Dono da 23! Fagner conta 'loucuras', não prioriza Europa e vê Timão forte
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Dono da 23! Fagner conta 'loucuras', não prioriza Europa e vê Timão forte

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    Fagner em treino do Corinthians ANTONIO CICERO/PHOTOPRESS
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    Fagner em ação pelo Corinthians Bruno Ulivieri/ Raw-Image
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    Fagner em ação pelo Corinthians Daniel Augusto Jr
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    Fagner em ação pelo Corinthians Bruno Ulivieri/ Raw-Image
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    Fagner em ação pelo Corinthians Marco Galvão/Fotoarena
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    Fagner com o técnico Fábio Carille Marco Galvâo / Fotoarena
  •  Tatuagem Fagner
    Tatuagens de Fagner Guilherme Amaro
Guilherme Amaro - 09/02/2018 - 06:00
São Paulo (SP)
Em sua quinta temporada como titular da lateral direita do Corinthians, Fagner não pensa em abandonar o número 23 por algum outro, como o 2, normalmente utilizado pelo jogador da posição. O número que carrega atualmente às costas é uma espécie de amuleto e virou até tatuagem na panturrilha do jogador de 28 anos.

Outro número que Fagner tem tatuado é o 22, em referência a sua primeira convocação: dia 22 de agosto de 2016, quando Fagner utilizou a camisa 22 na Seleção Brasileira. Mas o 22 é par, do jeito que o lateral prefere. De ímpar, ele só gosta do 23, e não deixa nem a temperatura do ar condicionado em alguma temperatura ímpar.

Por conta dessa mania, o LANCE! separou 23 perguntas para Fagner. Em entrevista exclusiva de cerca de 30 minutos, o lateral disse que não tem como principal objetivo voltar ao futebol europeu e analisou a disputa na posição para a Copa do Mundo.

Tatuagem Fagner
Fagner tem os números 22 e 23 tatuados nas panturrilhas
Fagner também afirmou que o 2018 do Corinthians pode ser até melhor do que 2017, quando a equipe conquistou os títulos paulista e brasileiro. Nesta sexta-feira, às 19h, o Timão tem o sexto desafio oficial da temporada, contra o Santo André, no Bruno José Daniel, pelo Paulistão. Já a entrevista foi realizada após o treino da última quarta. Veja abaixo:

1 - Já pensou em mudar de número?
Não. Eu gosto, tenho tatuagem, tem todo um significado, não tem por que mudar o que está tendo certo. Tem o Beckham, o fato de eu ter feito meu primeiro gol com a 23, quando eu ainda era do PSV (HOL). Então são várias coisas que marcaram. (NR: Fagner gostava do Beckham e tinha o número 23 disponível no PSV. No segundo jogo no time holandês, ele marcou seu primeiro gol como profissional e não largou mais o número 23)

2 - Tem alguma superstição?
Tenho minhas loucuras (risos). Ar condicionado do carro só pode ficar em número par, o único ímpar que eu deixo é o 23. Volume da televisão também. O único ímpar é o 23. Se o ar ficar no 19, não deixo. É 18 ou 20 (risos). Maluco, né? É toc, sei lá, mania.

3 - Tem outra inspiração no esporte, além do Beckham?
No modo geral, sempre gostei do Beckham, tinha muita facilidade para bater na bola. Tive oportunidade de trabalhar com o Juninho Pernambucano no Vasco, e ele para mim foi um exemplo. Um cara que já tinha conquistado muitas coisas na carreira e era um exemplo para muitos meninos. Pude conviver com ele, vejo como exemplo.

4 - Ainda pensa em jogar na Europa?
Acredito que conforme vai passando os anos, você vai ficando mais velho, acho que um monte de coisas começam a influenciar para você tomar suas decisões. Estou muito bem aqui, minha família é daqui. Hoje, sinceramente, só se fosse alguma coisa muito absurda em termos de clube, carreira ou que mexesse com um desafio muito grande. Mas não é meu primeiro objetivo, estou muito feliz aqui, renovei meu contrato aqui (até o fim de 2021). (NR: na Europa, ele atuou pelo PSV e Wolfsburg).

5 - Qual seu primeiro objetivo?
Conquistar títulos aqui, fazer história no clube. Hoje o futebol é dinâmico, então é muito difícil ficar muito tempo em um clube. Hoje o Corinthians tem os exemplos do Danilo e do Cássio, e posso escrever minha história mais ou menos parecida. Estou indo para o quinto ano, agora é conquistar mais títulos para deixar meu nome marcado no clube.

6 - Por que é tão difícil achar um lateral-direito?
Na minha opinião, eu acho que é porque ninguém nasce falando "eu quero ser lateral". Todo mundo quer ser atacante. Daí os caras falam "esse aqui é grande, vai para zagueiro", "esse aqui vai para o meio", e o lateral é o que sobra (risos).

7 - Você virou lateral assim?
Foi. Queria ser atacante, daí faltava o lateral na época, eu fui treinando, treinando, treinando e fiquei. Mas não acho ruim, não (risos).

8 - Aqui tem o exemplo do Mantuan, que era volante. Tem falado com ele?
Acho que é uma coisa muito do atleta, uma vez ou outra quando pergunta. Ele é um menino bom, bem concentrado, tem uma qualidade tremenda. Esperamos que dê tudo certo, e ele consiga desempenhar bem o papel. Quando ele tem alguma dúvida, ele pergunta. Está sempre disposto a aprender.

