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Luiz Fernando Gomes: 'A negação da verdade'

Cristovão Borges
Cristóvão foi demitido na sexta-feira (Foto: Matheus Alves/Vasco.com.br)
Luiz Fernando Gomes - 19/03/2017 - 08:00
São Paulo (SP)
Eurico Mirada é incorrigível. Sua capacidade de falar uma coisa e fazer outra é inesgotável. A previsível demissão de Cristóvão Borges é só mais um capítulo nessa série. Vamos relembrar: há pouco mais de dez dias, quando a situação do treinador já se demonstrava insustentável, não só pelos maus resultados, mas principalmente pela clara dificuldade de armar um time minimamente confiável, Eurico entusiasmou-se diante das câmeras de um programa de TV e fez uma defesa ardorosa do seu subordinado, ultrapassando inclusive os limites do futebol:

- A maioria das pessoas não gosta do Cristóvão. Eu gosto. Eles não gostam porque ele não tem a mesma cor que eu. É preconceito. Eu não mando treinador embora. Só mando se ficar comprovado para mim a incompetência, a negligência - disparou o dirigente.

Nesta sexta, não se sabe se por critérios de negligência ou de incompetência, Cristóvão foi demitido da forma mais seca e protocolar possível, através de um comunicado oficial sem maiores justificativas, em que o cartola apenas agradecia a dedicação do treinador. Deixou o Vasco após sete vitórias, dois empates, cinco derrotas e três eliminações: na Florida Cup, para o Corinthians; na semifinal da Taça Guanabara, para o Flamengo; na 3ª fase da Copa do Brasil, para o Vitória.

Cristóvão, depois de um longo período de aprendizagem como auxiliar técnico em clubes como Bangu, Guarani e Coritiba - além da seleção pré-olímpica de 2004 - começou sua carreira de treinador em 2011 exatamente em São Januário, promovido a titular depois dos problemas de saúde que afastaram do futebol Ricardo Gomes, de quem integrava a comissão técnica. De lá para cá, diga-se de passagem, nunca conseguiu efetivamente se firmar. Teve passagens de sofríveis a ruins por Bahia, Fluminense, Flamengo, Atlético-PR e Corinthians, até retornar às origens, em dezembro, pelas mãos de Eurico.

Nesses três meses e pouco no comando do Cruz-maltino, Cristóvão, de uma forma geral, não conseguiu acertar. Seu 4-2-3-1 foi um fracasso. E isso é uma verdade incontestável. Faltou um padrão tático definido, o time atuava de forma desorganizada, com as linhas distantes e não se comunicando, o que dificultava a saída de bola, a construção das jogadas mesmo quando a bola era recuperada. Thalles e depois Luis Fabiano jogavam isolados, sem a aproximação dos meias ou dos alas. Nesse contexto, os momentos de inspiração de Nenê ou as jogadas de bola parada eram as únicas armas do Vasco para buscar bons resultados. Muito pouco para quem precisa reconquistar seu espaço na elite.

Independentemente d​o mau desempenho, contudo, a saída de Cristóvão ​ apenas dá continuidade ao vaivém de técnicos que, ao longo de todas as suas gestões, Eurico promoveu no Vasco. Com raras exceções como Jorginho em 2015 e 2016, Renato Gaúcho em 2006 e 2007 ou Evaristo de Macedo, em 2002 (Antônio Lopes não conta, pois foi demitido por Roberto Dinamite), a cadeira de comando do Vasco sempre foi sinônimo de instabilidade. Sob a tutela de Eurico, como mostrou levantamento deste LANCE!, Celso Roth durou 11 jogos, Doriva, 23; Alfredo Sampaio, 12; Romário, 8; Espinosa, 6; Dário Lourenço, 12; Mauro Galvão, 30; PC Gusmão, 9 e Hélio dos Anjos, 10.

Contra esses números não há argumentos. O Eurico de verdade é o Eurico da ação, que contrata e demite sem dó nem piedade ao sabor de resultados, sim, como a imensa maioria da cartolagem no Brasil, mas também por idiossincrasias particulares, humores que são só dele. O Eurico da entrevista na TV, humano, sensível, solidário a um eventual preconceito que Cristóvão pudesse estar sofrendo, é uma figura quase que fictícia. Acima de tudo, ele é um personagem falastrão, atabalhoado e de pouco crédito. O mesmo que falava de respeito enquanto o Vasco caia para a Segundona; que promete ganhar uma vaga na Libertadores quando nem na Copa do Brasil consegue avançar.

Eurico é assim, a negação da verdade real em prol de uma verdade própria.

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