Isaquias Queiroz: 'Eu sempre gostei da pressão, me motiva ainda mais'
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Isaquias Queiroz: 'Eu sempre gostei da pressão, me motiva ainda mais'

  •  Isaquias Queiroz (medalha de prata) - Rio 2016
    Isaquias Queiroz conquistou duas medalhas de prata e uma de bronze na Olimpíada da Rio-2016 Divulgação
  •  Canoagem - Isaquias Queiroz
    Canoagem - Isaquias Queiroz (Foto: AFP/JEFF PACHOUD)
  •  Isaquias Queiroz
    Isaquias Queiroz (Foto: Reprodução)
  •  Isaquias Queiroz Polônia
    Isaquias Queiroz Polônia Divulgação/ICFMEDIA
  •  Isaquias Queiroz e Erlon Silva - Canoagem
    Isaquias Queiroz e Erlon Silva - Canoagem (Foto: DAMIEN MEYER/AFP)
  •  Isaquias Queiroz - Flamengo
    Isaquias Queiroz - Flamengo (Foto: Divulgação/Flamengo)
  •  Remo Flamengo
    Remo Flamengo Carlos Bandeira de Melo/Lancepress!
Carlos Bandeira de Mello - 09/06/2019 - 08:00
Rio de Janeiro (RJ)
Isaquias Queiroz não pronunciou a palavra nervosismo em nenhum momento, mesmo sendo o principal atleta da canoagem brasileira. E muito pelo contrário, tira o desafio de letra. O baiano, de Ubaitaba, com 25 anos, já se tornou o maior medalhista olímpico em uma edição de Jogos Olímpicos. Na última disputa olímpica em 2016, no Rio de Janeiro, o brasileiro levou duas medalhas de prata pelo C1 1.000m e C2 1.000m, e um bronze ao disputar o C1 200m. Para Tóquio-2020, o atleta do Flamengo pretende lutar pela vaga e entrar para história do esporte novamente.

- Eu sempre gostei de ter uma responsabilidade a mais, uma pressão, porque sempre acaba me motivando. Muita gente fala que eu vou sentir, mas para mim é maravilhoso ver as pessoas na Lagoa passeando e me incentivando. Eu quero fazer história no Flamengo. E na Olimpíada vai ser primordial para isso. Trazer medalha olímpica para o Brasil estando em um clube brasileiro será gratificante - disse o canoísta.

Além das três medalhas na Olimpíada, Isaquias brilhou nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015, com dois ouros, no C1 1.000m e C1 200m, e prata no C2 1.000. Em 2019, pelo Campeonato Mundial de canoagem em velocidade, o brasileiro assegurou dois ouros na distância de C1 500m durante a etapa da Polônia e Alemanha. Em Pozan, bateu o tcheco Martin Fukza com mais de um barco de vantagem. O pódio foi completado pelo polonês Tomasz Kaczor. Em Duisburg, ele derrotou novamente o bicampeão e foi ao topo do pódio ao completar a prova em 1m44s731. Ele ainda persegue a melhor marca dos 1.000m nas próximas disputas.



Ao LANCE!, o canoísta comentou a expectativa para as próximas competições, os treinamentos especiais na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio de Janeiro, a diferença da Olimpíada do Rio para a de Tóquio e ainda comentou sobre a ausência do seu treinador Jesus Morlán, que faleceu por conta de um câncer no cérebro, em novembro de 2018. Confira o bate-papo abaixo:  

L!: Você acabou de voltar de duas etapas de Copa do Mundo de canoagem de velocidade. Como está sua programação agora e o que espera das próximas competições?

Isaquias Queiroz:
Fazia tempo que não participava de uma Copa do Mundo. A vida é muito difícil na Europa, para mim, por conta da alimentação. Ainda mais eu que sou baiano e gosto de comida bem temperada, é muito complicado. Na última etapa, por exemplo, foi muito desgastante e tanto que eu não consegui completar as provas de 1.000m. Na noite anterior, eu já tinha falado com o treinador que as minhas pernas estavam travadas e tinha pouco tempo para relaxar a perna, porque meu massagista estava resfriado, e se tivesse com ele, eu poderia pegar, porque minha imunidade é muito baixa. Mas na água, a diferença de vento e água muito forte também dificultou. E ganhar os 500m foi bom, porque é uma prova intermediária da prova olímpica. Agora, chegar em Lagoa Santa, treinar pesado esses outros 500m. Eu vou ter que equilibrar para conseguir um resultado favorável. Além disso, foi legal de ver os nossos adversários treinando para elevar o nível da competição. Agora, é treinar para conseguir a vaga para Olimpíada. Não adianta ganhar medalha no Mundial, se não ganha na Olimpíada. Se for pelo Pan-Americano, acaba atrapalhando, porque é um ano olímpico.


L!: Como é treinar diariamente sob os olhares do Cristo Redentor? Além disso, passa uma lembrança dos Jogos Olímpicos da Rio-2016?

