Melancolia e frescor: na semana das quedas de Messi e CR7, Champions impulsiona Haaland e Mbappé
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Melancolia e frescor: na semana das quedas de Messi e CR7, Champions impulsiona Haaland e Mbappé

Haaland e Mbappé
Os novos reis? Haaland e Mbappé brilham e levam Borussia Dortmund e PSG às quartas da Liga dos Campeões (Montagem LANCE! Fotos: AFP)
Victor Mendes - 11/03/2021 - 08:00
Rio de Janeiro (RJ)
A final da antiga Copa dos Campeões da Europa de 1962 é considerada um marco na história da competição. Afinal de contas, foi a constatação de que a mudança havia chegado em definitivo: o então bicho papão Real Madrid, com cinco títulos nas primeiras cinco edições, entre 1956 e 1960, não resistiu ao Benfica e caiu derrotado por 5 a 3.

Confira a tabela da Liga dos Campeões da UEFA e simule os próximos jogos

Ao término do jogo, um jovem Eusébio, aos 19 anos, estrela do clube português e craque da decisão com dois gols, correu atrás de seu ídolo Alfredo Di Stéfano, grande celebridade do clube espanhol mas já na reta final da carreira aos 34, para a troca de camisas. O ato simbolizou a "passagem de bastão" na hierarquia do futebol europeu. Di Stéfano nunca mais levantou a taça continental, enquanto Eusébio foi o maior jogador da década de 60 no Velho Continente.


A edição de 2020/2021, já modernizada e rebatizada de Liga dos Campeões da Uefa, pode estar vivendo um novo momento emblemático. Após 16 anos, o campeonato não terá um time de Lionel Messi e/ou de Cristiano Ronaldo nas quartas de final. E, fantasiando ainda mais a epopeia do principal torneio de clubes do mundo, torna-se icônico que as precoces eliminações da Juventus de Ronaldo e do Barcelona de Messi venham na fase onde os candidatos a sucessores da dupla tenham mostrado um potencial devastador.

Erling Haaland, de 20 anos, destroçou o Sevilla com quatro gols na eliminatória, enquanto Kyllian Mbappé, de 22, liderou o PSG contra o Barcelona também com quatro gols no confronto, sendo três somente na histórica atuação no Camp Nou, o templo catalão onde o gênio argentino mais colecionou ocasiões impagáveis na carreira.

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Entre a nova melancolia de Cristiano Ronaldo com a Juventus e a recorrente frustração de Messi em levar o Barça ao topo como outrora, a Champions, decididamente, deu boas vindas aos postulantes ao trono que o português e o argentino com frequência têm dado pistas de que levantaram. O que não significa que os dois melhores jogadores do século XXI não voltarão a ganhar o cobiçado título europeu, mas sim que, aos 36 e 33 anos, respectivamente, Cristiano Ronaldo e Messi cada vez mais precisam de um sólido coletivo ao lado para tirarem os coelhos de suas cartolas.

Produtos fieis do futebol moderno, Haaland e Mbappé possuem um arsenal técnico avassalador. Da energia que às vezes parece sem fim à grande capacidade para concluir jogadas, os dois começam a registrar números impactantes. Mbappé é figura carimbada há algum tempo. Quatro vezes campeão nacional (uma com o Mônaco e três com o PSG), explodiu em 2018 quando foi um dos destaques do título da França na Copa do Mundo. Brilhou nas oitavas de final contra a Argentina de Messi com dois gols e deixou sua marca na final contra a Croácia.

E MAIS:
A meteórica ascensão de Haaland impressiona tanto quanto. São apenas três temporadas como profissional, numa viagem que começou no Molde, em 2018, passou pelo Red Bull Salzburg, em 2019, até aterrissar no Borussia Dortmund em 2020. O centroavante detém o recorde de melhor início da história da Liga dos Campeões com 20 gols em 14 jogos. Na carreira, somando os gols pela seleção da Noruega, são 102 tentos marcados.

Enquanto as caminhadas de Haaland e Mbappé estão somente começando, as de Cristiano Ronaldo e Messi seguem com um certo ponto de interrogação. O terceiro fracasso consecutivo da Juventus contra times que não fazem parte da elite europeia (todas dentro do seu estádio) não foi bem digerido pela opinião pública italiana.

Barcelona x Juventus - Messi e Cristiano Ronaldo
A Juventus de Cristiano Ronaldo venceu o Barcelona de Messi na fase de grupos, em dezembro (Foto: JOSEP LAGO / AFP)
Eliminada em 2019 pelo Ajax e em 2020 pelo Lyon, a queda de 2021 contra o Porto viu o camisa 7 apagado e com poder de decisão colocado em xeque. Distante da líder Inter de Milão no Campeonato Italiano, o iminente fracasso na campanha pode representar o fim da passagem de Ronaldo na Velha Senhora.

Por sua vez, o futuro de Messi ainda é uma incógnita. Depois de sofrer a maior derrota da carreira na Champions League de 2020, para o Bayern de Munique por 8 a 2, a saída do camisa 10 do Barcelona parecia próxima, diante de um clube naufragado num ambiente político e financeiro caótico, mas a conflitante tentativa de se chegar a um acordo para a rescisão de contrato forçou Messi a continuar na Catalunha.

Nesse tempo, o Barcelona recuperou a boa forma no Campeonato Espanhol, mesmo que esteja seis pontos atrás do Atlético de Madrid, que lidera, e trocou de presidente, com o retorno do antigo comandante Joan Laporta, figura simpática ao astro, mas as especulações quanto ao destino de Messi longe do Camp Nou seguem consistentes.

A nova semana de contrastes na Liga dos Campeões não deixa de ser histórica. Messi e Cristiano Ronaldo estão fora; Haaland e Mbappé seguem vivos e com sangue nos olhos. Será a rotina a partir de agora? Os antigos reis terão direito às suas últimas danças? Perguntas que somente o tempo poderá responder. Enquanto isso, PSG e Borussia Dortmund, junto de Liverpool e Porto, aguardam a definição dos próximos quatro classificados às quartas de final, que saem na próxima semana.


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