Invicto, mas sem convencer: o que falta ao Vasco de Valentim?
menu button lance
lancelogo lancelogo lance

Invicto, mas sem convencer: o que falta ao Vasco de Valentim?

Juazeirense x Vasco
Equipe de Valentim quase foi eliminada na Copa do Brasil (Rafael Ribeiro/Vasco)
André Schmidt - 07/02/2019 - 12:54
Rio de Janeiro (RJ)
O empate em 2 a 2 com o Juazeirense e a quase eliminação precoce do time na Copa do Brasil - se salvou com um gol de pênalti aos 45 minutos do 2º tempo -, ligou um alerta no Vasco. Apesar de estar com um aproveitamento de 100% no Campeonato Carioca e ter avançado de fase na disputa nacional, o time de Alberto Valentim ainda não mostrou um padrão tático eficiente e nem consistência durante os jogos.

Das cinco vitórias no ano, quatro foram por 1 a 0, com duas delas nascendo em gols de pênalti. Aliás, dos 11 gols da equipe em 2019, três foram de pênalti e um de falta. Ou seja, somente sete nasceram de jogadas com bola rolando, sendo apenas cinco através de passes diretos entre companheiros. Uma média inferior a um por partida, muito pouco do ponto de vista coletivo.

No Estadual, por exemplo, até agora, o Vasco foi quem menos marcou através de assistências, com quatro, ao lado do Botafogo. O Fluminense, com 11, lidera, seguido pelo Flamengo, com nove. Números que mostram a dependência constante de um brilho individual para definir os jogos. Neste ponto, destaque para Marrony, artilheiro do time na temporada, e Maxi López, que voltou ao time titular marcando gol e dando assistência.

E MAIS:
O jovem atacante, aliás, tem sido o grande nome da equipe. Foi com o garoto caindo pela direita, sendo apoiado por Cáceres - e às vezes por Thiago Galhardo ou Dudu -, que nasceram a maioria dos gols cruz-maltinos. Foi assim que o time venceu o Madureira, na estreia, marcou quatro vezes contra o Volta Redonda, conseguiu o pênalti contra o Fluminense e abriu o placar nesta quarta-feira, contra o Juazeirense. Pela esquerda, Marrony ainda sofreu o pênalti convertido por Maxi contra o clube baiano.

Apesar da falta de criatividade coletiva no ataque, é a transição entre defesa e ataque que mais preocupa. Entre os grandes, o Vasco é a equipe menos acertou passes no Carioca, com 1700, e o de pior aproveitamento, com 91,7%. É também o segundo que mais tenta lançamentos, com 166, apenas três a menos que o Botafogo, mas o que tem a menor porcentagem de acerto, com 37,3%. Ou seja, a equipe tem dificuldades para manter a posse com passes curtos, fazendo uso constantemente da bola longa, porém, tem tido um baixo rendimento no fundamento, o que compromete sua ligação. Contra uma equipe mais ofensiva, como o Fluminense, funcionou, mas contra os pequenos teve problemas para conectar estas ligações diretas. Foi assim contra o Juazeirense, neta quarta-feira, por exemplo.

A dificuldade para passar da defesa para o ataque pode ser vista ao olharmos para os números individuais. O jogador vascaíno com a maior média de toques certos no time no Carioca é o zagueiro reserva Ricardo Graça. Nas duas vezes em que esteve em campo, o defensor trocou 94 passes, obtendo a 13ª melhor média do campeonato - 47 p/j. Willian Maranhão, com 44, é o segundo da equipe e somente o 20º da competição, contando apenas os atletas dos quatro grandes. Raul e Lucas Mineiro, titulares neste início de ano, são apenas 25º e 28º, respectivamente. Andrey, peça-chave em 2018, é apenas o 69º, não tendo ainda disputado um jogo completo no Estadual.

E essa baixa participação dos volantes preocupa também na marcação. O Cruz-Maltino é, entre os grandes, o que menos roubou bolas no Campeonato Carioca. Segundo o Footstats, foram 57 desarmes certos da equipe, apenas um a menos que o Fluminense, time de maior posse bola, mas 41 a menos que o Flamengo, líder no quesito. Contra o Juazeirense, por exemplo, o gol marcado por Balotelli mostra bem o espaçamento que há entre a primeira e a segunda linha defensiva. Quando o centroavante ganha de Cáceres na força, não há nenhuma cobertura próxima para impedir o arremate, que acaba entrando nas redes de Fernando Miguel.

A volta de Willian Maranhão, titular no ano passado, pode ser uma opção para suprir essa carência. Na única partida que fez em 2019, contra a Portuguesa da Ilha do Governador, o cabeça de área roubou cinco bolas, recorde vascaíno até o momento e maior média do Carioca até o momento. Depois de Maranhão, Raul, com 1,3 desarmes por jogo, é o segundo volante que mais conseguiu recuperações de posse na equipe. No entanto, essa é apenas a 31ª melhor média do campeonato. Lucas Mineiro, com dois desarmes em 4 jogos (0,5/j), é somente o 60º. Lembrando que este ranking leva em conta apenas jogadores de Vasco, Botafogo, Flamengo e Fluminense.

Passados 20 dias da estreia na temporada e com cinco meses de trabalho de Alberto Valentim, o Vasco tem definida a sua estrutura de jogo, com meias-atacantes abertos pelas pontas, dois volantes de chegada e um homem de criação mais próximo do centroavante, mas segue com dificuldades para dominar os jogos, seja através da posse de bola ou de uma maior agressividade ofensiva. É o terceiro entre os grandes que menos finalizou no Carioca (73 tentativas) e o de pior porcentagem de acertos, com apenas 34%.

Disputados seis jogos, o Vasco ainda é uma equipe estática em campo, de pouca aproximação entre os jogadores e refém de individualidades ou lampejos coletivos. Com exceção da boa partida contra o Fluminense, principalmente na parte defensiva, o time de Alberto Valentim ainda deve uma atuação mais dominante ao seu torcedor, principalmente contra equipes de menor porte, como as que enfrentou no Estadual e na Copa do Brasil.

VASCO NO CARIOCA 2019
- Dados do Footstats

5 jogos
52% de posse de bola (2ª menor entre os grandes)
9 gols marcados (3º entre os grandes)
​2 gols sofridos (menos vazado)
​4 gols através de assistência (pior marca junto com Botafogo)
​53 assistências para finalização (3º entre os grandes)
​120 cruzamentos tentados (3º entre os grandes)
22,5% de aproveitamento nos cruzamentos (2º pior marca entre os grandes)
​1700 passes certos (pior marca entre os grandes)
91,7% de acerto nos passes (pior marca entre os grandes)
​57 desarmes certos (pior marca entre os grandes)
13 dribles certos (pior marca entre os grandes)
73 finalizações tentadas (3ª pior marca entre os grandes)
34,2% de acerto nas finalizações (pior marca entre os grandes)
166 tentativas de lançamentos (2º maior marca entre os grandes)
37,3% de acerto nos lançamentos (pior marca entre os grandes)


Facebook Lance Twitter Lance