Sem espaço em 2018, Ronaldo vive redenção e vira opção de confiança no Flamengo em 2019
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Sem espaço em 2018, Ronaldo vive redenção e vira opção de confiança no Flamengo em 2019

Flamengo - Ronaldo
Ronaldo em ação durante partida contra o São Paulo, no Morumbi (Alexandre Vidal / Flamengo)
Victor Mendes - 19/06/2019 - 08:00
Rio de Janeiro
25 de janeiro de 2016. Pacaembu, São Paulo. Final da Copa São Paulo de Futebol Junior. O Flamengo, com uma geração considerada das mais talentosas do clube no século, enfrentava o Corinthians. Era 462º aniversário da capital paulista, e a festa era corintiana. O time abriu 2 a 0, contava com o apoio maciço da torcedores e parecia próximo da taça. Só parecia. O Rubro-Negro tirou forças de onde não tinha mais e buscou o empate em cinco minutos. Com o 2 a 2, a decisão iria para os pênaltis. E lá brilhou o goleiro Thiago, garantindo o troféu à equipe treinada por Zé Ricardo.

No elenco, nomes conhecidos atualmente pelo aficionados: Léo Duarte, Matheus Sávio, Felipe Vizeu... e Ronaldo. Para muitos, o volante, atual camisa 16 do profissional, foi o grande craque daquela edição da Copinha, mesmo com os badalados nomes. Não à toa, até hoje o carinho de uma torcida que naturalmente nutre simpatia por craques da base (ainda mais no clube do slogan "Craque, o Flamengo faz em casa") é grande. Aos 22 anos, o natural de Itu curte os dias de recesso devido à pausa para Copa América. Ele teve tempo de atender a reportagem do LANCE! por telefone para um rápido bate-papo. Garante que está recarregando as energias para a continuidade derradeira da temporada e pontua a importância da folga para "ajustar detalhes coletivos".

- É preciso desligar um pouco pra recarregar as energias. Isso me fez muito bem e acredito que nosso calendário precisaria disso todos os anos - disse, sob risos.



- Esta oportunidade de preparação antes da retomada é ainda melhor, pois muitas vezes não temos o tempo suficiente para ajustarmos detalhes coletivos e individuais justamente por causa do nosso calendário. Foi bom pra dar uma esfriada na cabeça e voltar com tudo para a sequência da temporada - afirmou

Ronaldo chegou à base flamenguista com 15 anos. Oriundo das categorias inferiores do Paulista, teve uma evolução gradativa e destacável até chegar ao profissional. Passou pelo sub-15, sub-17 e sub-20, sempre conquistando elogios. Apesar do título da Copinha em 2016, a estreia no time A só veio a acontecer um ano depois, no Campeonato Carioca de 2017, numa partida contra o Volta Redonda. Depois, jogou mais 17 minutos num clássico contra o Vasco e mais 90 contra a Ponte Preta, pela Copa do Brasil. E só.

Sem espaço com Zé Ricardo, foi emprestado ao Atlético-GO para a disputa do Brasileiro. Na volta do empréstimo, no entanto, não conseguiu cavar ua vaga no plantel: fez somente quatro partidas em 2018, não entrando em campo nenhuma vez no Brasileirão, por exemplo. O atual ano seria de volta por cima: era agora ou nunca para Ronaldo.

Ronaldo - Flamengo
Ronaldo antes do clássico contra o Vasco no Carioca (Alexandre Vidal / Flamengo)
NÚMEROS POSITIVOS E EXPECTATIVA COM JORGE JESUS
Como Abel Braga, no Campeonato Carioca, rodou muitas vezes o time, Ronaldo aproveitou para mostrar seu potencial. E a prova de que Ronaldo conseguiu dar a volta por cima em 2019 está nos números. Segundo dados do Footstats, o jogador tem uma eficácia de 91% nos passes e uma média acima de 80% de acerto por jogo. No Campeonato Carioca, foi o terceiro em desarmes. São 188 minutos disputados na competição nacional. Pouco, é verdade, mas para quem quase foi emprestado ao Santos em janeiro, é o suficiente para causar uma boa impressão ao novo técnico, Jorge Jesus, exaltado pelo volante.

- É sempre bom conhecer novos profissionais no futebol e com certeza ele vai nos trazer novas experiências que vão enriquecer o elenco de maneira geral. Vamos trabalhar forte para fazer uma boa inter-temporada, pois teremos decisões importantes neste segundo semestre.

Confira a entrevista completa com Ronaldo:

A última cena do Abel Braga como treinador do Flamengo foi aquele abraço do grupo após a virada contra o CAP. Como vocês reagiram à saída dele?
Ele é um grande cara e sempre teve o nosso respeito e admiração. Precisamos respeitar as decisões do clube, pois servimos ao Flamengo. O clube é e sempre será maior que todos nós. No futebol a gente não procura pensar muito em algumas coisas, pois no dia seguinte já precisamos estar focados na preparação para o próximo confronto. Desejo muito sucesso a ele e o importante é ele se sentir bem onde estiver.

O Abel foi um cara que te deu sequência de jogo no Flamengo. Em uma entrevista no ano passado, você citou a qualidade do elenco rubro-negro para justificar a falta de oportunidades. Em 2019, você vem ganhando mais oportunidades do que nos anos anteriores. O que mudou?
Acredito que a cada temporada nós temos a oportunidade de colocar em prática o que vamos aprendendo com treinadores, colegas e todos os profissionais que trabalham pelo nosso melhor dentro do clube. Sinto que meu crescimento me proporcionou mais oportunidades neste ano e ainda tempos bastante futebol pra 2019. O Flamengo precisa de todos preparados e focados em nossos objetivos para a temporada. É nessa linha que faremos um grande segundo semestre, de muitas alegrias pro grupo e pro torcedor, se Deus quiser.

Você no início do ano seria emprestado ao Santos, como parte da negociação pelo Bruno Henrique, mas acabou ficando no Flamengo e fez um Campeonato Carioca destacável. Houve algum momento de incerteza, de você não saber se ficaria ou não no Flamengo?
Eu fico muito tranquilo com relação a isso, pois meus representantes é que cuidam dessa parte fora de campo. Meu foco é estar sempre preparado como profissional para entrar em campo e dar o meu melhor. Flamengo e Santos são dois gigantes do futebol brasileiro. Me sinto muito bem aqui e mantenho minhas convicções sobre meu trabalho e onde pretendo chegar como atleta profissional.


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