitos títulos e dar muitas alegrias para a torcida do Palmeiras e deixar meu nome na história do clube. E é claro que sonho em conquistar um Mundial vestindo a camisa da Seleção.

Especificamente para você, essa parada afetou também planos de Seleção?
Defender a nossa Seleção é uma honra enorme. Sei que chegar até lá é consequência do nosso trabalho no clube. Essa parada afetou todos os atletas, pois o mundo todo parou.

Como foi a negociação para redução salarial?
A engrenagem para um clube existir é muito maior que apenas nós, atletas, e era nosso dever ajudar para que toda essa engrenagem se mantivesse durante essa pandemia. É um momento em que todos devemos nos ajudar. Talvez, seja um aprendizado tudo isso, para que tenhamos mais compaixão e possamos olhar mais para o outro.

O Alexandre Mattos, diretor de futebol do Palmeiras até dezembro, afirmou ao Fox Sports que pedia para o Fernando Prass não dar entrevista coletiva porque você e o Jailson ficavam chateados quando ele cobrava chance de jogar. Prass disse que nunca fez cobrança pública por vaga no time e que o relacionamento entre vocês sempre foi excelente. O que você tem a comentar sobre isso?
A gente sempre teve um ótimo relacionamento e uma disputa sadia. Aprendemos muito um com o outro. São três grandes goleiros e qualquer um que fosse titular representaria muito bem o Palmeiras.

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