E(L!)eição RJ - Índio da Costa: 'Ideia é Maracanã integrar atividade social'

Índio da Costa é o candidato ao Governo pelo Partido Social Democrático (Alexandre Araújo)
Alexandre Araújo - 12/09/2018 - 07:00
Rio de Janeiro (RJ)

Deputado federal, Índio da Costa é candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro pelo PSD (Partido Social Democrata), partido do qual é um dos fundadores, e garante estar preparado, com a experiência que já acumulou na vida pública, para mudar a atual situação do Estado, que considera dilacerado.

Índio quer abrir uma nova concessão para o Maracanã tendo, inclusive, licitação internacional. Além disso, quer incluir o estádio, juntamente com as arenas do legado olímpico, em programas sociais para que possam contribuir com a população e dar "vida" a esses locais também em dias que não façam parte do calendário esportivo oficial. Para o Gepe (Grupamento Especial de Policiamento em Estádios), ele aponta que a investigação pode ajudar a diminuir o efetivo necessário em dias de partidas.

O candidato atendeu ao LANCE! para falar sobre estes e outros assuntos relacionados a esportes em uma possível futura gestão.

LANCE! - Por que se candidatar ao Governo?

Índio da Costa: É um desafio enorme transformar o Estado do Rio de Janeiro em um local seguro para se viver e estou pronto para isso. Tenho muita experiência administrativa, muita experiência no Legislativo. E não dá para viver em um Estado dilacerado do jeito que está. Então, se tenho a capacidade de recuperar o Estado, eu tinha a obrigação de colocar meu nome. Estou deixando o mandato de deputado federal, cuja reeleição seria mais simples do que a disputa pelo Governo, que só tem uma vaga. Estou deixando o mandato porque me sinto pronto para transformar o Estado em um local seguro para se viver, e sem segurança nada funciona

Quais os projetos para a gestão do Maracanã?

Se pensar desde o Pan-Americano (2007) até a Olimpíada (2016), se teve uma série de eventos importantes no Rio de Janeiro e o legado deles, basicamente, além das dívidas, são grandes equipamentos sem utilização. A minha proposta é usar esses equipamentos para integrar uma série de atividades sociais, culturais e esportivas, que conectem as comunidades a estes equipamentos. No Maracanã, por exemplo, a espinha dorsal seria o futebol, mas tem o Parque Olímpico, com outras atividades esportivas. Essas comunidades, hoje sob domínio do tráfico, têm uma população jovem que está sempre correndo risco de ser aliciada e sem uma atividade que a ocupe fora do tempo em que elas estão na escola.

Dentro dessas comunidades já há muitas organizações sociais e ONG's que fazem atividades culturais, esportivas... A ideia não é o Governo fazer tudo e nem assumir a responsabilidade sobre essas organizações, mas, de alguma forma, organizá-las e dar o espaço para que possam se manifestar dentro desses equipamentos. Um bom exemplo é o estádio de Volta Redonda, que tem atividade o tempo todo e não só nos dias de jogos.

Ideia é retomar o Maracanã e fazer uma nova concessão, uma licitação internacional. Sabemos que tem 'players' interessados no mundo inteiro em assumir o Maracanã e, dentro do edital, garantir que essas atividades sociais, esportivas e culturais aconteçam ali dentro. É o Estado ajudando a organizar isso e não ser o provedor.


E quanto ao Célio de Barros e o Júlio Delamare?

Eles estariam dentro deste edital citado

Há ainda a Aldeia Maracanã...

Temos de estudar o complexo do Maracanã como um todo.

No início, não havia a previsão de que o Estado assumisse a gestão das arenas do legado da Rio-2016, mas, de alguma forma, há algum projeto de se envolver?

O Estado pode estimular (uma melhor utilização). Não é assumir a responsabilidade sobre as arenas, mas organizar e estimular para que se tenha ali atividades que possam, de alguma forma, contribuir com a juventude.

Há algum projeto específico em relação ao Gepe (Grupamento Especial de Policiamento em Estádios)?

Vou trabalhar a segurança pública com investigação, que é a base do sistema. São, mais ou menos, os mesmos grupos que costumam cometer os mesmos crimes, nos mesmos locais. Com investigação, vou conseguir identificar quem cria problema e vou precisar de menos patrulhamento. É necessário ter patrulhamento extensivo? Sim. O Gepe é importante? Ele é importante. Mas, com investigação vamos diminuir muito os problemas que se tem no entorno do Maracanã nos dias de jogos. Em geral, não posso afirmar porque não tenho a investigação, mas, geralmente, são as mesmas poucas pessoas que criam esse ambiente de insegurança e de violência. O Gepe vai continuar, mas, além disso, vamos agregar a investigação, identificar quem está cometendo esse tipo de crime de forma continuada e punir.

E em relação aos projetos socioesportivos junto à Suderj, o que se é imaginado?

Eu queria entender qual é a razão de existir a Suderj. Tenho ainda dúvidas de qual é a necessidade da Suderj para o Estado. O que tenho visto, de 10 anos para cá, é a Suderj sendo utilizada por candidatos que usam pequenos núcleos esportivos nas comunidades com objetivo eleitoral. A minha sugestão é que esse apoio esportivo nas comunidades seja levado a partir de quem já faz um trabalho sério na localidade, de forma despolitizada, para atender à sociedade e não aos grupos políticos que estão dando apoio.

