Amigo 'linha dura' e time forte: como Felipão empilhou títulos na China
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Amigo 'linha dura' e time forte: como Felipão empilhou títulos na China

Felipão no Guangzhou Evergrande
Felipão comemora um de seus títulos pelo Guangzhou Evergrande (Foto: Reprodução)
Thiago Ferri - 03/08/2018 - 07:00
São Paulo (SP)
Luiz Felipe Scolari será apresentado pelo Palmeiras nesta sexta-feira, às 15h, para iniciar sua terceira passagem pelo clube. Este é o primeiro trabalho do técnico de 69 anos depois de fazer história na China: em dois anos e meio, ganhou sete títulos com o Guangzhou Evergrande.

Entre 2015 e 2017, Felipão venceu três vezes o Campeonato Chinês, duas Supercopa da China, uma Copa da China, além da Liga dos Campeões da Ásia, seu maior feito no país. Foram 69% de aproveitamento com 73 vitórias, 30 empates e 17 derrotas.

O sucesso na Ásia se deu com uma relação "sincera" com os jogadores e a montagem de uma equipe cascuda, com características bem definidas.

- O Felipão era um cara bem justo e bacana com a gente. Sempre foi sincero conosco, buscou trabalhar com seriedade, para vencermos juntos aqui no Guangzhou. Claro que às vezes ele era mais sério, mais linha dura, mas também sempre brincou bastante, nos dava liberdade para trocar experiências com ele, opinar. Era muito bacana - relatou o meia-atacante Ricardo Goulart, ao LANCE!. Ele participou de todos os títulos com Scolari no Guangzhou.

No 4-2-3-1 do gaúcho, esquema base durante toda a passagem, Goulart era o jogador centralizado na linha de meias, com liberdade para encostar no centroavante. Como historicamente faz, Felipão usou um "9", o chinês Gao Lin. Além de investir bastante em jogadas aéreas, o técnico deu aos homens de frente liberdade para se movimentarem. Antes de ir para o Barcelona (ESP), Paulinho era um dos volantes e elemento surpresa na área.

- O Guangzhou por muito tempo foi a base da seleção chinesa e tinha uma jogada aérea muito boa. A sacada do Felipão era aproveitar o Ricardo Goulart, o Gao Lin, um 9 com mobilidade, para mudar as posições, e com o Paulinho pisando na área. Quando cruzava, se o gol não saia na primeira ou segunda bola, tinha o rebote. Havia uma diversidade de jogadas, em escanteio, faltas laterais, até bola rolando - relatou o jornalista Leonardo Hartung, que acompanha o futebol chinês.

Contra o Bahia, seu auxiliar Paulo Turra escalou a equipe já com a cara de Felipão, e Deyverson entrou como centroavante. A atuação não foi vistosa, mas o time vai definir a classificação à semifinal da Copa do Brasil no Allianz Parque, depois de ficar no 0 a 0 em Salvador (BA).

- Pensando no que ele pode trazer ao Palmeiras, até imaginei que o Willian como referência não era muito o estilo do Felipão. Ele consegue potencializar bastante o elenco. De repente o Felipe Melo, que não vive um grande ano, pode crescer, o Marcos Rocha com estas jogadas fortes pelos lados do campo, também - acrescentou Hartung.

A boa relação com Luiz Felipe acabou ajudando Goulart a também acumular prêmios individuais. Sob seu comando no Guangzhou, o ex-cruzeirense foi eleito duas vezes o melhor jogador da China.

- Foi um período muito bom, de muito aprendizado, Felipão é um cara muito vivido, experiente, viu muita coisa, conquistou bastante. E foi um período grande, né? Vencemos muita coisa juntos, sempre nos demos muito bem. Desejo muita sorte a ele nesse novo projeto, de volta ao Palmeiras, onde ele foi muito vitorioso, né? O Felipão foi um cara muito especial para mim aqui - completou o jogador.

Na última temporada, com a mudança de regulamento que limitou para três o uso de jogadores estrangeiros por partida, Felipão não pôde escalar com a mesma frequência o zagueiro sul-coreano Kim Young-gwon. O time passou a sofrer mais gols, mas também marcou bastante e ainda garantiu o título chinês. O sonho de ser bicampeão da Liga dos Campeões acabou nas quartas de final, após a saída de Paulinho. Mesmo assim, Scolari saiu com grande legado.

- Ele deixou sua marca na China. Na despedida foram muitos torcedores para o aeroporto, os jogadores foram falar com ele. O Zheng Zhi, capitão do time, levou até o filho dele para dar tchau. Foi um agradecimento por tudo que o Felipão fez por eles. Foi uma passagem bem-sucedida, embora não tenha conseguido o bi na Champions, que era uma ambição. Mas são sete títulos em 11 disputados - completou Hartung.

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