Bastidores, 2019, tranca e campanha de campeão: Cuca conversa com o L!
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Bastidores, 2019, tranca e campanha de campeão: Cuca conversa com o L!

Cuca
Técnico do Santos comenta sobre futuro no Santos (Foto: Ivan Storti)
Gabriela Brino - 05/11/2018 - 06:00
Santos (SP)
Quando se fala em Cuca, a primeira pergunta dos torcedores santistas é: Fica para 2019? O técnico teve alguns atritos com o presidente José Carlos Peres que o desanimaram para a próxima temporada. Em entrevista ao LANCE!, o comandante do Peixe revelou algumas situações, mas não cravou sua permanência.

Outros temas, como a produção abaixo do esperado de Bruno Henrique, comentários específicos sobre outros jogadores pontuais (Guilherme Nunes e Yuri Alberto) e bastidores da Libertadores também foram debatidos.

E o treinador ainda saciou a curiosidade sobre o que faz nos tempos de lazer. E não é jogar futebol e nem assistir a séries e filmes. Confira abaixo: 

- Momento no Santos

O grupo é de tirar o chapéu, sabe? Porque além de boas pessoas, esses rapazes são muito profissionais. Só tenho elogios e agradecimentos a fazer. Fizemos uma campanha em nível de campeão no segundo turno. É que o Palmeiras tá um absurdo, né? Tá tirando a graça com 85%, isso não existe, né? Mas fora isso, estamos fazendo uma campanha muito bonita, uma recuperação fantástica e todos estão crescendo na hora certa.

- Bastidores da Libertadores

Já teve jogo que decidi (o time titular) duas horas antes da partida. Contra o Independiente mesmo, pela Libertadores... era cinco horas da tarde e eu não tinha definido ainda meu time (bola rolou às 19h30). São coisas que a gente aprende.

O jogo contra o Independiente (nas quartas de final) eu não podia pilhar jogador. Porque se eu pilho, chego e digo "é hoje!", eles saem cuspindo fogo, é expulso meia dúzia e nós morremos tudo. Então eu tinha que acalmar, a pilha já tinha passado da conta para todo mundo. Tanto que quando acabou o jogo teve briga com polícia, tudo aquilo foi reflexo do que vivemos... Foge de você, é muita coisa, gente... Imagina não poder errar os movimentos que ele (jogador) faz, ele não joga sinuca, joga futebol... Ele corre muito, mas não corre maratona trotando, corre dando sprint (o sprint equivale a tiros curtos que chegam a 19 km/h), levando ombrada, carrinho, disputando espaço, pulando, dando pirueta, é diferente. Então passamos confiança.


- Missões aos mais experientes

A conversa com Ferraz foi de treinador para jogador. Corrigindo algumas situações, dentro do campo, coisas que acontecem... Nessas horas, ele como jogador experiente é muito importante. Pego como referência sempre que preciso fazer algo com o grupo... Ele, Renato, dou algumas missões e eles fazem

- Superstição

É bom que você me pergunte isso... Tenho aqui o assessor de imprensa. Pode falar, o que você me viu fazer aqui? Pode falar a verdade... (assessor responde: "Faz questão de orar na capela")... O povo fala, eu deixo que falem, porque quando eu morrer vão lembrar de mim. Mas vão lembrar: "Ah, o Cuca era o supersticioso que roía a unha, usava calça de tal cor naquele time, outra calça no outro..." Que bom que vão lembrar de mim.

- Propostas por Vanderlei e Léo Cittadini

Não atrapalha. É bom. O ruim é se não tiver proposta de ninguém, ai é ruim, né? O Vanderlei faz um bom trabalho, Cittadini se não faz hoje, já fez por merecer... Dorival já trabalhou com ele e quer, sabem do potencial.

- Yuri Alberto e Guilherme Nunes

Yuri foi utilizado naquele momento de pressão, de que precisava entrar no lugar do Gabriel. Hoje se entra a situação é diferente. Hoje acho que o vento está favorável, será mais fácil ou menos difícil para ele ou para qualquer um. Se pudermos dar oportunidade ao Guilherme, vamos dar também.

Guilherme é um segundo volante canhoto, tem um bom passe, tem uma boa saída. Tem que ver no jogo, às vezes no treino o jogador se poupa de divididas para não machucar, daqui a pouco vem uma oportunidade para vermos como ele reage em jogo.

- Produção de Bruno Henrique e vantagens táticas no Santos

Eu, quando falo em não abandonar jogador, é porque não abandono. Vou com o jogador até o fim. Não necessariamente como titular. Às vezes, é melhor entrar no meio do jogo que a torcida pede ele, do que ele já estar e pedirem outro. O jogador sabe quando pedem outro em seu lugar. E isso tira a confiança. Eu estou com ele até o final.

Bruno, na primeira bola, tiro de meta, cabeceio, diagonal, Gabriel entra flutuando, Bruno vai pra apanhar do zagueiro, pro Gabriel ter essa casquinha do Bruno... Tudo isso Derlis não tem como característica, nem Rodrygo, nem Sánchez... São coisas que o torcedor não vê esse lado, vê o lado do jogo. A gente vê o geral, por isso tenho meus gostos. Se eu for ler e ouvir tudo, entro em parafuso.

O que te trouxe ao Santos que motiva a ficar?

O que me trouxe aqui foi uma dívida que eu tinha com o Santos. Quando passei por aqui, fui mal 40 dias. Eu tinha ficado dois anos e meio no Botafogo, perdi nos pênaltis para o Corinthians lá no Morumbi (nas semifinais da Copa do Brasil de 2008) e vim parar aqui. Eu não devia ter saído e vindo assim... Tinha que dar uma respirada, me preparado dez ou 15 dias para recuperar o oxigênio. Naturalmente, não estava normal e não fui bem. Joguei aqui, fui capitão, eu gostava muito. Quando apareceu a chance eu aceitei na hora... "Posso pagar tanto", tá bom, eu vou. Eu tinha comigo de fazer um bom trabalho aqui. Se Deus quiser vou acabar fazendo um trabalho bom. Digo "final": acabar o ano. São sete jogos (entrevista foi antes do clássico contra o Palmeiras), quero fazer o melhor, acabar o ano na Libertadores. Que esse ano a Libertadores machucou todo mundo. Eu me cobro muito. Estávamos em 17º.

Olha o torcedor do Santos hoje, se estivéssemos em 17º hoje, iria faltar vela para acender pedindo a Deus ajuda para fazer dez pontos. Temos que valorizar muito o que esses guris fizeram, mas muito! Não sei o que vai acontecer até o fim, mas é o segundo melhor time do returno. Mas porque o Palmeiras tá com 85. Embalou a ganhar que Deus o livre... mas se não, era o Santos.

O bom resultado te faz ter vontade de ficar?

Tenho contrato até final de 2019.

- Hobbies fora das quatro linhas

Gosto de jogar tranca online. Se você olhar o codinome "Discreto", sou eu. Gosto de tranca de quatro (jogadores), não de dois. Não gosto de nada (séries, filmes...), só de jogar tranca online.

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