E(L!)eição RJ - Dayse Oliveira: 'Defendemos reestatizar o Maracanã'
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E(L!)eição RJ - Dayse Oliveira: 'Defendemos reestatizar o Maracanã'

Dayse Oliveira, candidata ao governo pelo PSTU
Dayse Oliveira, candidata ao governo pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (Alexandre Araújo)
Alexandre Araújo - 13/09/2018 - 07:00
Rio de Janeiro (RJ)
"Chamar uma rebelião para mudar o Estado". Enfática, Dayse Oliveira, candidata ao Governo do Rio de Janeiro pelo PSTU (Socialista dos Trabalhadores Unificado) garantiu que, com a privatização do Maracanã, houve uma expulsão dos trabalhadores da arquibancada do estádio e pretende revitalizar o Célio de Barros e Júlio Delamare para que eles sirvam à população.

Além disso, Dayse lembrou que a violência no futebol é um reflexo do que acontece na sociedade e pretende criar um Conselho Popular do Esporte para que os cidadãos fluminenses possam ter acesso às mais diversas modalidades.

Em entrevista ao LANCE!, a candidata demonstrou quais as ideias que pretende implementar no esporte na gestão, caso seja eleita.

LANCE! - Por que se candidatar ao governo?

Dayse Oliveira: Para chamar uma rebelião no Estado do Rio de Janeiro. Até então, todos os governos têm se candidatado para os empresários. O Brasil é um país capitalista, então, os governos governam para a classe dominante. E isso não muda com eleição. As pessoas não estão mais acreditando, e com razão. O grande vencedor nas últimas eleições foi o voto nulo, branco e abstenção. Até para sermos verdadeiros com a nossa proposta, nós que somos socialistas, queremos chamar uma rebelião para poder mudar o Estado do Rio. Fazer a revolução no país para que tudo atenda as necessidades verdadeiras dos trabalhadores.

Quais os projetos para a gestão do Maracanã?

Defendemos a reestatização. Isso tem a ver com a volta do povo pobre e negro para o Maracanã. Com a privatização do Maracanã, houve uma expulsão dos trabalhadores do estádio. É reestatizar, garantir o barateamento dos ingressos, a volta da "Geral", que acabaram.

E quanto ao Célio de Barros e Júlio Delamare?

Nossa proposta é revitalizá-los. Nas "jornadas de junho" (manifestações de junho de 2013) também se olhou a Escola Friedenreich, que é uma escola municipal e conseguiu manter. Isso foi fruto da luta! Queriam derrubar o Célio de Barros e Júlio Delamare e aquela luta garantiu que eles ficassem de pé, mas estão sucateados.

Algo voltado para a Aldeia Maracanã?

A ideia é a revitalização do Museu do Índio, mas com índio. Porque tem o Museu do Índio em Botafogo, mas não tem índio (risos). A Aldeia Maracanã é uma proposta de revitalização com diversos povos indígenas. O Cacique Guajajara fez ali uma resistência. Ideia é fazer os povos indígenas do Rio participarem disso. O Sérgio Cabral (ex-governador do Rio), à época, dizia que no Rio não tinha índio, uma declaração completamente racista.


No início, não havia a previsão de que o Estado assumisse a gestão das arenas do legado da Rio-2016, mas, de alguma forma, há algum projeto de se envolver?

Os jovens trabalhadores gostam de esporte. O problema é que toda política de esporte e lazer, em uma sociedade capitalista, não está voltada para os trabalhadores, está voltada para os interesses mercadológicos. Coerente com a minha primeira resposta, (proposta) é colocar todo o esporte e lazer, todos os recursos desses estádios, para que os trabalhadores e os filhos possam praticar esportes e com finalidades educativas. Pode fazer campeonatos escolares nestes lugares, incentivar o esporte a partir das escolas, formação de talentos a partir da educação. Hoje em dia, está sendo a partir do mercado. Meia dúzia de empresários que não se importam com essa formação básica dos atletas, pelo contrário, se interessam pelos resultados que deem uma boa imagem para o clube e empresa. A questão do fomento ao esporte e incentivo ao lazer, dar acesso para os trabalhadores, fica completamente de lado. E essa foi uma grande promessa com as Olimpíadas (legado para a população).

Há algum projeto específico em relação ao Gepe (Grupamento Especial de Policiamento em Estádio)?

