Marco Aurélio Cunha dispara sobre punição de Guerrero: 'É ridícula'
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Marco Aurélio Cunha dispara sobre punição de Guerrero: 'É ridícula'

Marco Aurélio Cunha (ex-superintendente do São Paulo) - vereador em 2012
Médico, Marcou Aurélio Cunha achou um absurdo a suspensão de Paolo Guerrero (Foto: Divulgação)
Guilherme Abrahão - 16/05/2018 - 10:00
Rio de Janeiro (RJ)
Um dos médicos e dirigentes mais respeitados do futebol brasileiro, Marco Aurélio Cunha saiu em defesa do atacante Paolo Guerrero. O atual coordenador da Seleção Brasileira Feminina, o MAC, como é conhecido, considera um absurdo esse tipo de punição como a que foi dada pela Corte Arbitral do Esporte para o peruano. Com experiência no assunto no futebol brasileiro, Marco Aurélio acredita que essa sanção para um jogador de futebol é 'ridícula' e excluiu o cidadão em vez de o reeducar para não cometer o mesmos erros.

- A dopagem no futebol é ridícula. Nenhum jogador de futebol terá efeitos com estimulantes, no uso dessas drogas. A performance física é fundamental para jogar. Não será um estimulante que fará isso. São drogas sociais no futebol ou por falta de conhecimento. A única que contaria um pouco mais é o anabolizante, que é um doping preparado, que seria mais doloso - disparou em entrevista ao Lance!

Ao ser questionado sobre os ganhos esportivos que um atleta tem com o uso de entorpecentes - vale ressaltar que o exame de urina de Paolo Guerrero acusou a substância benzoilecgonina, principal metabólito da cocaína - MAC foi direto ao garantir que isso não ajuda, em especial um jogador de futebol.

- Pelo contrário, o mais interessante do futebol é que a maioria dos dopings são por desconhecimento de causa ou automedicação. É um jogo jogado com por 11 atletas, a participação dos atletas em campo não passa de um minuto. Se você for pensar a ação dele para ter vantagem é quase nenhuma, pode até atrapalhar. Em nenhum momento ele tirou aquilo como vantagem. Se estiver tomando remédio para depressão, que é sonífero, pode estar dopado - destacou.

Experiência para o dirigente e médico não faltam. Ele estava no Coritiba no início dos anos 90, quando estourou um dos primeiros casos de doping no Brasil, que ficou famoso: do ex-atacante Dinei. Para ele, o principal é tratar o ser humano como alguém que precisa de recuperação e não existir uma exclusão com foi feita com Guerrero.

- É severa esse tipo de punição e sou contra. O primeiro doping famoso foi do Dinei, comigo no Coritiba. Tudo o que se pode tentar recuperar é no trabalho. Você afastar o cara na atividade é um crime contra o atleta, ele fica depressivo, perde performance e fica longe do que sabe gosta de fazer. Se pudesse falar como legislador, eu daria um mês de pena moral. E depois ele teria que fazer uma coleta semanal. Faz sentido nenhum jogar o cara na lata de lixo. Qualquer educador ou psiquiatra sabe disso - analisou.

MAC LEMBRA DE CASO PARECIDO COM ZETTI

Dinei nunca fugiu de uma polêmica e nunca escondeu sua fama de 'bad boy'
Dinei caiu no doping por cocaína pelo Coritiba, com MAC de dirigente no Paraná (Reprodução)
Exemplos de uma situação parecida com a de Guerrero, Marco Aurélio Cunha tem aos montes para justificar a injustiça feita com o peruano, no seu modo de ver. Ele relembrou do goleiro Zetti, na época atuando pelo São Paulo e que também ingeriu um chá de coca por engano na Bolívia, quando atuava pela Seleção Brasileira, nas Eliminatórias.

- A substância é proibida, quando tem na urina, a suspensão pode ser de até quatro anos. A defesa vai dizer que foi um chá. Isso aconteceu com o Zetti, nas eliminatórias na Bolívia. Ele foi penalizado e depois absolvido. O que eles alegam que alguém receitou o chá, como foi no caso do Zetti, no antidoping veio o resultado - relembrou.

VANTAGENS EM ESPORTE DE AUTO-RENDIMENTO

Marco Aurélio Cunha também bateu na tecla de que esse tipo de dopagem no futebol não funciona como em esportes individuais ou de auto-rendimento, como atletismo, natação e tênis. Segundo ele, o ganho de uma atleta sozinho é muito maior do que o de quem joga de forma coletiva.

- As vantagens no esporte de auto-rendimento é mais para atletas individuais. No boxe para sentir menos pancadas. Alguns que inibem o batimento cardíaco. Os elementos que você coloca para considerar o doping, que tem as drogas mais elaboradas e tal. Esse já é o doping preparado - contou.

Por fim, o dirigente da Seleção Brasileira feminina fez questão de destacar mais uma vez sua revolta com a severa punição aplicada ao jogador, que já cumpriu seis meses e ficará mais oito longe dos gramados, totalizando 14 meses e o tirando da Copa do Mundo, pelo Peru.

- Acho uma pena muito rigorosa e injusta. Eles viram que consistência da substância não foi grande. Essas drogas sociais deveriam ser tratadas como dependência química e não como exclusão - disse, explicando em seguida:

- Esse metabólito, a cocaína é uma folha, desde a folha de coca tem o metabólito, a cocaína concentrada preparada em laboratório que é a de consumo social, então o que muda é a concentração. Quando se faz isso analisam a quantidade. Antes só valia a presença, e hoje já olham por outro métodos o que teria sido - concluiu.

Guerrero
Guerrero pegou mais oito meses de suspensão (Jeferson Guareze/AGIF)
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