Copa Tática: Inglaterra tem muitas ideias para pouco tempo
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Copa Tática: Inglaterra tem muitas ideias para pouco tempo

  •  Dele Alli - Inglaterra x Costa Rica
    Inglaterra em jogo contra a Costa Rica (Foto: Paul Ellis / AFP)
  •  Rashford, Alexander-Arnold e Henderson - Inglaterra x Costa Rica
    Rashford, Alexander-Arnold e Henderson  (Foto: Paul Ellis / AFP)
  •  Inglaterra x Costa Rica
    Inglaterra em jogo contra a Costa Rica (Foto: Divulgação)
  •  Harry Kane - Inglaterra
    Harry Kane, o artilheiro da Inglaterra (Foto: Paul Ellis / AFP)
  •  Inglaterra x Nigéria
    Inglaterra contra a Nigéria (Foto: BEN STANSALL / AFP)
  •  Southgate - Inglaterra
    Southgate comanda a Inglaterra (Foto: Glyn Kirk / AFP)
Rafael Oliveira - 12/06/2018 - 07:50
Especial para o LANCE!
Quando Gareth Southgate assumiu a seleção inglesa após o escândalo de Sam Allardyce, o país não sabia o que esperar. Menos de dois anos depois, o ex-zagueiro será o responsável por comandar o time na Copa do Mundo. Há muita coisa positiva acontecendo no futebol inglês. O ano de 2017 teve títulos dos mundiais sub-20 e sub-17, além do Europeu Sub-19. O país implementou mudanças na metodologia de formação e começa a colher frutos na base. O obstáculo da transição para a seleção principal representa outro nível de desafio, ainda não solucionado. O LANCE! publica nesta terça mais um capítulo da série Copa Tática, com análises diárias das 32 seleções até 13 de junho - clique no fim do texto e veja também como jogam os outros três times do Grupo G: Bélgica, Tunísia e Panamá.

Para 2018, Southgate não teve tanto tempo, mas apresenta ideias interessantes. Tenta uma mescla de diferentes aspectos da Premier League. Com uma espinha dorsal formada por jogadores de Tottenham, Liverpool e Man City, tenta um "mix" de Pochettino, Klopp e Guardiola.

O sistema com três zagueiros começou a ser testado em março de 2017. Aos poucos, as características foram mudando. Cahill e Smalling perderam espaço, com Stones se tornando o símbolo do defensor procurado: confortável com a bola e visando a saída por baixo, com passes curtos. Eric Dier foi volante nas eliminatórias, mas com a recuperação de Henderson, pode jogar na primeira linha. Maguire pode acrescentar maior força física ao trio de defensores, mas também se destaca pela confiança para se projetar na esquerda. A última novidade foi a surpreendente adaptação de Kyle Walker para o trio de zaga.

O lateral foi chave na definição inicial do sistema, que tinha como objetivo explorar a velocidade de Walker e Rose pelos lados, mas o impacto de Guardiola pode ser notado. No Man City, alterna momentos de ataque por fora e por dentro, além de participar de um modelo que privilegia a construção a partir dos passes curtos desde a saída de bola. Com isso, Southgate testou a nova alternativa em março: Walker como zagueiro, ajudando a iniciar a saída e utilizando seu vigor físico para coberturas mais longas nas costas da defesa.
A decisão passa também pela boa temporada de Trippier, sem a mesma explosão física, mas com maior qualidade nos cruzamentos, além do entendimento com Harry Kane. Na esquerda, Danny Rose seria titular absoluto, mas temporada foi de muitos problemas e deve perder a posição. Fez apenas três jogos como titular nas eliminatórias. Bertrand fez seis, mas ficou fora da lista, perdendo espaço para Ashley Young. O jogador do Manchester United se adaptou bem ao papel de lateral, mas é um ponta de origem, o que ajuda a ocupar todo o corredor esquerdo, além da facilidade para atuar nas duas alas.

