Os caras das Copas: Carlos Alberto Torres, o capitão do tri
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Os caras das Copas: Carlos Alberto Torres, o capitão do tri

  •  Carlos Alberto Torres
    GALERIA: Veja a Copa disputada por Carlos Alberto Torres e o clube que ele defendia no período do Mundial (Foto: Divulgação/Fifa)
  •  Carlos Alberto Torres
    1970: 6 jogos/1 gol (campeão pelo Brasil) (Foto: Divulgação/Fifa)
  •  Carlos Alberto Torres
    Clube que defendia no período da Copa de 1970: Santos (Foto: Reprodução de internet)
LANCE! - 13/04/2018 - 08:10
São Paulo (SP)
Um dos maiores laterais-direitos de todos os tempos, Carlos Alberto Torres foi o capitão de um esquadrão eternizado na história do futebol: a Seleção Brasileira campeã do mundo em 1970, no México. Por sua liderança e forte personalidade, Carlos Alberto, que tinha apenas 25 anos na época do Mundial, virou o líder de uma equipe que tinha nomes como Pelé, Tostão, Jairzinho, Rivellino e Gérson, recebendo o icônico apelido de "Capita". Além disso, Carlos Alberto é dono de um dos gols mais bonitos da história das Copas, um chutaço que fechou a vitória na final contra a Itália, que deu o tri mundial ao Brasil.

O cara da Copa - Carlos Alberto Torres
(Imagem: Arte LANCE!)
Carlos Alberto Torres fez sua estreia pela Seleção em 1964. O lateral já era um dos grandes nomes da sua posição em 1966, quando entrou na lista dos 48 pré-convocados pelo técnico Vicente Feola para o Mundial da Inglaterra. Entretanto, apesar da ótima fase, o lateral - então com 22 anos - acabou preterido pelo treinador na lista final: "Eu achava que estava garantido. Quando alguém me disse que não anunciaram meu nome, pensei até que fosse um engano", disse Carlos Alberto, certa vez, em entrevista que recordava 1966.

O tempo passou e quatro anos depois Carlos Alberto era um dos pilares da Seleção de Zagallo. O capitão foi titular em todos os jogos da campanha do Brasil no México e jogou bem nas vitórias sobre Tchecoslováquia (4 a 1), Inglaterra (1 a 0) - quando deu uma entrada forte no zagueiro Francis Lee, que tinha chutado o rosto do goleiro Félix, e acabou intimidando o defensor adversário, que "sumiu" do jogo depois disso - e Romênia (3 a 2), pela primeira fase. Na quartas de final, contra o Peru, mais uma grande atuação e vitória por 4 a 2. Na semi, era chegada a vez de enfrentar o Uruguai, algoz na Copa de 1950. Jogo nervoso, mas vencido após mudança costurada por Carlos Alberto, baseada em ideia de Gérson. O Uruguai estava ganhando por 1 a 0 quando Gérson e Clodoaldo decidiram trocar de posição, com Gérson virando cabeça de área e Clodoaldo avançando, na tentativa de quebrar a marcação uruguaia.

- O Gérson me falou assim: "Acho que vou trocar de posição com o Clodoaldo, que é que tu acha? Ao invés de ficar aqui sendo marcado pelo cara, vou recuar, se ele continuar perto de mim, eu é que vou marcar ele. E vamos liberar o Clodoaldo.". O Clodoaldo nunca passava, jamais passava do meio de campo, ou jamais, dificilmente. Ele ia até ali, ficava aguardando para me cobrir ou para cobrir uma possível subida do Everaldo, ficava sempre ali. Aí chamei o Clodoaldo e falei da ideia do Gérson. Ideia do Gérson: "Oh, o Gérson está sugerindo isso, vamos tentar. Temos que tentar alguma coisa aqui para mudar o jogo. O Gérson vai ficar na tua posição e você troca de posição e sai para o jogo". Poucos minutos depois ele vai lá e faz o gol - lembrou Carlos Alberto em depoimento ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas. Clodoaldo empatou aos 44 minutos do primeiro tempo e o Brasil avançou a final vencendo por 3 a 1.


A decisão foi contra a Itália, no Estádio Azteca, na Cidade do México. A seleção campeã levaria a posse definitiva da Taça Jules Rimet, pelo fato de ser a primeira tricampeã do mundo. Carlos Alberto Parreira, técnico do tetra da Seleção em 1994, era preparador físico do Brasil em 1970. Ele recorda que Carlos Alberto Torres foi para a final plenamente confiante de que a Seleção Brasileira seria campeã: “A gente partia para a final da Copa contra a Itália, eram 10 horas da manhã. Ele (Carlos Alberto) me viu com a cara fechada, e perguntou: ‘Você está preocupado com o quê?’. Eu respondi que estava com medo daquele timaço da Itália. E ele falou, com toda confiança: ‘Para de se preocupar, com esse time que a gente tem, vamos ganhar mole da Itália’”, lembrou Parreira, em entrevista ao Seleção SporTV. E não deu outra...

O Brasil se impôs e fez 1 a 0 com Pelé. Boninsegna empatou, mas Gérson e Jairzinho abriram 3 a 1 para a Seleção Brasileira. Aos 41 minutos do segundo tempo o jogo estava controlado, mas Carlos Alberto decidiu fazer história. Apesar do calor de quase duas da tarde e dos 2.240 metros de altitude, o lateral subiu ao ataque para se eternizar em jogada épica. O lance nasceu em carrinho de Everaldo, ainda no campo de defesa, e foi construído em uma troca de passes espetacular, de 30 segundos. Após oito trocas de passes, Pelé dominou a bola, esperou três segundos, e, sem olhar, percebeu a chegada fulminante de Carlos Alberto, que soltou uma pancada para estufar a rede. Era a coroação para levantar a taça, o que foi feito de uma forma muito especial: "Eu que inventei essa história de beijar o troféu. Fui o primeiro". Em 1974, uma lesão no pé o tirou da Copa da Alemanha. Mas seu nome já estava na história.

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