Copa Tática: Coreia do Sul, a melhor defesa é o ataque?
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Copa Tática: Coreia do Sul, a melhor defesa é o ataque?

  •  Son Heung-Min, pela Coreia do Sul
    Son Heung-Min é a estrela da Coreia do Sul (Foto: Divulgação)
  •  Son - Coreia do Sul x Honduras
    Coreia do Sul em jogo contra Honduras (Foto: Jung Yeon-je / AFP
  •  Shin Tae-yong - Coréia do Sul
    Shin Tae-yong, o técnico da Coréia do Sul AFP
  •  Coreia do Sul x Síria
    Coreia do Sul contra a Síria (Foto: JUNG YEON-JE / AFP)
  •  A Coreia do Sul derrotou Qatar e está em 2º no grupo A das Eliminatórias Asiáticas
    A Coreia do Sul nas eliminatórias contra o Qatar AFP
Rafael Oliveira - 11/06/2018 - 07:20
Especial para o LANCE!
A Coreia do Sul não atraiu holofotes ao longo das eliminatórias para a Copa. A Ásia teve a regularidade do Irã, o drama da Austrália, o sonho da Síria e a surpresa da Arábia Saudita como temas mais comentados durante o ciclo. Assim, a seleção sul-coreana ficou em segundo plano. Poderia ser algo positivo, já que o país é uma das forças do continente e vai para a sua nona Copa seguida, o que já nem é notícia. Mas não é bem assim.

A vaga foi confirmada apenas na última rodada e a classificação direta chegou a ser ameaçada pela Síria. Mais do que isso, a Coreia não esteve próxima de convencer nas atuações e o ataque passou em branco em quatro das cinco partidas como visitante. Mesmo em casa, teve dificuldades para vencer Síria, Uzbequistão e Catar, além de tomar um susto após abrir 3 a 0 contra a China. Em dez rodadas, foram apenas 11 gols marcados e 10 sofridos.

Ao perceber o risco de um vexame, a federação optou pela troca de técnico no meio de 2017. O alemão Uli Stielike foi demitido e Shin Tae-yong assumiu como uma aposta. Os dois empates por 0x0 nas últimas rodadas garantiram a classificação. Shin Tae-yong foi campeão asiático com o Seongnam em 2010 e comandou o país na Olimpíada de 2016. Nos jogos do Rio, o treinador fez questão de expor a sua mentalidade ofensiva e foi recompensado com um 1º lugar no grupo de Alemanha e México, curiosamente, os mesmos países que enfrentará na Rússia. Nas quartas, acabaria eliminado por uma equipe hondurenha que adorava o contra-ataque. Em 2017, novamente conseguiu um resultado relevante ao superar a Argentina no Mundial Sub-20, mas caiu para Portugal nas oitavas. De qualquer forma, a mensagem foi passada: ao contrário de técnicos anteriores, sua prioridade seria tentar jogar de igual para igual contra qualquer adversário, olhando para o ataque como prioridade.

Stielike e Shin Tae-yong chegaram a trocar farpas publicamente e não escondem suas diferenças. Com o alemão, a Coreia do Sul até tinha um alto índice de posse de bola, mas eram passes sem grande progressão, visando um controle bastante cauteloso e pouco produtivo. Se a ideia foi a troca do "tédio" pela relativa ousadia, agora os coreanos precisam conviver com os riscos. Nos amistosos desde então, os muitos erros geraram questionamentos sobre Jang Hyun-Soo, Kim Min-Jae, Kim Young-Gwon e Kim Ju-Young. Dois deles, Kim Min-Jae e Kim Ju-Young, acabaram fora da lista para a Copa do Mundo. Para completar, Kim Jin-Su, lateral esquerdo titular durante as eliminatórias, foi cortado por lesão.


No amistoso contra a Polônia, em março, Shin Tae-yong testou um 5-4-1, mas desistiu após 38 minutos do primeiro tempo. Voltou a trabalhar a possibilidade dos três zagueiros em maio, mas o desempenho do 3-4-1-2 contra a Bósnia foi negativo. Com tantos problemas defensivos, mais do que nunca, a Coreia do Sul precisará do discurso utilizado pelo treinador durante os Jogos Olímpicos: "se tomarmos um gol, é simples: basta fazer dois". Para tal, o desafio passa a ser encontrar um funcionamento coletivo entre as peças de ataque. E aí estão os principais destaques individuais.

Son Heung-Min naturalmente é a estrela da seleção. Teve grande temporada no Tottenham, virou um jogador capaz de desequilibrar no nível da Premier League e é quem acrescenta velocidade e drible ao time de Pochettino. Só que, no seu país, Son pode ser utilizado pela ponta ou centralizado, como 9. E como o técnico não costuma adotar discursos tão táticos, chegou a cobrar publicamente, após um amistoso recente, que o atacante encontre uma solução para se livrar da marcação. Pode não ser a frase ideal, mas constata um fato: Son terá atenção especial dos adversários, que sabem que o caminho é não permitir campo para sua aceleração em direção ao gol.

