Morumbi faz 59 anos, e Peixinho lembra 1º gol: 'Para a vida toda'
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Morumbi faz 59 anos, e Peixinho lembra 1º gol: 'Para a vida toda'

Ídolos do São Paulo - Peixinho, autor do primeiro gol do Morumbi
Peixinho no Caminho dos Ídolos, a calçada da fama do Morumbi (Foto: Fellipe Lucena)
Fellipe Lucena - 02/10/2019 - 11:44
São Paulo (SP)
Há exatos 59 anos, o São Paulo inaugurava o estádio do Morumbi com vitória por 1 a 0 em amistoso contra o Sporting (POR) e via nascer uma das expressões mais famosas do futebol: o peixinho, lance em que o jogador mergulha para acertar a bola com a cabeça. O responsável por essas duas coisas chama-se Arnaldo Poffo Garcia, antigo ponta-direita do Tricolor, hoje com 79 anos.

Arnaldo, que era conhecido como Peixinho, marcou aos 12 minutos do primeiro tempo o único gol da partida contra os portugueses - o primeiro da história do Cícero Pompeu de Toledo - justamente mergulhando na área. 

- Meu pai era jogador na década de 40. Jogou no Ypiranga, no Palmeiras, no Santos. O apelido dele era Peixe. Como você sabe, filho de Peixe, Peixinho é (risos). Como eu tinha esse apelido, a imprensa aproveitou que eu dei o mergulho para marcar o gol e criou o "gol de peixinho" - contou o ex-jogador, que nasceu na capital paulista e hoje mora em Piracicaba.



Gol de Peixinho
Peixinho cabeceia para marcar - FOTO: Arquivo histórico/São Paulo FC
Para erguer o Morumbi, que começou a ser construído em 1953, o São Paulo contou com a ajuda de seus atletas na venda de cadeiras cativas. Conta-se que José Poy, histórico goleiro argentino do clube, vendeu pessoalmente 8 mil propriedades. Peixinho também participou disso, principalmente depois daquele dia 2 de outubro de 1960.

- Eu ajudei na venda das cadeiras cativas. O rei da venda de cativas chama-se José Poy, mas a gente também colaborou. Depois que eu fiz o primeiro gol do Morumbi, o assédio aumentou muito. Eles ligavam e diziam: "hoje você tem que pegar o bonde e ir em tal lugar, porque fulano quer te conhecer, comprar uma cadeira cativa". E a gente ia, de bonde mesmo! Sou muito grato ao São Paulo, por tudo. O clube me fez aprender muito, levo para a vida toda. Graças a Deus, entrei e saí pela porta da frente em todos os clubes em que joguei. Sou grato a todos - conta Peixinho, que também defendeu Ferroviária, Santos, Coritiba, Comercial de Ribeirão Preto, Bangu, Deportivo Itália da Venezuela e First Portuguese do Canadá.

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E MAIS:
O São Paulo é o clube pelo qual o ex-ponta tem mais carinho. Foi onde deu os primeiros passos como jogador e onde, desde o ano passado, tem o nome e a foto eternizados em uma espécie de calçada da fama ao lado de outros 98 ídolos.

- Quando chego perto do Morumbi já me vêm as boas lembranças. Me lembro que o São Paulo concentrava no Pacaembu. Eu era juvenil, tinha 16 anos, e o Vicente Feola me levava para estar junto com o time principal. Eu convivia com Poy, De Sordi, Mauro, Canhoteiro, Dino Sani... Um ninho de cobras (risos). Eles sempre me trataram muito bem, cuidaram muito bem de mim. São recordações muito boas. No dia da inauguração do Morumbi, estava muito lotado, uma ansiedade muito grande de todos para ver quem faria o primeiro gol. Fui premiado - lembrou ele, autor de 17 gols em 63 partidas no clube, sendo que o mais famoso foi o décimo.

Peixinho segue ligado ao clube, agora como olheiro em sua região.

- Hoje faço parte da equipe que trabalha para a categoria de base. O São Paulo me deu esse presente na figura do senhor Leco. Era um sonho que eu tinha. Trabalho aqui de Piracicaba para o pessoal de Cotia, vejo os jogos aqui na região, de vez em quando dou um pulo lá, juntamente com o Canassa (José Roberto Canassa, diretor da base). Me sinto muito feliz!

A INAUGURAÇÃO DO MORUMBI

São Paulo Futebol Clube 1 x 0 Sporting Club de Portugal

SPFC: Poy; Ademar, Gildésio, Riberto, Fernando Sátyro, Victor, Peixinho, Jonas (Paulo Lumumba, depois Cláudio Garcia), Gino Orlando, Gonçalo e Canhoteiro (Roberto Frojuello). Técnico: Flávio Costa

SCP: Aníbal; Lino, Morato, Hilário, Mendes, Júlio, Hugo, Faustino, Figueiredo (Fernando), Diogo (Geo) e Seminário. Técnico: Alfredo Gonzalez

Gol: Peixinho, 12' do 1º tempo
Árbitro: Olten Ayres de Abreu
Renda bruta: Cr$ 7.868.400,00
Renda líquida: Cr$ 7.779.900,00
Público pagante: 56.448
Público presente: 64.748



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