Do 'acabou o dinheiro' a acertos milionários: Fla muda em 10 anos
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Do 'acabou o dinheiro' a acertos milionários: Fla muda em 10 anos

Rodrigo Caio, Gabi Gol, Arrascaeta
Reforços do Flamengo para a temporada 2019 (Foto: Alexandre Vidal / Flamengo e Marcelo Costes / Flamengo)
Alexandre Araújo e Matheus Dantas - 16/01/2019 - 06:21
Rio de Janeiro (RJ)

Era 24 de janeiro de 2009 quando Marcio Braga, então presidente do Flamengo, proferiu uma frase durante uma coletiva de imprensa que seria lembrada por anos:"Acabou o dinheiro". Apesar de o contexto, à época, não ser relacionado ao futebol, a sentença mostrava a realidade financeira pela qual passava o Rubro-Negro. Quase uma década depois, o Flamengo se torna protagonista na janela de transferência, com contratos milionários, e, com o acerto com o meia Arrascaeta, ex-Cruzeiro, protagoniza a maior transação entre clubes brasileiros.

Até o momento, a diretoria do clube da Gávea anunciou a chegada de Rodrigo Caio, em negociação de R$ 22,2 milhões, Arrascaeta, em tratativa de R$ 55,3 milhões, e Gabigol, por empréstimo da Inter de Milão, da Itália, mas com salário em torno de R$ 1,2 milhão.

A cúpula do departamento de futebol ainda está no mercado atrás de um zagueiro, um lateral-direito e um atacante que atue pelos lados - houve conversas avançadas por Bruno Henrique, em negociação de cerca de R$ 25 milhões, mas, após resistência do Santos, o Fla desistiu.

Atualmente, o orçamento do Flamengo para contratações é aproximadamente R$ 100 milhões anuais, mas, vale lembrar, os pagamentos realizados nestas transferências não são à vista, o que permite um planejamento para diluir os montantes e não estourar o previsto.

Marcio Braga em entrevista coletiva em 2009
Marcio Braga em entrevista em 2009 (Reprodução YouTube)
Marcio Braga, em 2009, referia-se a contratos com as estrelas da ginástica Diego Hypólito, Daniele Hypólito e Jade Barbosa, que tinham se encerrado em dezembro anterior e não seriam renovados por conta de questão financeiras.

- O que acontece é o seguinte: acabou o dinheiro. Em razão da crise que abala o mundo, não há condições de gerir unidades fora do futebol - disse o então mandatário.

A frase, porém, ficou famosa e passou a ser usada de forma jocosa pelos rivais quando o assunto era a saúde financeira do Flamengo. Agora, porém, com a 'casa arrumada', o 'meme' (imagens e vídeos que viralizam na internet) é outro. Após encaminhar os acertos com Gabigol e Arrascaeta, um vídeo em que aparecem montagens com os rostos do presidente Rodolfo Landim e do vice-presidente Marcos Braz e o funk 'Firma milipnária' ganhou as redes. Parte da letra diz: 'Pra que guardar dinheiro, se eu morrer não levo nada / Por isso que gasto mesmo que a minha firma é milionária'.

O ex-presidente ressalta, porém, que ali se iniciou um processo de remodelação da gestão, que tem reflexos no patamar financeiro que o clube atingiu hoje.

- Agora, está sobrando (risos). Foi naquela época que iniciamos um processo de remodelação da entrada de recursos. Fui a Brasília para pegarmos financiamentos para os esportes olímpicos com o Comitê Olímpico (COB) e Loteria. Naquele momento, quem financiava os esportes olímpicos do Flamengo eram os recursos do futebol. Não tinha outra fonte. A partir desta mudança, começou a entrar dinheiro e o Flamengo pode ir atrás da independência financeira. Os recursos aumentaram consideravelmente - ressalta ele, apontando que, após esse processo, o futebol pôde contar com valores maiores para o departamento de futebol.

Daquela entrevista de Marcio Braga até hoje, o Flamengo teve três presidentes: Patricia Amorim (2010 - 2012), Eduardo Bandeira de Mello (2013 - 2018) e, agora, em início de gestão, Rodolfo Landim.

Apesar de as negociações que estão animando a torcida estarem acontecendo nesta janela do começo de 2019, a situação pode ser considerada uma herança da gestão de Bandeira de Mello - no primeiro mandato, entre 2013 e 2015, alguns nomes da atual cúpula faziam parte da diretoria, como o próprio Landim.

À época, quando a Chapa Azul bateu a então presidente Patricia Amorim nas urnas, a austeridade financeira foi uma das bandeiras da campanha.

Vale lembrar que, em 2009, quem terminou o ano como presidente foi Delair Dumbrosck, após Marcio Braga pedir afastamento por problemas de saúde. À época, ele também ficou afastado por um período por ter sido punido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) ao julgar como "brutalidade" a perda de pontos do Vasco no decorrer da Taça Guanabara. 

E MAIS:
Confiança em Landim

Marcio Braga, que durante o processo eleitoral apoiou a Chapa Roxa, encabeçada por Rodolfo Landim, demonstra confiança no trabalho que será realizado pela nova diretoria.

- Está indo bem, está contratando. A gestão acabou de começar, ainda é cedo, mas acho que vai dar certo. O grupo que está lá é muito bom, tem pessoas muito competentes - afirmou.


Marcio Braga apoiou Landim na eleição do Flamengo
Marcio Braga apoiou Landim na eleição do Fla (Alexandre Araújo)
Mudança de patamar

Em entrevista ao LANCE! concedida em outubro do ano passado, Eduardo Bandeira de Mello apontou a contratação do atacante Guerrero (hoje no Internacional), em maio de 2015, como a sinalização de que o Flamengo estava mudando de patamar. Para o ex-presidente, naquele momento, o Rubro-Negro mostrava ao mercado que poderia fazer grandes contratações e manter os cofres em dia.

A transação do atacante peruano, que estava no Corinthians antes de ir para a Gávea, teve luvas de R$ 16 milhões e vencimentos mensais de R$ 650. Ao fim do contrato, a transação custou pouco mais de R$ 41 milhões.


Guerrero em sua apresentação pelo Flamengo
Guerrero durante apresentação (Flamengo)
De Guerrero até aqui....

Se para Bandeira de Mello, a contratação de Guerrero mudou o patamar do Flamengo, para a torcida foi o primeiro de alguns 'presentes' que vieram nos anos seguintes. Pouco mais de um ano depois do acerto com o atacante, foi a vez de o Rubro-Negro anunciar a chegada de Diego, que tinha passado 12 anos na Europa, onde vestiu camisas de grandes clubes como Juventus (ITA), Atlético de Madrid (ESP) e Fenerbahçe (TUR).

Já em 2017, o Flamengo acertou com o meia Everton Ribeiro, que havia sido bicampeão brasileiro pelo Cruzeiro (2013 e 2014) e estava no Al-Ahli, dos Emirados Árabes, e com o goleiro Diego Alves, que defendia o Valencia (ESP).

No ano passado, a então maior contratação da história do Flamengo: Vitinho, que estava no CSKA (RUS) e custou R$ 53,9 milhões. O recorde, porém, durou apenas seis meses: o investimento em Arrascaeta, ex-Cruzeiro, foi superior aos R$ 55 milhões e, com cláusulas de produtividade, poderá ultrapassar os R$ 70 milhões. Além dele, para a temporada 2019, chegaram Rodrigo Caio e Gabigol.

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