25 anos sem Senna: o dia em que o 'Tema da Vitória' evidenciou saudade

25 anos sem Senna: o dia em que o 'Tema da Vitória' evidenciou saudade

  •  Ayrton Senna Grand Prix Brasil 1993
    Ayrton Senna celebra no GP Brasil de 1993 JULIO PEREIRA / AFP
  •  GP de Mônaco de 1992 Ayrton Senna
    Ayrton Senna comemora o GP de Mônaco de 1992 Reprodução
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    Ayrton Senna sorri durante entrevista AFP
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    Ayrton Senna em ação no GP do Japão de 1989 Reprodução
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    Ayrton Senna na sua McLaren no GP da Itália 1990 Divulgação
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    Ayrton Senna no GP do Japão de 1988 Divulgação
  •  GP de Portugal de 1985 Ayrton Senna
     Ayrton Senna no GP de Portugal de 1985 Divulgação
Vinícius Faustini - 01/05/2019 - 09:00
Rio de Janeiro (RJ)
O abalo em torno da morte de Ayrton Senna ficou ainda mais significativo pela associação do piloto ao "Tema da Vitória". A música de Eduardo Souto Neto (criada em 1984, inicialmente para tocar a cada fim de corrida na Rede Globo) já ganhara nova dimensão com a projeção de Senna na Fórmula 1, pois, a partir de 1986, só passou a ser executada quando brasileiros ganhavam as provas. No entanto, em 1º de maio de 1994, Senna deu à canção um ar de saudade.

Após a confirmação da tragédia com o ídolo, o "Tema da Vitória" passou a acompanhar a despedida de Senna, mas de forma diferente. O arranjo corriqueiro deu lugar a uma melodia tocada de maneira mais lenta. Coube ao produtor musical da Rede Globo, Roger Henri, a responsabilidade de dar uma nova face à música que embalou as vitórias do piloto brasileiro:

- Quando houve o acidente e, mais tarde, a morte foi confirmada, foi uma loucura, pois todo mundo estava preparando matérias na Rede Globo... Neste momento, o Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, antigo executivo da emissora) me encomendou um novo arranjo para o "Tema da Vitória". Pediu que fosse mais emocionante, mais lento e que fosse com uma duração longa, devido ao período das reportagens - afirmou, em entrevista ao LANCE!.

De acordo com Roger, o objetivo da nova roupagem da canção era retratar o que o povo brasileiro estava sentindo:

- Eu tinha de homenagear o ícone que era o Ayrton Senna. Ao mesmo tempo que devia ser algo grandioso, precisava deixar a canção mais lenta, mais triste, por tudo o que aconteceu, pelo sentimento dos fãs naquela hora.



O músico declarou que sua busca foi manter a força do "Tema da Vitória", mas dando um ar de lamentação pela despedida de Senna:

- Peguei os acordes do Eduardo Souto (Neto), que são ótimos, fiz alguns outros, mas sempre retornava à melodia dele a cada novo movimento. É um forte desafio passar uma mensagem diferente da música que é tocada no pódio, pois as pessoas já conhecem o arranjo daquela forma.

Responsável por trilhas de novelas e de programas da Rede Globo, Roger Henri detalhou de que maneira pensou no arranjo, que está presente no disco "Tributo A Um Campeão", lançado logo após a morte de Ayrton Senna:

- Pensei que era a música com a qual todo domingo torcíamos por ele. Com a qual víamos o Senna, um herói nacional, com seu sorriso ultrapassando a reta de chegada a cada fim de corrida, comemorando. Mas agora, o "Tema da Vitória" precisava ter uma nova conotação, infelizmente, de um povo que perdeu seu ídolo, que perdeu seu campeão. As pessoas sentiam outro tipo de emoção neste momento.  A canção que era tocada quando ele vencia agora devia ganhar um tom de adeus. 

Passados 25 anos, a certeza é de que o "Tema da Vitória", de Eduardo Souto Neto segue, independentemente do ritmo, cada vez mais associada a Ayrton Senna.

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