Leila explica aditivos, diz que teve R$ 80 milhões de prejuízo e avisa: 'Palmeiras já está no lucro'
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Leila explica aditivos, diz que teve R$ 80 milhões de prejuízo e avisa: 'Palmeiras já está no lucro'

Leila Pereira
Leila Pereira, dona da Crefisa  - FOTO: Agência Palmeiras
Fellipe Lucena e Thiago Ferri - 11/05/2018 - 08:00
São Paulo (SP)
Leila Pereira, dona da Crefisa, posicionou-se publicamente pela primeira vez sobre os aditivos contratuais que fazem o Palmeiras ter de devolver R$ 120 milhões (mais correção) à sua patrocinadora pela compra de jogadores. Ao LANCE!, ela diz que decidiu modificar os contratos porque teve prejuízo de R$ 80 milhões após uma denúncia de uma pessoa do clube à Receita Federal.

- Esses aditivos foram feitos porque nós fomos denunciados na Receita por uma pessoa de dentro do Palmeiras, que eu não vou citar o nome, mas todo mundo sabe quem foi. Nós sofremos uma fiscalização e a Receita entendeu que, como tinha possibilidade de devolução do valor, aquilo (valor aportado pela Crefisa para compra de atletas) não seria um patrocínio, mas um empréstimo - disse a empresária, que também é conselheira do clube.

Até o fim do ano passado, funcionava da seguinte forma: a Crefisa comprava uma propriedade para expor suas marcas (a carteirinha dos sócios-torcedores, por exemplo) e o clube usava o dinheiro para adquirir o jogador. Quando o atleta fosse vendido, o Palmeiras repassava à patrocinadora exatamente o valor aportado. Se o atleta saísse de graça ao fim do contrato ou se fosse vendido por menos do que custou, o prejuízo seria da empresa.

Agora, os valores colocados pela parceira são considerados "empréstimos". Isso significa que o Palmeiras precisa devolver o dinheiro de qualquer maneira. O clube, então, assume os riscos das operações e precisa ressarcir sua patrocinadora em mais de R$ 120 milhões, valor gasto em compras de atletas. Se a soma das vendas desses atletas não atingir os R$ 120 milhões, o clube terá de usar outros recursos para fazer o reembolso. Mas Leila diz que é ridículo dizer que se trataria de um "prejuízo".

- Eu pago cerca de R$ 100 milhões por ano ao Palmeiras, com patrocínio, auxílio no pagamento de salário de jogador e premiação. Levando em conta a grandeza do Palmeiras, um patrocínio comum seria de uns R$ 30 milhões. Eu pago R$ 70 milhões a mais. Então, se o Palmeiras tiver algum prejuízo com esses jogadores, isso já está pago por todo esse dinheiro que ponho lá acima do patrocínio. O lucro do Palmeiras já está mais do que garantido. Em três anos, eu coloquei cerca de meio bilhão de reais no Palmeiras. O Palmeiras já está no lucro. Se não fosse com o aporte da Crefisa, nós não teríamos o time que temos hoje. Se chegar lá na frente e der algum tipo de problema, o presidente vai sentar com a gente e eu não vou deixar o Palmeiras ter prejuízo com essa operação. É impossível, com esse dinheiro todo que já botei dentro do clube, o Palmeiras vislumbrar algum prejuízo. Isso é ridículo - disse Leila.

Na última segunda-feira, Leila foi à reunião do Conselho de Orientação e Fiscalização do clube para explicar os aditivos. Ela avisou que não há a menor possibilidade de fazer novas alterações nestes contratos, como sugeria a comissão montada pelo órgão para analisá-los. A empresária acredita que trata-se de uma perseguição política motivada por suas desavenças com o ex-presidente Mustafá Contursi, muito influente no COF.

Os jogadores envolvidos são: Luan (R$ 10 milhões), Fabiano (R$ 6,7 milhões), Bruno Henrique (R$ 14 milhões), Guerra (R$ 10 milhões), Thiago Santos (R$ 1 milhão), Borja (R$ 33 milhões), Deyverson (R$ 18 milhões), Dudu (R$ 10 milhões) e Lucas Lima (R$ 17,5 milhões).

Abaixo, Leila explica em detalhes os novos contratos:

Como foi feita a alteração?
Houve essa denúncia sórdida, houve a fiscalização e a Receita entendeu que seria empréstimo porque tinha a possibilidade de devolução. Foram várias reuniões com a Receita, com meus advogados, advogado do Palmeiras... Não teve solução. Nós fomos autuados em R$ 30 milhões por 2015 e 2016 com relação a três jogadores, o Barrios, o Vitor Hugo e o Thiago Santos. O grande montante foi em 2017 e 2018. Eu tive que alterar minha contabilidade de 2017 e 2018, senão o fiscal voltaria no ano seguinte e multaria novamente. Aí o valor seria mais de R$ 200 milhões. Gente, eu não posso correr esse risco na minha empresa. A minha empresa goza de uma supercredibilidade. Eu entrei no Palmeiras para ter a minha marca vinculada a coisas positivas, não negativas. Para encerrar aquele assunto, eu não discuti. Isso tudo foi conversado com os advogados, o financeiro e o presidente do Palmeiras. Na minha contabilidade, eu jogava como despesa de patrocínio e tive que mudar para empréstimo. Quando eu jogo como despesa, eu pago menos imposto. Eu tive que pagar R$ 50 milhões de impostos a mais referentes a 2017 e 2018. Nisso tudo, a Crefisa teve um prejuízo de R$ 80 milhões. Já está contabilizado, já está tudo resolvido. Tive que informar tudo isso ao Banco Central, está tudo direitinho. Mas eu precisava que os contratos de patrocínio fossem alterados para empréstimo. Não posso lançar na minha contabilidade como empréstimo sendo que os contratos eram de patrocínio, estaria errado. O presidente entendeu a situação e nós fizemos esses aditivos.

Como funciona a devolução?

O prazo é a duração do contrato do jogador. Se o contrato do jogador é de cinco anos, esse empréstimo é de cinco anos. Vendeu o jogador? Tem que me pagar. A remuneração é pelo CDI, a menor do mercado. Eu tinha que colocar uma remuneração. Se vender com lucro, o lucro é do Palmeiras. As garantias são compartilhadas. Por exemplo: se vende um jogador com prejuízo, mas vende um outro com lucro, esse que vendeu com lucro compensa o que vendeu com prejuízo. Se vender com prejuízo, o Palmeiras tem mais dois anos para me pagar. Por exemplo: vendeu um com prejuízo, e ainda não vendeu nenhum outro com lucro? Não precisa me pagar agora. Eu comprei por 10, vendeu por 5? Me devolve 5 e tem dois anos para me pagar os outros 5. Vendeu um outro com 10 de lucro? Pega 5 e acerta.

As críticas de conselheiros
Como é que pode alguns conselheiros, por questão meramente política, dizerem que esses contratos vão dar prejuízo para o Palmeiras? Teria prejuízo, sim, se essa meia dúzia de conselheiros capitaneados pelo Mustafá fizessem o clube perder o patrocinador, se a gente fosse para outro clube. Não é o caso, porque se eu sair do Palmeiras eu saio do futebol. É isso o que eles querem? Perder R$ 100 milhões por ano? Aí,sim, o Palmeiras teria prejuízo.

Vai voltar a contratar jogadores para o clube?
Eu me ponho à disposição, nunca é iniciativa nossa falar para o presidente que precisa de algum jogador. Se o presidente nos procurar, estou sempre à disposição para colaborar. O que posso fazer eu faço.

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