É diferente. Além da questão da admiração, enquanto eu treinava, as pessoas gritam: ‘Isaquias, parabéns’. O respeito também dos clubes. Eu passei pela sede do Botafogo e Vasco, todos me apoiando, o que motiva ainda mais. Até no momento em que eu treino, cheguei na virada dos 1.000m, e imaginei as pessoas gritando, como aconteceu na Olimpíada no Rio-2016. Queira ou não ainda está fresco na minha cabeça. Sempre que venho ao Rio não tem como não lembrar, porque tem todos os passos na minha memória. Foi onde comecei minha história, em 2010. Logo no ano seguinte, fui campeão mundial júnior e é sempre legal reviver o passado. E sair de vez em quando de Lagoa Santa e vir aqui no Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro (COB), também vou no shopping às vezes passear com minha família e isso acaba me relaxando.


L!: Tivemos a Olimpíada de 2016 em que você conseguiu ser o maior medalhista brasileiro na competição. Agora, sendo em Tóquio, há uma preparação diferente para conquistar a medalha?

A única coisa que mudou foi a ausência do nosso treinador Jesus Morlán. O que ele deixou de treinamento supre essa ausência dele da necessidade de estar ao nosso lado. O Lauro, que foi treinador do Caiaque, e o Jesus Morlán sempre ensinou muito a ele antes dele falecer. A gente tem bastante confiança no trabalho dele e ele não está inventando nada de treinamento. Está deixando o legado do Morlán. E todo histórico está guardado no computador do Lauro. A gente tem essa possibilidade de refazer e ter a consciência que podemos fazer melhor. Eu acho que vai só essa diferença. A gente está em uma fase importante e sabemos o quanto vamos remar, representar a memória do nosso treinador e ganhar a décima medalha. O Lauro e Nivaldo, que estão supervisionando o nosso treinamento, continuam focado nisso, o COB também está dando todo o apoio necessário.


L!: Depois do falecimento do seu treinador Jesus Morlán, vítima de um câncer, como foi encarar a mudança de treinador? 

O Lauro estava como auxiliar do Jesus Morlán desde 2013 até 2014. Depois, ele foi treinar a seleção feminina, e o Morlán ficou com a gente, em Lagoa Santa. Após 2016, quando ele descobriu que estava com câncer, já acabou pensando em um substituto dele. Acho que ele sabia da gravidade em relação ao câncer. Se tiver alguém que tem que treinar a gente, prefiro que seja o Lauro, porque eu já conhecia e era tranquilo com relação ao treinamento. Ele é muito inteligente e teve um ensino de Jesus Morlán. A gente sabia que estava tudo em mãos. Mas eu nem cheguei a pensar em outro treinador até pela parte da sintonia, porque quando ele chegou foi um ‘bate-cabeça’ muito grande. Eu tinha uma personalidade muito forte e ele também, demorou bastante tempo para a gente se entrosar. E a cada treinamento que eu fazia e o meu rendimento dentro da água, ele ficava feliz, o que me motivava ainda mais. O resultado não foi graças a mim, e sim a Jesus Morlán. No momento em que ele assumiu, todo o Brasil passou a conhecer a canoagem e a canoa. Estamos fortes nas competições e representando bem o país.

L!: Quando alguém fala em Flamengo já pensa no futebol. Qual é sua relação com o futebol, você assiste às partidas do clube carioca?

Eu já assinei até mesmo canal fechado para assistir futebol. Na terça-feira, eu até assisti ao jogo do Flamengo contra o Corinthians. Mas sempre que eu estou no Rio, eu quase sempre vou ao Maracanã com a Laina (esposa). Eu já fui umas quatro ou cinco vezes no estádio, e quando você vai no Maraca é bem diferente. Emoção, gritaria, todo mundo cantando, que é muito diferente de ver o jogo em casa, no sofá.

L!: Em seu retorno para o Flamengo, você se sente mais preparado, mais maduro para encarar as competições que vê pela frente?

Eu espero que possa fazer história no Flamengo. Eu vi o nome das pessoas no chão do Remo e espero que o meu possa está lá um dia, mas para isso preciso trabalhar forte e representar bem o clube. É muito especial! Agora, no Mundial da Polônia, onde não fui muito bem na prova dos 1.000m, muitas pessoas mandaram mensagem de incentivo. Depois, eu fui bem nos 500m, porque eu tive a obrigação de ir bem e representar o Brasil, a minha Bahia e o Flamengo. Eu sempre gostei de ter uma responsabilidade a mais, uma pressão, porque sempre acaba me motivando. Muita gente disse que eu sentir, mas para mim foi maravilhoso ver as pessoas na Lagoa passeando e me incentivando. Eu quero fazer história no Flamengo e a Olimpíada vai ser primordial para isso. Trazer medalha olímpica para o país estando em um clube brasileiro.

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