Jornalistas esportivos torcedores de Fla e Flu recordam decisão de 1995
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Jornalistas esportivos torcedores de Fla e Flu recordam decisão de 1995

Renato Gaúcho - com camisa do Fluminense em 1995
Gol de barriga de Renato na decisão do Carioca de 1995 fez a alegria dos Tricolores (Foto: Divulgação)
Fernanda Teixeira - 17/05/2020 - 16:07
Rio de Janeiro (RJ)
Na carreira jornalística, o profissional muitas vezes tem o privilégio de ir ao palco de grandes acontecimentos para contar à sociedade o que viu com isenção. Quando se trata da área esportiva, com as paixões envolvidas, o desafio de manter o profissionalismo é ainda maior. O LANCE! conversou com dois jornalistas declaradamente torcedores de Fluminense e Flamengo para que contassem as dores e alegrias do dia da final Campeonato Carioca de 1995, reprisada neste domingo, com direito a venda de ingressos simbólicos pelo Flu.

Do lado tricolor, o jornalista Antônio José Carvalho do Nascimento Filho, conhecido como Toninho Nascimento, editor do caderno de esportes do Jornal O Globo durante 16 anos. Em casa no dia da decisão, Toninho foi da euforia ao desespero após o empate do Flamengo, mas o gol da vitória de Renato Gaúcho deu início a uma "festa das barrigas", ao lado da filha Gabriela, que viria a nascer 14 dias depois do título do Flu. 

Ser rubro-negro e estar no Maracanã no no dia 25 de junho de 1995 não deve ter sido tarefa fácil. Pior ainda se o trabalho exige acompanhar um chefe tricolor fanático. Foi o que viveu a jornalista esportiva Martha Esteves. Com passagens por redações da revista Placar, Jornal do Brasil e Jornal O Dia, em que foi subeditora do caderno de esportes por 20 anos, além de assessoria de imprensa na área. 



Confira os relatos completos dos jornalistas ao LANCE!: 


TONINHO NASCIMENTO - TRICOLOR

Toninho Nascimento jornalista
A primeira vez de Toninho e Gabriela juntos no Maracanã (Foto: Celso Meira)
FESTA DAS BARRIGAS

"Nos meus 59 anos, o Fluminense me deu grandes alegrias e, é verdade, algumas decepções, mas rapidamente esquecidas. Lembro com nostalgia da falta que Rivellino cobrou contra o América e nos deu o título da GB de 1975, no fim do segundo tempo da prorrogação - comemorei tanto que perdi o chinelo e voltei descalço do Maracanã para casa. Tinha 15 anos. Cinco antes tinha visto, também no estádio, o Fluminense ganhar o seu primeiro título brasileiro, no empate com o Atlético-MG, o mesmo acontecendo no segundo título, em outro empate, com o Vasco, 14 anos depois, em plena campanha das Diretas Já.

Mas ponho nesta seleção de grandes alegrias um jogo que assisti pela TV. Para ser mais exato, a da casa da minha mãe, rubro-negra, o que dá razão a teoria de Darwin sobre o aperfeiçoamento da espécie com a evolução (risos). Minha mulher, sentada ao meu lado, estava grávida de nove meses de nosso primeiro filho. Mas ignorei minha mulher e, muito mais ainda, minha mãe.

Minha companheira de “arquibancada” foi a torcedora que estava ainda dentro da imensa barriga - tinha até trazido um camisa tricolor de bebê, futuro presente, que, com reverência pus em cima da TV ao chegar. Fui da euforia ao desespero após o empate do Flamengo. Uma outra barriga, no entanto, fez a mini-torcedora da barriga ao meu lado - que nasceria 14 dias depois - ser campeã carioca pela primeira vez e no centenário do maior rival.

PS: Gabriela vai fazer 25 anos no dia 8 de julho. Ela dá sorte. O primeiro jogo que a levei ao Maracanã foi os 5 a 1 do Flu no Cruzeiro na estreia de Romário, que marcou dois gols, no dia dos Pais (11 de agosto) de 2002. Nos últimos tempos estava difícil levá-lá ao estádio."


MARTHA ESTEVES - RUBRO-NEGRA

Martha Esteves jornalista
Jornalista nunca escondeu ser Rubro-Negra (Foto: Instagram)
UM DIA CHATO PARA TRABALHAR

"Nesta época eu trabalhava como redatora de esportes da UPI, uma agência internacional de notícias e também era assessora de imprensa da Suderj (Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro), que à época dirigia o Maracanã. Estava na tribuna de honra com o presidente da Suderj, Ivan Raposo, e os convidados.

O presidente era daqueles tricolores "chatérrimos" e eu flamenguista "doente". Como não estava à serviço da imprensa, podia ficar à vontade para acompanhar o jogo de uma forma mais livre, não torcendo, mas de uma forma menos tensa. Para mim foi horrível aquele dia.

Fui à campo depois acompanhando o presidente. O Maracanã estava muito cheio, foi um jogo muito tenso para as duas torcidas e para mim também. Imagina que naquela época as entrevistas coletivas eram praticamente no vestiário, não era como hoje em um lugar só, com tudo organizado. Estava todo mundo esperando um resultado que acabou sendo outro com a barrigada do Renato. Lembro da frustração sentida pela torcida do Flamengo.

Sempre fui Rubro-Negra, nunca escondi, todo mundo sabia. Esse jogo pra mim foi realmente um sofrimento porque tudo indicava que o Flamengo seria campeão. A torcida toda do Flamengo acreditava nisso. Até gostei de não estar dentro de uma redação de um jornal naquele dia porque o sofrimento seria maior.

Tive que aturar apenas o presidente da Suderj que era um tricolor fanático. Ainda tive que ir para o vestiário do Fluminense e ver aquela festa toda. Foi um dia chato demais para trabalhar porque estava envolvida no núcleo da festa como assessora de imprensa da Suderj. Tinha que estar participando de tudo, mas, tudo bem, já tinha tantos anos de profissionalismo e isso não me afetou, mas não deixa de ser chato."

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