E(L!)eições 2018 - Alvaro Dias: 'O legado já está, em parte, perdido'
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E(L!)eições 2018 - Alvaro Dias: 'O legado já está, em parte, perdido'

Álvaro Dias, candidato à Presidência pelo PODEMOS
Alvaro Dias é o candidato à Presidência pelo partido Podemos (Foto: Divulgação/Cadu Gomes)
Bárbara Mendonça, Jonas Moura e Vinícius Faustini - 24/09/2018 - 07:00
Rio de Janeiro (RJ)
Revisão nos modelos de financiamento, tolerância zero à corrupção (tanto no governo, quanto na CBF) e prioridades direcionadas a jovens atletas. Esses são alguns dos pilares defendidos por Alvaro Dias, candidato à Presidência do Brasil pelo Podemos, quando se trata do desenvolvimento do esporte no país.

O atual senador do Paraná ainda vê o legado da Copa do Mundo de 2014 como parcialmente perdido e propõe um estudo de rentabilidade social para cada grupo de instalações, que determinará como os espaços serão utilizados.

O LANCE! inicia nesta segunda-feira uma série de entrevistas com os 13 candidatos à Presidência do Brasil. Foram feitas dez perguntas - iguais para todos - a respeito de planos de desenvolvimento e futuro do esporte no país. A publicação será feita em ordem alfabética. Até o fechamento desta matéria, os candidatos Cabo Daciolo (Patriota) e Ciro Gomes (PDT) não responderam aos nossos questionamentos. Portanto, nesta terça-feira, mostraremos o que o candidato Fernando Haddad (PT) tem a dizer sobre o tema.

LANCE!: Quais são os seus planos para desenvolver o esporte no Brasil, tanto de base quanto de alto rendimento?
Alvaro Dias: O desenvolvimento do esporte brasileiro exige ações diversificadas. O governo tem papel distinto do setor privado. Nossa proposta é abrangente e atende desde o fomento das associações de esporte e cultura até o aperfeiçoamento das leis de incentivo ao esporte, bem como a participação integrada de bancos públicos, como o BNDES, Banco do Brasil e Caixa, para o incentivo aos nossos atletas, construção e preservação de áreas de treino. O governo será seletivo, como fomos no BNDES, quando decidimos apoiar a canoagem com resultados já visíveis com a vitória do Isaquias Queiroz (três vezes medalhista na Rio-2016, com duas pratas e um bronze).

A edição da Medida Provisória 846 assegurou aumento dos recursos das loterias para o esporte após uma grande mobilização do setor, insatisfeito com os cortes que a MP 841 causaria, devido ao plano do governo federal de priorizar a segurança pública. Se eleito, pretende mexer na distribuição dessas verbas destinadas ao esporte? Se sim, de que formas?
O Plano de Metas contempla um Orçamento Base Zero, reformulação da Emenda 95, simplificação tributária e uma revisão completa dos gastos, investimentos e leis de incentivo que auxiliam os diversos setores da sociedade. Com esse gatilho prioritário, já veremos a transformação financeira acontecer e poderemos pensar as particularidades de cada área. O esporte tem pressa nesta mudança, que abrirá um espaço no orçamento e, assim, ele sofrerá menos com as decisões de priorizar uma área em detrimento dele.

Em tempos de recessão econômica, como é possível evitar que o país caia em um declínio esportivo? Pretende manter o padrão brasileiro atual de investimentos no esporte?
​Manter só, não. Vamos melhorar e acelerar. O incentivo ao esporte é essencial para o bom andamento de outras áreas prioritárias, como saúde, segurança, educação e emprego, principalmente dos jovens em situação vulnerável. São fatores interligados.

Permitir o declínio esportivo é negligenciar a capacidade de competir dos nossos atletas e tirar dos nossos jovens a perspectiva de um amanhã melhor. Após as revisões orçamentárias já citadas, vamos ampliar o investimento na área a partir de novos modelos de financiamento, desde o aprimoramento da Lei de Incentivo ao Esporte envolvendo empresas privadas até um trabalho em consonância entre BNDES, Caixa e Banco do Brasil.

A CBF esteve envolvida nos últimos anos em uma série de escândalos de gestão. Ex-dirigentes já foram banidos do futebol e até presos. Que avaliação faz da atual diretoria? O governo deve intervir na gestão do futebol e da entidade? Se sim, de que forma?
No governo Álvaro Dias/Paulo Rabello, nenhuma corrupção será tolerada, aconteça ela no Congresso ou na CBF. Respeitamos a etapa de independência da eleição e da gestão do órgão, que é privado, mas tem missão pública. Fortaleceremos o Poder Judiciário desde a investigação até a execução das penas. Garantimos o fim da impunidade.

O que acha da atuação do Ministério do Esporte? Pretende manter o investimento em planos de incentivo direto aos atletas, como o Bolsa Atleta?
Todos os projetos que contemplam um incentivo ou financiamento de determinado setor serão revisados. Mostrando o sucesso da iniciativa, esta será não apenas mantida como reforçada. Nos casos em que houver algum tipo de desperdício ou baixo retorno do investimento, o modelo de suporte será substituído. O que podemos garantir é que o atleta brasileiro não ficará
desassistido, pelo contrário.

Em um eventual governo seu, o Ministério do Esporte ficará a cargo de uma pessoa com forte conhecimento sobre o assunto ou utilizada em barganha?
Todos os Ministérios serão ocupados por profissionais de destaque técnico, conhecimento e experiência na área que influenciarão.


O governo federal é responsável pela gestão de boa parte das instalações utilizadas nos Jogos Rio-2016, por meio da Autoridade de Governança do Legado Olímpico (AGLO). Como pretende administrá-las e que medidas tomará para que a população e os atletas do país usufruam do legado do megaevento? A AGLO será mantida caso seja eleito?
A autoridade deve mostrar que exerce a função para qual foi estabelecida. Haverá um estudo de rentabilidade social para cada grupo de instalações que determinará como o espaço será utilizado.

Quais são seus planos para evitar que o legado da Copa do Mundo de 2014 seja abandonado?
O legado de 2014 já está, em parte, perdido. Mas vale o modelo de análise de rentabilidade social citado acima.

O governo brasileiro vem "socorrendo" clubes financeiramente em medidas como o Profut. O que acha do programa? O seu governo dará suporte aos clubes do país? De que formas?
O governo deve priorizar as atividades esportistas populares e os jovens atletas.

A partir de 2019, clubes que não tiverem um plantel de futebol feminino não poderão disputar a Libertadores. Acha que essa medida é um incentivo eficaz para o desenvolvimento da modalidade no país? Em um eventual governo seu, os esportes olímpicos e o futebol feminino terão alguma atenção?
Sim, o compromisso da nossa gestão com as mulheres inclui o incentivo ao esporte feminino por meio de investimento, campanhas de incentivo à mulher no esporte e pelo reconhecimento das atletas.

QUEM É ELE
Nome completo: Alvaro Fernandes Dias (Podemos)
Nascimento: 7/12/1944 - Quatá (SP)
Vice: Paulo Rabello (PSC)
Coligação: Mudança de Verdade (Podemos, PRP, PSC e PTC)
Ocupação declarada: Senador da República pelo Paraná
Valor em bens declarados: R$ 2.889.933,32

NO ESPORTE
Time de coração:
Corinthians
Ídolo no esporte: Pelé


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