Os caras das Copas: Beckenbauer, vencedor como jogador e técnico
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Os caras das Copas: Beckenbauer, vencedor como jogador e técnico

  •  Franz Beckenbauer
    GALERIA: Veja as Copas vividas por Beckenbauer e o clube que ele defendia no período de cada Mundial como jogador (Foto: Reprodução de internet)
  •  Franz Beckenbauer
    1966: 6 jogos/4 gols (vice-campeão pela Alemanha Ocidental) (Foto: Reprodução de internet)
  •  Franz Beckenbauer
    Clube que defendia no período da Copa de 1966: Bayern de Munique (Foto: Reprodução de internet)
  •  Franz Beckenbauer
    1970: 5 jogos/1 gol (terceiro lugar pela Alemanha Ocidental) (Foto: Reprodução de internet)
  •  Franz Beckenbauer
    Clube que defendia no período da Copa de 1970: Bayern de Munique (Foto: Reprodução de internet)
  •  Franz Beckembauer
    1974: 7 jogos/0 gols (campeão pela Alemanha Ocidental) (Foto: Reprodução de internet)
  •  Franz Beckenbauer
    Clube que defendia no período da Copa de 1974: Bayern de Munique (Foto: Reprodução de internet)
  •  Franz Beckenbauer
    1986: vice-campeão como técnico da Alemanha Ocidental (Foto: Reprodução de internet)
  •  Franz Beckenbauer
    1990: campeão como técnico da Alemanha Ocidental (Foto: Divulgação/DFB)
LANCE! - 03/05/2018 - 08:10
São Paulo (SP)
Ex-líbero, zagueiro, volante, meia e técnico. O alemão Franz Beckenbauer foi um dos maiores defensores do futebol mundial em todos os tempos e marcou seu nome na história das Copas, inclusive como treinador. Apelidado como Kaiser ("Imperador", em alemão), Beckenbauer protagonizou histórias incríveis nas três Copas que disputou como jogador, em 1966, 1970 e 1974, e nas duas que esteve como técnico, em 1986 e 1990. Pela Alemanha Ocidental, ele sagrou-se campeão jogando em casa, em 74, e também dirigindo seu país, em 90. Totalizando as cinco copas vividas, ele jamais ficou fora do pódio.

O cara da Copa - Beckenbauer
(Imagem: Arte LANCE!)
Beckenbauer estreou pela seleção em 1965, aos 19 anos, apenas uma temporada após começar como profissional no Bayern de Munique. Na Copa de 66, na Inglaterra, já era titular como líbero na equipe dirigida por Helmut Schön, aparecendo em diversas posições. Ao contrário dos volantes da época, que ficavam na proteção à defesa, Beckenbauer partia do seu campo com a bola dominada rumo ao ataque. Logo na estreia, contra a Suíça, o defensor mostrou seu potencial e marcou dois em goleada por 5 a 0. A primeira fase teve ainda um empate em 0 a 0 com a Argentina e vitória por 2 a 1 sobre a Espanha. Nas quartas, o Kaiser voltou a aparecer com brilho, marcando em triunfo por 4 a 0 sobre o Uruguai. Na semi, novo show do líbero, novamente marcando um e ajudando a Alemanha a bater a União Soviética por 2 a 1. A final seria contra a Inglaterra, dona da casa. Os alemães perderam por 4 a 2 na prorrogação, após chute do inglês Geoff Hurst que não entrou e arbitragem deu gol. Mesmo com o vice, Beckenbauer foi eleito o melhor jogador jovem daquele Mundial.

Na Copa seguinte, no México, Beckenbauer já era o capitão de Helmut Schön na seleção, isso aos 24 anos. A primeira fase contou com atuações seguras do defensor, com a Alemanha Ocidental avançando. Nas quartas, a Inglaterra apareceu pelo caminho. Era a chance da vingança por 66. Os ingleses saíram na frente, abrindo 2 a 0, mas o líbero iniciou a reação, marcando o primeiro alemão aos 23 da segunda etapa. A Alemanha ainda empatou no tempo normal e virou na prorrogação, indo encarar a Itália, em jogo icônico na carreira de Beckenbauer. A Alemanha perdia por 1 a 0 e pressionava quando, aos 22 do segundo tempo, Beckenbauer sofreu falta e teve uma fratura na clavícula direita. Na época, eram permitidas só duas trocas e elas já tinham sido feitas. O líbero, então, decidiu ficar em campo e mesmo no sacrifício, seguiu atuando em alto nível. Os alemães conseguiram o empate no último minuto e, na volta para a prorrogação, Beckenbauer surgiu com o braço amparado por uma tipoia. A prorrogação foi eletrizante e terminou 4 a 3 para os italianos. O duelo ganhou o nome de "Jogo do Século". A Alemanha, depois, ainda levou o terceiro lugar em partida contra o Uruguai, mas o Kaiser não conseguiu condições de atuar.

A terceira Copa de Beckenbauer foi em casa. Dois anos antes, o Kaiser já tinha liderado a Alemanha Ocidental no seu primeiro título da Eurocopa. Era uma seleção fortíssima e Helmut Schön seguia como técnico. Apesar das ótimas credenciais, o time não encantou na primeira fase. A seleção estreou batendo o Chile por 1 a 0 e em seguida venceu a Austrália por 3 a 0, mas foi vaiada. No terceiro embate, diante da Alemanha Oriental, derrota por 1 a 0. Na época, formulou-se até a teoria de que o revés teria sido para evitar ida para o grupo do Brasil, então campeão do mundo, na segunda fase. Nesta nova fase, vitórias sobre Iugoslávia e Suécia deixaram a vaga na final ser decidida diretamente contra a Polônia. Em jogo duro, os germânicos venceram por 1 a 0 e foram para a final, para pegar a Holanda, que vinha encantando o mundo naquela Copa.

A Holanda tinha Johan Cruyff e um futebol envolvente, recheado de trocas de posições e toques de bola. Assim que a decisão começou, os holandeses trocaram 16 passes logo no primeiro minuto de jogo e o lance acabou com Cruyff derrubado dentro da área. Neeskens bateu e fez 1 a 0. Porém, a Alemanha tinha Beckenbauer e grande elenco. Helmut Schön mandou seu time apertar a marcação em Cruyff e o "Carrossel Holandês" travou. A seleção da casa virou para 2 a 1 ainda no primeiro tempo, com Breitner e Müller. O placar se manteve assim até o fim e finalmente o Kaiser conquistou uma Copa, levantando a Taça Fifa - que aparecia pela primeira vez naquele Mundial.

Em 1978, Beckenbauer estava atuando pelo New York Cosmos, dos Estados Unidos, e tinha 32 anos. No entanto, mesmo em condições, foi considerado "velho" por Helmut Schön e ficou fora do Mundial de Argentina - quando a Alemanha foi eliminada na segunda fase. O Kaiser voltaria a viver uma Copa em 86, como treinador da Alemanha Ocidental. Em sua primeira experiência como técnico, foi logo vice-campeão, caindo na final para a Argentina, de Maradona. Porém, a taça não escaparia quatro anos depois, na Copa da Itália. Dirigindo esquadrão que tinha Lothar Matthäus, Jürgen Klinsmann e Rudi Völler, o Kaiser sentiu o gosto de ser campeão como técnico após vingança contra a Argentina na decisão. Com o título, Beckenbauer se igualava a Zagallo como campeão do mundo como jogador e treinador. Um feito histórico e jamais repetido até hoje.

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