Para especialista, posição de Feldman sobre calendário é prematura
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Para especialista, posição de Feldman sobre calendário é prematura

Walter Feldman, secretário-geral da CBF e presidente do Comitê de Reformas
Walter Feldman, secretário-geral da CBF e presidente do Comitê de Reformas (Foto: Igor Siqueira)
Fábio Lázaro - 23/03/2020 - 08:30
Santos (SP)
O secretário-geral da CBF, Walter Feldman, declarou em entrevista exclusiva ao “Esporte Interativo” que não mudará o formato do Campeonato Brasileiro, tampouco adequará o calendário do futebol nacional ao europeu, devido ao surto mundial de coronavírus.

No entanto, o advogado especialista em Direito Desportivo, Rafael Cobra, avaliou a declaração como prematura, diante da falta de perspectiva quanto ao término da pandemia.

- Talvez tenha sido uma declaração que não possa corresponder com a realidade um pouco à frente. Acho que pela falta de noção exata do tempo que ficará suspenso as competições esportivas, é absolutamente prematuro afirmar que não adotará nenhuma outra medida – afirmou.



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O especialista tirou como base a China, local onde foram registrados os primeiros casos da doença. Lá, o pico da enfermidade chegou ao fim nos últimos dias e o país começou, de forma lenta, a retomar as suas atividades, após cerca de quatro meses de paralisação geral para erradicação do COVID-19. Segundo Rafael, caso o prazo a nível nacional seja o mesmo, não haveria forma de adequar o calendário a não ser modificando o formato do Brasileirão ou estendendo a competição a 2021.

- Se formos usar como parâmetro China e Coreia, onde iniciou a disseminação do vírus, lá para o final de novembro, início de dezembro, agora que eles estão iniciando o controle e fazendo os primeiros movimentos para reativar as atividades esportivas. A gente tá falando de um período de aproximadamente quatro meses de suspensão de atividades. Se a gente usar essa mesma referência aqui pro Brasil, as competições esportivas voltariam em data que seria absolutamente impossível a manutenção de um Campeonato Brasileiro de turno e returno, pontos corridos, não haveriam datas pra isso. Então, obrigatoriamente uma das duas medidas precisarão ser adotadas: ou mudar a fórmula do campeonato ou, como última e única alternativa, restaria a adequação do calendário, terminando a competição no ano que vem – disse.

Para Cobra, os estaduais foram os mais atingidos com a pandemia. O advogado crê que a possibilidade de cancelamento das competições é grande. No momento, todos os 27 campeonatos estão suspensos.

- Caso haja a continuidade dos campeonatos estaduais, o que eu acho de pouca probabilidade, eles não se encerrarão nas datas anteriormente previstas. Este conflito terá que ser analisado de forma muito contundente pelas entidades que administram as competições esportivas e talvez até com alguma alteração legislativa com vigência momentânea – pontuou.

De acordo com o Ministério da Saúde, até o momento, o Brasil registrou 1.546 casos e 25 mortes devido o coronavírus.

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