Além do título da Champions, Pochettino e Klopp têm outro objetivo em comum: acabar com rótulos
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Além do título da Champions, Pochettino e Klopp têm outro objetivo em comum: acabar com rótulos

Montagem Mauricio Pochettino x Jurgen Klopp
JEJUM E AZAR: Técnicos tentam se livrar de alcunhas com o título da Champions (Arte: Marina Cardoso/Lance!)
João Vítor Castanheira - 01/06/2019 - 12:43
Madrid (ESP)
De vermelho, um técnico que chegou a duas finais de Liga dos Campeões na carreira, mas nunca saiu campeão. De branco, um comandante respeitado no mundo do futebol, mas que em 10 anos como treinador, nunca venceu um título. A decisão deste sábado vale, para o Liverpool, o reencontro com a conquista após 15 anos, e para o Tottenham, a primeira taça europeia de sua história. Mais do que o título europeu, porém, o confronto no Wanda Metropolitano, em Madrid, vale, para Jürgen Klopp e Mauricio Pochettino, o rompimento com estigmas que teimam ao seguir dois grandes profissionais. 


PARA FUGIR DA TRAVE
O alemão vai para sua terceira final de Champions League, neste sábado. Na temporada 2012/2013, com o jovem e valente time do Borussia Dortmund, o técnico foi derrotado por 2 a 1 no duelo germânico contra o Bayern de Munique, em Wembley, na Inglaterra. Apesar do menor favoritismo auri-negro na ocasião, o resultado foi doloroso. 

Isto porque, após sair atrás no placar após o gol de Mandzukić, para os Bávaros, a equipe comandada por Klopp arrancou o empate de pênalti, com Gündogan, e só aos 44 do segundo tempo, levou o golpe fatal, proferido por Arjen Robben - que recentemente, anunciou sua saída do Bayern. 


Final entre Bayern x Borussia Dortmund (2012/13)
Robben comemora o gol que decidiu a Champions de 2012/2013 (Foto: Divulgação)
No ano passado, veio a segunda chance para Klopp Já à frente do Liverpool. Diante do poderoso Real Madrid de Cristiano Ronaldo e Zidane, o treinador chegou à final da Liga novamente com status de "zebra". Mas dessa vez, o que se viu foi um massacre merengue construído sobre as bases da insegurança do goleiro Karius, dono da meta dos Reds na oportunidade. 

Durante a decisão, o técnico teve ainda que lidar com a lesão de Salah, melhor jogador do Liverpool - e um dos melhores do mundo na última temporada - que foi substituído ainda no primeiro tempo. No fim, o clube espanhol venceu com tranquilidade por 3 a 1 e conquistou seu 13º título europeu. Mais uma vez, o chefe alemão chegou à decisão da Champions como azarão, e saiu como azarado. 

Karius - Real Madrid x Liverpool
Karius lamenta falhas da decisão contra o Real Madrid, em 2018
(Foto: Paul Ellis / AFP)
No banco londrino da final inglesa, neste sábado, falta de sorte também é um problema. Desde que chegou ao Tottenham, em 2014, Mauricio Pochettino bate na trave. Logo em sua primeira temporada, em janeiro de 2015, o argentino chegou com os Spurs à final da Copa da Liga Inglesa, contra o Chelsea, mas saiu derrotado - também de Wembley. 

Na temporada seguinte, os Lilywhites eram os principais concorrentes do Leicester na disputa pelo título do Campeonato Inglês. Mas o excesso de pontos perdidos em jogos contra rivais de maiores expressão separaram o clube do norte londrino de um saltar de patamar nesta década. 

Liverpool x Tottenham
Nos últimos dois duelos entre as equipes, o Liverpool saiu vencedor
(Foto: Divulgação/Twitter Liverpool)
PARA SAIR DA FILA
As duas ocasiões foram as mais próximas que Mauricio Pochettino teve de colocar suas mãos em uma taça de campeão como treinador. No banco de reservas, o argentino vai repetindo a tônica que teve como jogador: qualidade que não acompanha conquistas. Durante a carreira de atleta, de 1989 a 2006, que incluiu 20 jogos pela Seleção Argentina, as principais foram o Campeonato Argentino, com o Newell´s Old Boys, em 1991, e duas Copas do Rei com o Espanyol, em 2000 e 2006. 

Foi pelo clube catalão, inclusive, que Pochettino estreou como técnico. No comando da equipe alviceleste, ele conseguiu fazer boas campanhas de meio de tabela, sem risco de rebaixamento, e começou orquestrar o futebol com a sua assinatura. O 4-2-3-1, a intensidade de jogo, a marcação alta e a grande utilização das categorias de base seriam vistos também no Southampton, que abriu as portas para "Poche" na Premier League. 

Até hoje, porém, influenciado pelo "tamanho" das equipes em que passou até assumir um Tottenham em ascensão, o "hermano", natural da cidade de Murphy, é mais marcado por elogios do que títulos conquistados. Na final da Champions League, neste sábado, o comandante de 47 anos tem a chance de sair da fila em grande estilo e se afirmar no cenário mundial. 

E MAIS:
ESTILO AFINADO....
Durante a campanha até a final da Liga dos Campeões e a corrida histórica pelo título do Campeonato Inglês contra o Manchester City, em que os Reds terminaram na vice-liderança com incríveis 97 pontos, o esquema de Jürgen Klopp, apesar de muito efetivo, teve poucas mudanças. 

No duelo de hoje, de acordo com as prévias da UEFA e do pré-jogo do LANCE!, o Liverpool deve ter, mais uma vez, Mané, Firmino e Salah formando o trio de ataque. Neste cenário, a unica variação possível fica por conta do do camisa 9 brasileiro.

O alagoano pode atuar tanto como um centroavante móvel, empurrando o companheiro egípcio para a ponta-direita, quanto como um ponta de lança, atrás de um Salah mais centralizado, comandando o ataque. O que não muda é o futebol 'rock n' roll' do time da cidade dos Beattles, com grande intensidade na marcação da saída de bola adversária, além da liberdade para seus jogadores criarem no terço final do campo. 

...CONTRA IMPREVISIBILIDADE
O Tottenham, por sua vez, tem sido uma caixinha de surpresas. Até pela falta de contratações na última janela e o alto número de lesões durante a temporada, Pochettino fez do time titular dos Spurs o seu laboratório. Se antes era sinônimo de 4-2-3-1, as improvisações necessárias fizeram "Poche" se aventurar em esquemas com três zagueiros, duplas de atacantes, e até os dois ao mesmo tempo, como no time o que iniciou o jogo da ida, na semi contra o Ajax.

KANE OU LUCAS?
O jogador que teve uma atuação histórica com três gols na partida que levou o clube à primeira decisão de Champions em sua história, ou a estrela absoluta da equipe nas últimas cinco temporadas, que vem de sete semanas de inatividade? Essa é a dúvida que o sul-americano tem para escalar o ataque que entra em campo no Wanda Metropolitano.

Com Winks, Dele Alli, Eriksen e Son praticamente insubstituíveis, é quase certo, portanto, que há só uma vaga para os dois. A intensidade no campo de defesa do adversário, marca do treinador desde os tempos de Espanyol, pende à favor do brasileiro Lucas Moura. 

A partida entre Tottenham e Liverpool está marcada para às 16h (de Brasília), e terá transmissão em Tempo Real do LANCE!.

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