O repertório ofensivo precisa ir além da capacidade de sua principal estrela. Dois outros nomes merecem destaque pela temporada 2017/18: Hwang Hee-Chan e Kwon Chang-Hoon. Hwang é uma importante peça do Red Bull Salzburg, que fez bela campanha na Europa League. Um atacante esforçado, capaz de dar profundidade, mas também de se associar por dentro, como pivô, além de se encaixar no perfil do time austríaco, que exige muita contribuição sem bola. Não é exatamente uma referência, embora jogue como 9, e ainda não é um grande finalizador, por mais que tenha tido bons números na temporada retrasada (2016/17). As características podem casar bem com as de Son, visando potencializar o atacante do Tottenham para que seja acionado em direção ao gol. Tudo passa pela formação escolhida, uma grande incógnita, já que Shin Tae-yong gosta de variar os desenhos táticos.

Na busca por gols ou em caso de urgência, o centroavante utilizado é o grandalhão Kim Shin-Wook, já condicionando a estratégia a diversos cruzamentos para a área. Em busca de um jogo melhor trabalhado, a grande esperança seria Kwon Chang-Hoon. Fora do radar por atuar no Dijon, da França, o meia fez excelente temporada na Ligue 1, mas acabou cortado por lesão. Seria o jogador mais criativo do elenco e tem o passe para ativar a dupla de ataque a partir de suas arrancadas da direita, sempre buscando o centro.

Se Son e Hwang são os principais argumentos ofensivos para a Coreia do Sul compensar os enormes problemas defensivos, a dura missão de tentar oferecer algum equilíbrio ao time cabe a Ki Sung-Yueng. O volante já viveu temporadas bem melhores e acabou rebaixado com o Swansea, mas ainda tem muita influência na seleção. Sua qualidade no passe é fundamental para fazer a saída de bola fluir, apesar de parecer cada vez mais desconfortável quando pressionado, por não ter grande agilidade. Chegou a ser testado como parte do trio de zaga, mas sua lentidão seria mais uma vulnerabilidade defensiva. Atuar recuado só permitiria ter a posse de bola mais distante da pressão dos adversários, mas não parece valer o risco. Se quiser um volante mais fixo, Jung Woo-Young pode fazer a proteção, já que também atua como zagueiro. O complemento da faixa central também deve passar por peças experientes, provavelmente com Koo Ja-Cheol, que passou a jogar mais recuado no Augsburg, e não mais como meia avançado. Assim, pode ajudar a preencher o espaço sem a bola e se apresentar como opção de passe para Ki.

Lee Jae-Sung pode ser a novidade e desbancar outro veterano, Park Joo-Ho, que deve voltar a atuar na esquerda por conta da lesão do titular Kim Jin-Su. Lee Jae-Sung não tem carreira fora da Coreia do Sul, mas é extremamente bem sucedido no futebol nacional. Fez parte da seleção da K League nos últimos três anos e defende o Jeonbuk Hyundai, clube que mais projeta jogadores para a seleção. Dentro do princípio ofensivo de Shin Tae-yong, o meia seria outro nome criativo para o meio, completando uma escalação com mais recursos técnicos e oferecendo chegada à área adversária.

Surpresa na lista dos 23 convocados, Lee Seung-Woo jogou menos de 350 minutos em toda a Serie A 2017/18 pelo rebaixado Verona. Por mais que tenha feito apenas uma partida como titular no Campeonato Italiano, o meia de 20 anos é uma das maiores promessas do país. Contratado pelo Barcelona aos 13 anos de idade, acumulou torneios de destaque na base da seleção. Foi bem no Mundial Sub-17 em 2015 e deixou boa impressão no Mundial Sub-20 de 2017. Ainda não deu o salto para se firmar em um grande campeonato, mas sua característica de drible pelas pontas pode render minutos importantes na Copa do Mundo.

O ponto mais curioso é ver, na prática, o que a Coreia do Sul terá a apresentar. É um elenco castigado por lesões, com insegurança defensiva, dúvidas táticas e sem um goleador, por mais que tenha alguma qualidade na criação. O grupo representa diferentes riscos e cenários. Como se comportar tanto tempo sem a bola contra a Alemanha se a defesa não for a prioridade? Como lidar com o jogo físico da Suécia com uma defesa tão frágil? São algumas perguntas que Shin Tae-yong terá que responder e trabalhar para superar. Pensando em Son Heung-Min, o lado positivo é o campo que adversários como o México podem ceder. Mas a dúvida é se o ataque será mesmo capaz de compensar o número de gols sofridos.

Jogos no Grupo F
​18/6 - 9h - Suécia x Coreia do Sul
​23/6 - 12h - Coreia do Sul x México
​27/6 - 11h - Coreia do Sul x Alemanha
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