Luiz Fernando Gomes: 'Ecos da Libertadores'
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Luiz Fernando Gomes: 'Ecos da Libertadores'

Palmeiras x Santos
Palmeiras bateu o Santos em primeiro jogo após eliminação na Libertadores (Foto: Eduardo Carmim/Photo Premium)
Luiz Fernando Gomes - 06/11/2018 - 07:00
São Paulo (SP)
Palmeiras e Grêmio afastaram o fantasma, viraram a página da eliminação na Libertadores, mudaram o foco para o Brasileirão e reagiram com vitórias convincentes no final de semana. O Verde paulistano praticamente colocou a mão na taça ao abrir cinco pontos de vantagem sobre o Internacional, beneficiado por mais um empate do Flamengo. Já o tricolor gaúcho entrou de vez na briga por uma vaga direta na Liberta de 2019.

Para as duas equipes tem sido um ano difícil, com uma absurda sobrecarga de jogos. Em sua coluna deste domingo na Folha de S. Paulo, o articulista Paulo Vinicius Coelho lembrou que, até os jogos de volta, nas semifinais do meio da semana passada, o time paulista já havia disputado 67 partidas oficiais em 2018 e o Grêmio 64. Já os adversários jogaram muito menos, 42 vezes o River Plate e 41 vezes o Boca Juniors.

Essa diferença é relevante. Significa, como apontou PVC, uma que os brasileiros jogaram uma média de oito jogos por mês - o que não acontece em nenhum outro país do mundo civilizado da bola - o que ajuda a explicar, ao menos em parte, as dificuldades que tiveram na fase final de uma competição pegada e de altíssima temperatura como é a Libertadores da América.

No esdrúxulo calendário do futebol brasileiro é assim que funciona: ser bom, disputar títulos é uma punição. Jogar toda quarta e todo domingo representa menos tempo para treinar, maior desgaste físico do elenco com aumento de contusões e afastamentos. O recurso frequentemente utilizado por treinadores, e que divide opiniões contra e a favor, é fazer uma opção entre um ou outro torneio, definir prioridades lançando mão de times mistos ou mesmo inteiramente reservas em jogos importantes mas menos decisivos. E isso nem sempre dá certo.

Os argentinos, assim como os colombianos ou os chilenos também têm seus campeonatos nacionais correndo em paralelo às competições continentais, também disputam as copas de mata-mata em seus países. De onde vem, então, tamanha diferença no número de jogos disputados? A resposta é clara e nem é preciso pensar muito: os famigerados estaduais que, em troca de quase nada, para agradar a cartolagem das federações, consomem energias, gastam as datas disponíveis, reduzem o tempo de pré-temporada - que na Argentina não tem sido menor do que 30 dias - para menos de 20 dias em alguns casos por aqui. Não há quem aguente.

Diante de todo este contexto, o que se viu na vitória do Grêmio sobre o Galo mineiro em pleno Horto e, principalmente, no eletrizante clássico paulista do Allianz Parque, tem um peso ainda maior. À superação psicológica, juntando os cacos das derrotas, somou-se a quebra de todos os limites físicos que a reta final de uma temporada desumana como essa impõe aos jogadores dos dois times. E de alguns de seus concorrentes diretos.

Seria simplista atribuir-se ao calendário jabuticaba que afunda e desgasta nosso futebol a responsabilidade única - ou a principal - dos sucessivos fracassos brasileiros nos últimos anos na Libertadores – a conquista do Grêmio foi uma exceção, ano passado, depois de três anos em que sequer chegamos à decisão do torneio, dominado por argentinos e colombianos. Mas é, sem dúvida alguma, um fator importante a ser considerado.

Há coisas que não podemos mudar. Essa, com certeza, não é uma delas. Basta restabelecer o bom senso e ter vontade de fazê-lo. Afinal, nossos clubes têm mais investimentos que os deles, revelamos mais talentos e trazemos dos outros países da América do Sul os melhores jogadores - ao menos aqueles que a Europa não leva. Passar pelo que passamos, portanto, não faz o menor sentido. Ter a hegemonia do futebol latino, sempre, não é mais do que nossa obrigação.

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