9 - Acha que é uma tendência o volante virar lateral? Ano passado o Paulo Roberto foi lateral em alguns jogos.
Eu não digo que é uma tendência, mas acredito que a maioria dos volantes tem força para marcar e atacar, não tem mais aquele volante que não sabe jogar. Então essa adaptação é mais fácil por isso. Hoje em dia é difícil ter jogadores no meio de campo que não tenham qualidade para fazer mais de uma função. A tendência é que depois tirem esses rótulos de volante, lateral... Porque cada vez mais o jogador vai fazer mais de uma função.

10 - Acompanha bastante o futebol europeu?
Gosto de ver jogos grandes, como a Champions que vai ter Real Madrid contra o PSG nas oitavas de final. Jogo grande assim é legal de ver.

11 - Acompanha os concorrentes para a Copa do Mundo (Daniel Alves e Danilo)?
Sinceramente, não. Tem jogo de meio de semana e fim de semana. Eu não me privo de fazer alguma coisa para assistir a algum jogo. Se tiver que sair com minha mulher e meus filhos, eu vou sair. Até porque não temos muito tempo em casa. E quando estou concentrado procuro me desligar um pouco, focar em outras coisas que eu gosto para passar o tempo mais rápido.

12 - Quais as metas para 2018?
É estar bem, ajudar o Corinthians, tenho certeza de que estamos construindo um grupo forte, e conquistar títulos. A cada ano que passa gera uma expectativa, o ano passado fomos bem, e isso aumenta a expectativa.

13 - Mas e uma meta pessoal?
O principal é não lesionar, porque a pior coisa para o atleta é a lesão. E o resto é melhorar a cada dia dentro de campo para atingir o maior número de jogos possível.

14 - O que você faz para prevenir lesão?
Sou um cara chato, o pessoal até fica me zoando. Eu chego cedo e vou para o DM, fico uma hora, me cuido, faço massagem. Sei que preciso do meu corpo, então preciso me cuidar. Sempre que eu posso, faço alguma coisa. Tem massagem, às vezes no pós treino faço algo na academia, coisas assim.

15 - Para gols você não liga muito, né? Você já tinha falado isso durante o ano passado, que passou em branco (último gol foi em maio de 2016).
Ah, meu filho me cobra toda hora. Fica falando para eu chutar (risos). Mas a gente ganhar por 1 a 0 todo jogo, com gol de sei lá, do Balbuena, para mim está bom. Eu quero ganhar. Para mim, se der uma assistência ou um gol é a mesma coisa. Não sou aquele fominha. Procuro ver a melhor situação. Mas está na hora de fazer um golzinho, né?! (risos). Mas eu fico tranquilo. Se tiver que acontecer, vai acontecer. Melhor ganhar sem gol meu do que eu marcar e a gente perder.

16 - Acha que tem que priorizar a Libertadores?
É difícil falar em priorizar, porque sabemos que precisa de um grupo bom para conquistar títulos. Não são os 11 titulares que conquistam nada. Tudo vai como o campeonato te diz. Se estiver em uma semifinal, um jogo grande, e você precisa de uma vitória simples, por exemplo. Se pode em determinado jogo segurar um ou dois, ok. É que aqui no Brasil se fala muito, mas é segurar justamente para não ter uma lesão para o jogo importante.

17 - Mas o Grêmio no ano passado realmente priorizou e foi campeão.
Sim, mas e se não ganha? Então é uma cobrança, que se der certo, beleza. Mas se não der certo, vão falar "por que que largaram?". Tem que ver muito o jogo a jogo.

18 - É o ano mais importante da sua carreira, por ser de Copa do Mundo?
Cria uma expectativa, sabe que é Copa do Mundo, e eu já fui algumas vezes para a Seleção. Mas é aquilo que eu sempre falo: é uma expectativa e ponto. Não posso passar disso. Senão essa expectativa vira frustração de "por que eu não fui?", "o que eu deixei de fazer?". Então tem que estar bem aqui. Se estiver bem aqui e acontecer de não ir, é outra situação. Acho que todo ano é importante, nossa carreira é tão curta. Todo ano tem que buscar evolução.

19 - Vê o Corinthians mais forte ou mais fraco do que ano passado?
O clube se reforçou e manteve a base, que é o mais importante, já tem um conceito encaixado e traz peças para ir se ajustando. Pode ser mais forte que o ano passado, mas só o tempo vai dizer. Na prática vamos ter que confirmar.

20 - Acompanha outros times brasileiros? Quem está forte?
Tem muitos times que se reforçaram bastante. O Cruzeiro e o Palmeiras, que manteve bastante jogadores. Acho que esses dois são times fortes para o ano.

21 - Tem alguma tatuagem a mais com significado?
O meu braço esquerdo é mais a parte religiosa e da minha família. Tem a data de nascimento dos meus filhos, o nome deles e da minha esposa.

22 - Já se considera um ídolo?
É difícil a gente se achar alguma coisa, né. Eu tenho uma ligação muito grande com o clube, estou aqui desde os 9 anos, fiquei um tempo fora e já estou há cinco depois que voltei. Fiquei oito anos na base. Tenho muita identificação, mas isso vem muito do torcedor, o jeito que ele te trata. E eu fico feliz pelo carinho que recebo, é um reconhecimento de tudo que represento dentro de campo.

23 - Já falou com o (presidente) Andrés e com o (diretor) Duílio? O Andrés já conhecia quando ele foi superintendente em 2016?
O Duílio esteve em Novo Horizonte, se apresentou para os jogadores que não tinham trabalhado com ele ainda. O Andrés não tinha muito contato naquela época. Vamos esperar.

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