Copa Tática: Uruguai e a sua revolução dos meio-campistas
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Copa Tática: Uruguai e a sua revolução dos meio-campistas

  •  Uruguai
    Uruguai, de Suárez e Arrascaeta, é favorito no Grupo A AFP
  •  Uruguai x República Checa
    Uruguai em jogo contra a República Tcheca Foto: Divulgação/Seleção do Uruguai
  •  Arrascaeta - Uruguai
    Arrascaeta, meia do Cruzeiro, joga pelo Uruguai Divulgação
  •  Suárez - Chile x Uruguai
    Suárez em campo pelo Uruguai nas Eliminatórias Martin BERNETTI / AFP
  •  Cavani vibra com o gol do Uruguai. Triunfo sobre a Bolívia assegurou a vaga
    Cavani é outro jogador decisivo do ataque do Uruguai (Foto: PABLO PORCIUNCULA / AFP)
  •  Oscar Tabarez permanece no comando da seleção do Uruguai
    Oscar Tabarez vai para a terceira Copa seguida (Foto: DANIEL GARCIA / AFP)
Rafael Oliveira - 06/06/2018 - 07:50
Especial para o LANCE!
O Uruguai entra na Copa do Mundo com o status de favorito do grupo do país-sede. Suárez e Cavani seguem formando uma das melhores e mais temidas duplas de ataque do futebol de seleções, mas a grande novidade está no processo de reformulação do elenco. Após mais de dez anos de times extremamente competitivos pela solidez defensiva, Óscar Tabárez começa a promover uma interessante mudança de perfil. O LANCE! abre nesta quarta a série Copa Tática, com análises diárias das 32 seleções até 13 de junho - clique no fim do texto e veja também como jogam os outros três times do Grupo A: Rússia, Egito e Arábia Saudita.

A equipe uruguaia de 2018 tende a ser mais técnica, além de gostar mais da bola. Isso representa uma ruptura importante com aquele consolidado modelo de “saber sofrer” e esperar a dupla de ataque resolver lá na frente. O meio-campo sinaliza isso. Os dias de Arévalo, Gargano e Diego Pérez parecem ter ficado para trás. Bentancur (21), Nández (22), Torreira (22), Arrascaeta (24) e Vecino (26) são símbolos da transição. Federico Valverde, de 19 anos, ainda ficou fora da lista final, após uma temporada em que jogou pouco e em um Deportivo rebaixado na Espanha. Perdeu espaço justamente para Lucas Torreira, uma das sensações do último Campeonato Italiano, pela capacidade de iniciar a saída de bola com bons passes na frente da linha de defesa.

A ideia ainda é nova e a Copa do Mundo chega como teste para o modelo. Nos amistosos após o término das eliminatórias, Tabárez começou a testar um meio com Vecino e Bentancur. Nández parte da direita e Arrascaeta da esquerda, mas ambos tendem a buscar o centro. Com mais opções de passe por dentro, os laterais viram armas ofensivas nos corredores. Varela, em alta no Peñarol, se coloca como sucessor do experiente Maxi Pereira na direita, enquanto Laxalt (um ponta de origem) começa a ser trabalhado na esquerda, como alternativa a Gastón Silva, opção mais defensiva.

As entrevistas de Laxalt reforçam a possibilidade de atuar na primeira linha, já que expôs que a maior cobrança individual de Tabárez tem sido relativa ao seu comportamento defensivo. Caso opte por uma formação mais conservadora, o treinador pode trocar a dobradinha da esquerda por Martín Cáceres e Cristian Rodríguez, fechando mais a primeira linha e protegendo a segunda com um jogador de maior recomposição pelo lado.


Em outros anos, a postura do Uruguai era extremamente previsível, ainda que difícil de enfrentar. Contra qualquer adversário, estaria confortável sem a bola na maior parte do tempo. Com sua nova versão e o favoritismo no grupo, será interessante ver o time buscando maior protagonismo com a iniciativa. Caso precise de maior experiência e poder de marcação, Tabárez ainda poderá recorrer a Carlos Sánchez para fechar o lado direito, resgatando o 4-4-2 mais reativo que pode ser útil em determinados cenários. Com o corte de Gastón Ramírez, Urretaviscaya vira a alternativa mais ofensiva para as pontas. No ataque, Máxi Gómez e Stuani fizeram grande temporada na Espanha, mas a concorrência é pesada e limita as oportunidades. O Uruguai teve três dos sete maiores goleadores de La Liga 2017-18.


Diante da radical mudança de característica, algumas consequências ainda são novas e, portanto, desconhecidas. Qual será o impacto nas duas áreas do campo? Um ponto é se Suárez e Cavani terão maior e melhor suporte, possivelmente acionados de outra forma, com mais associação dos meias e menos campo para os contra-ataques. O outro é se a possível maior posse de bola significará um maior controle ou deixará a dupla Giménez-Godín mais exposta, partindo do princípio de que os laterais subirão com maior frequência e o bloco de marcação não ficará tão recuado como em outros tempos. As duas duplas seguem como os pilares para o sucesso uruguaio, mas a grande novidade para a Copa de 2018 está na transformação em toda a estrutura que liga os extremos do time.

Jogos no Grupo A
​15/6 - 9h - Egito x Uruguai
​20/6 - 12h - Uruguai x Arábia Saudita
​25/6 - 11h - Uruguai x Rússia

E MAIS:
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