Oposição articula dois pedidos de impeachment para Peres no Santos
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Oposição articula dois pedidos de impeachment para Peres no Santos

José Carlos Peres
José Carlos Peres deve ser novamente pressionado pela oposição do Santos (Foto: Ivan Storti/Santos)
Ana Canhedo e Gabriela Brino - 07/06/2018 - 06:15
São Paulo e Santos (SP)
O presidente José Carlos Peres deve voltar a ser pressionado pela oposição no Santos. Pouco menos de dois meses depois de ver um pedido de impeachment contra ele ser entregue à presidência da mesa do Conselho Deliberativo, o mandatário deve ser alvo de mais duas tentativas de impedimento. O conselheiro Alexandre Santos e Silva encabeça um dos documentos e Esmeraldo Tarquinio o outro.

Os dois pedidos podem ser protocolados até sexta-feira, um dia depois da reunião do Conselho Deliberativo, na noite desta quinta, na Vila Belmiro. Há a expectativa de que o número de assinaturas ultrapasse 100. Nenhum dos dois conselheiros estipulou números e prazos. E os pedidos, formalmente, não estão na pauta do encontro de conselheiros, embora devam dar a tônica do encontro. 

- O que eu posso falar em relação a isso é que o documento ainda não está protocolado. Está sendo fechado, com assinaturas ainda sendo colhidas. Prefiro me posicionar depois do protocolo, até em respeito aos conselheiros que estão participando - ponderou Tarquinio, ao LANCE!

A reportagem teve acesso aos dois documentos em suas versões mais atuais, embora ainda sem as devidas assinaturas, ambos baseiam-se nas duas sociedades empresarias de Peres antes de assumir o cargo no Santos, a Saga Talent Sports & Marking e a Peres Sports & Marketing. Ambas são o ponto de partida para a tentativa dos conselheiros aprovar o impedimento. 

- Apontamentos feitos pelo Conselho Fiscal do clube também serão levados em consideração, mas a questão das empresas é fundamental. Não se pode ter esse tipo de vínculo e Estatuto é claro. Não tenho ligação política com ninguém, meu objetivo é claro: o bem do Santos - afirmou Alexandre Santos e Silva, responsável  por encabeçar o primeiro pedido, protocolado em 17 de abril e assinado por 22 conselheiros

Marcelo Teixeira, presidente do Conselho Deliberativo e responsável por arquivar o primeiro pedido de impeachment, precisará encaminhar os requerimentos dos opositores à Comissão de Inquérito e Sindicância depois de recebê-los e o presidente, então, será notificado e poderá apresentar sua defesa. Por Estatuto, caso Peres seja impedido de seguir no cargo, quem assume é o vice-presidente Orlando Rollo. 

Entenda a questão
De maneira simplificada, os questionamentos dos conselheiros se baseiam nas duas empresas ligadas a Peres, a Saga Talent Sports & Marking e a Peres Sports & Marketing, as quais ele é acusado de usar para gerenciamento de atletas - algo que nega com veemência. Tal ato é proibido de acordo com o Estatuo Social do clube. Um dos sócios de Peres na Saga teria, inclusive, exigido 10% da venda de Gabigol à Inter de Milão, da Itália, em 2016. Já que tal empresa teria trazido o jogador ao Santos "de graça".

Ricardo Marco Crivelli, o Lica, gerente da base do Peixe em 2018 e afastado do cargo por acusação de abuso sexual, é também sócio de Peres na primeira empresa, que segundo o dirigente já foi encerrada e, em 2015, criou a Hi Talent Ltda. Um relatório da Comissão Fiscal do clube sobre a movimentação financeira no primeiro trimestre mostrou que o Alvinegro comprou 100% dos direitos econômicos do zagueiro equatoriano Jackson Porozo, de 17 anos, para o time sub-20, em fevereiro e que passará 20% de uma futura venda ao Manta (EQU) e 30% do lucro à Hi Talent.

A diretoria pagou 350 mil euros (cerca de R$ 1,5 milhões) pelo jovem, com vínculo até o final de 2021. O contrato não menciona o motivo das cláusulas acima. Tais questionamentos serão feitos nos pedidos de impeachment.

Peres fala em revanchismo eleitoral
O presidente está ciente do turbilhão de problemas que vai enfrentar nos próximos dias e acredita estar sendo vítima de um revanchismo eleitoral, fruto de uma oposição insatisfeita com o resultado das urnas. 

- Essa questão do impeachment virou moda, o que ele precisa aprender é que primeiro ele precisa de conteúdo no que ele está pedindo. A corrupção no Santos passou a ser zero. A eleição terminou no final de dezembro, mas mesmo assim o cara continua em campanha eleitoral. Eu acho que o clube precisa o seguinte: ajuda! Críticas já bastam daquelas pessoas que não torcem para o clube e criticam. Eu não temo, porque eu não fiz nada de errado - disse Peres, em entrevista à ESPN

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