Estou dizendo isso porque já vi de perto a avaliação do trabalho feito por esse núcleos esportivos. E o Tribunal de Contas bate duro, dizendo que falta qualidade, falta técnico. Eles procuram os grupos e os grupos não estão lá. Portanto, tem muito mais cabo eleitoral do que se imagina dentro dessas atividades.

A esses núcleos esportivos, pode-se dar apoio sem essa grande estrutura por trás.

Em maio, foi criado o Conselho Estadual do Futebol Masculino e Feminino do Rio de Janeiro (Conefut-RJ). Há algo visando esse conselho?

Os governos foram criando estruturas e mais estruturas para justificar a ausência e tenho muita dúvida da necessidade de tanta estrutura. São conselhos, grupos, grupos de trabalho... Vou avaliar com muito interesse. Se tiver, realmente, alguma contribuição que puder dar, tudo bem. Mas me pergunto que tipo de contribuição, efetivamente. O Estado tem dezenas de Conselhos e os outros que conheço não funcionam. Esse pode ter alguma função. Se for apenas a função para justificar a ausência na prestação de serviços, não faz sentido. Mas se for um Conselho que ajude na conceituação, formação ou, ao menos, na definição de política pública... É uma questão de entender. 

O que acabou acontecendo no Estado? Eles foram aumentando o tamanho do Estado e a estrutura, criando novas organizações para colocar os aliados políticos. Tem uma estrutura que vem desde o Garotinho, que lá se vão 20 anos... Garotinho foi eleito pelo PMDB e até hoje (o Estado) está com o PMDB.  Até que se chegou, em um determinado momento, ao maior escândalo da história do Rio de Janeiro, com um grupo político roubando bilhões de reais.

A Secretaria tem alguns projetos em parceria com clubes. Como enxerga isso?

Se tem uma série de clubes que hoje tem uma capacidade muito maior de atendimento que a que tem sido utilizada. Se puder dar uma frase sobre o que pretendo fazer na atividade esportiva seria: "Esporte contra o crime". O esporte é uma atividade que tem uma série de vantagens. Ela te dá disciplina, ajuda a entender os limites. Por mais que se fale dos limites, você passa a atender quando, fisicamente, tem dificuldade de ir além. Qualquer pessoa, com qualquer nível de inteligência, consegue identificar o limite através do esporte. Depois, na cultura esportiva, tem o aprendizado de saber lidar com o adverso, com o antagônico, com os adversários. Entender que é adversário naquele torneio, mas não é inimigo. O esporte pode nos ensinar muitas coisas e isso é fundamental na formação das pessoas. Portanto, a ideia de usar o esporte contra o crime é não só de ocupar o jovem, mas dar a ele um novo sentido na vida. Contribuir com a base familiar. A base de formação de qualquer humano é a família, mas acontece que, além da família, as atividades externas podem contribuir. E o esporte é uma ferramenta extraordinária para trabalhar a não violência, a integração social.

O que eu penso para o Estado é que, no centro, tem saúde, segurança e educação, e as atividades que ficarão no Estado são todas aquelas que vão contribuir. O esporte é o único que contribui objetivamente com segurança, com educação e também com a saúde. Será muito prestigiado, mas não pensando necessariamente nas estruturas internas organizacionais de hoje, mas na atividade na ponta, que hoje são muito pouco oferecidas. Onde estão as comunidades que mais precisam? Onde os jovens estão mais vulneráveis ao aliciamento do tráfico? Onde se pode trabalhar para reverter determinado tipo de doença que o esporte pode contribuir? Onde tem problemas com os jovens nas escolas e que o esporte pode ajudar? A ideia é usar os grandes equipamentos, como Parque Olímpico e Maracanã, e outros menores, como os clubes de bairro, que são muito importantes. Pode-se fazer campeonatos utilizando essas organizações que existem e, no resultado final, aqueles que emergirem como mais capazes para a prática esportiva, ir elevando até buscar parceria com o COB (Comitê Olímpico do Brasil) para ajuda na formação do atleta de alto nível.

A Secretaria tem parcerias com outras áreas do Governo, como a com o Novo Degase e participação no programa Novo Plano Juventude Viva. Como enxerga o papel do esporte como oportunidade de uma melhora de vida?

A ideia é que o Estado trabalhe com a prática esportiva em todas as atividades, como conceito, não como estrutura. Então,o que importa é que na saúde, educação e segurança pública, que são os pilares do Governo, se tenha o esporte dando contribuição. Tem várias atividades que são impactadas positivamente por conta do esporte. A ideia é criar essa cultura do esporte dentro do Governo do Estado

Bate-bola com Índio da Costa:

Pratica ou praticou algum esporte?

Vários. Futebol, vôlei, asa-delta, natação, corrida

Um ídolo no esporte
Usain Bolt

Lembrança com ligação com esporte
O último gol que marquei de cabeça (risos), no colégio Veiga de Almeida. Tinha 13 anos. Era futebol de salão e ganhamos o campeonato, mas me deu uma dor de cabeça danada (risos). A partir desse dia, só joguei futebol de campo.

Time do coração
Fluminense


Quem é:
Nome completo:
Antônio Pedro Índio da Costa (PSD)
Vice: Zaqueu Teixeira (PSD)
Data de nascimento: 20/10/1970
Coligação: PSD - Partido isolado
Ocupação: Deputado Federal
Valor em bens declarados: R$12.297.846,44

*Nesta quinta-feira, vai ao ar a entrevista com a candidata Dayse Oliveira, do PSTU

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