O meio traz uma tentativa de adaptação coerente com as características das peças. A Inglaterra não tem grandes controladores do setor, aqueles que tomam conta e ditam o ritmo através da posse de bola. Por isso, a estratégia deve ser forçar a saída com os zagueiros, induzir o adversário a avançar a marcação e tentar castigar os espaços com a aceleração de Lingard e Sterling. Criar cenários de transições sem precisar perder a bola para isso. O grande baque foi a perda de Oxlade-Chamberlain, que se encaixava perfeitamente na ideia da agressividade e não tem um substituto.


Ox, Henderson e Lingard formariam o trio central do 5-3-2, e o posicionamento ajudaria a explicar a perda de espaço de Dele Alli. Além de não ter mantido o nível da temporada 2016/17, o meia do Tottenham se destaca em uma faixa mais avançada, com menos velocidade e participação no centro do campo, e maior chegada com poder de definição próximo da área. Diante de escassas opções, o treinador surpreendeu ao deixar Wilshere fora da lista, o que deixa Loftus-Cheek e Delph correndo por fora. Titular no título do Man City, Delph era um lateral com a função de construir jogo por dentro, se apresentando como mais uma opção de passe para os volantes e sem a responsabilidade de abrir o campo. Além do passado como meio-campista, a função específica desempenhada para Guardiola pode virar um trunfo para Southgate testar o jogador como substituto de Chamberlain, ainda que a opção cause certa estranheza inicial. Outra saída seria adiantar Dier para o meio, o que mudaria radicalmente a característica do trio e, por isso, foi descartado pelo treinador.


Cabe a Dele Alli encontrar uma sintonia com Lingard, sabendo que não tem o mesmo perfil de pressionar e retomar a bola rapidamente como faz o meia do United. A coordenação entre os dois é crucial para que o time consiga preencher o meio, marcar em cima, forçar erros e acelerar.

Sterling terá liberdade para circular e funciona como um motor da equipe nas arrancadas, muitas vezes por dentro, nas costas do volante adversário. É o responsável por mudar o ritmo dos ataques, usando sua agilidade para ser receber nos espaços e avançar de forma bem vertical. Para os cenários mais nítidos de contra-ataque, Southgate ainda tem um especialista no banco: Jamie Vardy. Um velocista que funciona melhor lançado nas costas da defesa adversária. Será reserva porque a grande estrela da equipe ocupa a função de 9: Harry Kane. Com seguidas temporadas fantásticas na Premier League, o atacante é chave para impedir a dependência da velocidade. Seja como referência para passes mais longos ou como alvo para cruzamentos dos alas, Kane oferece uma presença indispensável, além de ter mobilidade para recuar, dar apoio aos meias e gerar espaços. Importante também pode ser a utilização de Rashford, o reserva com maior potencial para impactar vindo do banco. Teoricamente é o reserva de Sterling, mas pode ser usado em variações táticas também, embora Southgate pareça convencido de que o sistema não será alterado.

Os amistosos do ano deixaram alguns sinais positivos, mas muito precoces. Não tornam a Inglaterra nada além de favorita a passar da fase de grupos, com a responsabilidade de evitar um novo vexame. Além do estágio embrionário do modelo de jogo e do considerável impacto do desfalque de Oxlade-Chamberlain, outras duas preocupações são importantes: a grande possibilidade de erros cometidos no campo de defesa, próximos da própria área, e a dúvida sobre o goleiro titular. Joe Hart, titular nas eliminatórias, fez péssima temporada e ficou fora da lista dos 23. Jordan Pickford é a escolha mais provável, Jack Butland perdeu muito tempo lesionado e Nick Pope, sensação da temporada no Burnley, foi uma das surpresas do grupo. Qualquer que seja o escolhido, precisará conviver com a inexperiência e o fantasma da posição que assombrou a seleção em mundiais anteriores.

Jogos no Grupo G
​18/6 - 15h - Tunísia x Inglaterra
​24/6 - 9h - Inglaterra x Panamá
​28/6 - 15h - Inglaterra x Bélgica


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