Violência é estrutural. Da mesma maneira que pensamos a sociedade como um todo, é o Gepe. Violência no esporte é fruto de uma violência social que se vê acontecer. Muitas vezes, a violência nas torcidas organizadas é fomentada pelos próprio dirigentes. O Pelé, quando esteve à frente, denunciou muito esse processo (Pelé foi ministro do esporte entre 1995 e 1998). Tem de fazer uma livre organização das torcidas. A melhor forma de se trabalhar é envolvendo essas torcidas no processo de administração do esporte também. E ter códigos de relação entre si. Não dá para tratar as torcidas como se fossem um bando de bandidos em especial.

Na questão da polícia, defendemos a desmilitarização para que possam ter direito à sindicalização, destruir essa hierarquia, possam ser eleitos para resolver algumas questões. E se os membros da torcida tiverem emprego, educação, uma forma de socialização, se sentirem úteis, decidindo sobre o processo de organização... Ultimamente, isso fica restrito aos presidentes dos clubes. Acho que é por aí que podemos resolver algumas questões.

E em relação aos projetos socioesportivos junto à Suderj, o que se é imaginado?

Estão acontecendo alguns eventos, principalmente na Vila Olímpica da Maré. Agora, qual é o problema que temos visto? A redução de verbas, materiais, condição para que se possa trabalhar. Por exemplo, nas escolas públicas, muitos professores não têm nem bola para trabalhar. Tem de haver uma parceria com a educação de modo geral, para que seja feita essa interação da educação com o esporte. Separar por completo não é algo bom.

A Secretaria tem alguns projetos em parceria com os grandes clubes. Como enxerga isso?

Tem de fomentar. Vou dar um exemplo de São Gonçalo: é um município onde tem, majoritariamente, negros e se vê que quase não tem clube. Temos de incentivar. Clube é dedicado ao lazer e esporte. As pessoas acham que o trabalhador não tem direito a lazer. Quem gosta de caminhar, ter orientação, quem gosta de jogar tênis, ter orientação, jogar vôlei, nadar... Tem de ter acesso a isso. É o esporte e lazer a serviço dos trabalhadores.

Em maio, foi criado o Conselho Estadual do Futebol Masculino e Feminino do Rio de Janeiro (Conefut-RJ). Há algo visando esse conselho?

Defendo um Conselho Popular de Futebol e de esportes, de um modo geral. Nossa proposta é governar com conceitos populares, inclusive, nessa área de esporte e lazer. Com representantes de técnicos, esportistas, pessoas que vivem do esporte nas diferentes regiões. Um conselho meramente fiscalizador, que não tem acesso às verbas, não administra as verbas, vira uma enganação.

A Secretaria tem parcerias com outras Secretarias que não estão ligadas diretamente ao esporte, como a a com o Novo Degase e o programa Novo Plano Juventude Viva. Como enxerga o papel do esporte como oportunidade de uma melhora de vida?

Penso em Conselho Popular de Esporte, em algo formado por trabalhadores, pessoas que realmente interagem com o esporte, vivenciem o esporte, têm esse compromisso de levar o esporte para a população, que é uma continuidade de uma tarefa educativa. Levar o lazer para a população.

Mas, para isso, tem de ter verba e democracia. As pessoas têm de poder decidir. Incentivar para menores infratores, mas tem de rever a própria estrutura do Degase. Tem de ter uma quantidade grande de psicólogos, professores, assistentes sociais. Geralmente, em relação ao menor infrator, é um família que foi destruída, que foi toda desestruturada. Há questões de maus tratos, não dá para tratar o esporte para maquiar problemas estruturais da sociedade.

Bate-bola com a candidata Dayse Oliveira: 

Pratica ou praticou algum esporte?

Pratico natação

Ídolo no esporte
Muhammad Ali e os atletas do atletismo que fizeram o sinal dos Panteras Negras na Olimpíada, inclusive o companheiro branco, que sabia e não dedurou. (Tommie Smith, medalha de ouro, e John Carlos, de bronze, nos 200m livres na Olimpíada de 1968, no México. O australiano Peter Norma ficou com a prata). Os três foram altamente perseguidos e Ali sempre denunciou muita coisa da segregação racial

Lembrança com esporte
A Seleção de 82 era uma Seleção que dava gosto de assistir. Não ganhou a Copa, mas nos deu muitas alegrias. Passei a gostar de futebol por causa desse time.

Time de coração
Vasco da Gama

Quem é:
Nome completo:
Dayse Oliveira Gomes (PSTU)
Vice: Pedro Vilas-Bôas (PSTU)
Data de nascimento: 31/05/1966
Coligação: PSTU - Partido isolado
Ocupação: Professora de Ensino Médio
Valor em bens declarados: Nenhum bem cadastrado


*Nesta sexta-feira, acompanhe a entrevista com o candidato Eduardo Paes, do DEM

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